Seja bem-vindo!

Caro Visitante,

Erotexto é um blogue dedicado ao erotismo que tem por característica uma rica diversidade de estruturas narrativas. Seu objetivo é triplo: entreter, desenvolver o interesse pela escritura e - o principal - motivar a reflexão sobre a libido e a busca do prazer, cujo fundamento biológico acredito ser de caráter essencial e universalmente bissexual.

Erotexto tem formato fixo. A primeira página comporta a última narrativa proposta (não necessariamente a última criação). O material arquivado consiste de contos e relatos classificados por categoria sob a rubrica "EroStock" (coluna à direita), bem como séries, novelas e folhetins. Para conhecer a acepção em que cada estrutura narrativa foi tomada, convido o leitor a clicar em "Pequena Teoria da Narrativa", aqui acima.

Uma comunicação contínua com o leitor faz-se através da rubrica "EroNovas", a primeira da coluna à direita. Meu e-mail está à sua disposição. Para reagir a uma publicação, clique na palavra "comentário", abaixo de cada texto.

Os botões "Índice" e "Resumos" propiciam acesso fácil aos textos e uma visão global do conteúdo do blogue.

Que Erotexto possa excitar de modo agradável, são e prazeroso, inspirar o leitor a escrever suas próprias histórias e principalmente, motivar a reflexão.

Marc Fauwel

Roland Garros, Sensualidade e Mistério

Em meio à intensa atividade de um grande torneio de tênis, bem poucos são os que dedicam sequer um minuto do seu tempo a  imaginar o que se passa no âmbito do batalhão de "boleiros" contratados para enviar as bolas aos jogadores, tirá-las de seu caminho em tempo mínimo e executar uma série de outras tarefas, de maneira coordenada. É inspirada nessa massa de vida jovem e fervilhante que coexiste enquanto dura o torneio que se desenrola a presente narrativa.

-----------------------------------

Filha de brasileiros radicados na França há vinte anos, Fabiana está exultante: ela acaba de ler a carta comunicando a sua aprovação no recrutamento de boleiros para o torneio anual de Roland Garros. Juntamente à carta, o entregador deixou um pacote contendo um par de tênis e três uniformes. Ela joga tudo numa mochila e voa até a casa do namorado, na mesma rua.
- Consegui, Kevin! Fui aceita para trabalhar no torneio!
- Uau! Parabéns! Passou por um triz, hein!
- Mais quinze dias e eu seria recusada por idade. Hoje é sexta, o treinamento da gente começa amanhã e torneio na segunda-feira.
- Você vai tirar de letra.
- Eu trouxe o uniforme para você ver.
- Hum! Aquele uniforminho é sexy!

Eles vão para o quarto de Kevin e Fabiana lhe pede para se virar de costas para não estragar a surpresa. Ela se despe e veste uma a uma as peças do uniforme azul.
- Pode virar!
- Uau! Acho que você vai precisar de guarda-costas!

Fabiana não é grande, mas aos dezessete anos, trezentos e cinquenta dias, suas formas são voluptuosas. O saiote das boleiras, neste ano de 2023, é de tecido mole levemente plissado, muito bem combinado à camiseta clássica do torneio, mas curta a ponto de chamar a atenção do rapaz, que olha boquiaberto para a porção inferior do corpo da namorada.
- Caramba, Fabiana! Vai dar para ver tudo pela televisão, quando você se abaixar.
- Também achei, mas ela é tão curta que nem dá para botar um shortinho por baixo. Mas não vou desistir por causa da roupa, não é? Todas as meninas vão estar assim, então tudo bem.
- É, já vi que boleira sexy também ajuda a vender ingresso, elucubra o namorado, um pouco insatisfeito. Por mim, você não ia, mas não posso fazer nada para impedir.
- Não pode mesmo, Kevin! Relaxa porque não tenho a menor intenção de fazer nada para te deixar triste, ok?
- Eu sei. Vem cá.

Eles se abraçam e Kevin procura imediatamente a bundinha da namorada, sua parte preferida, que Fabiana empina para oferecê-la como ele gosta, pondo-se ligeiramente na ponta dos pés. Ela não tem muito tempo, mas resta-lhe o suficiente para um presentinho. Ela lhe pede que sente na mesa e vai encaixar-se entre suas coxas, já abrindo os botões da bermuda para masturbá-lo enquanto o beija profundamente. Muito excitado, ele quer mais e ali mesmo, mas ela nega, alegando que a menor mancha no uniforme poderia comprometê-la. Ela então o tira sensualmente e, puxando Kevin pela mão para levá-lo até a cama, vem cravar-se em seu colo, procurando a boca enquanto sente o sexo pulsar e mover-se dentro dela. Além de transar do jeito que ela gosta, Kevin é divertido e sabe surpreendê-la. Não se trata de uma grande paixão, mas ela tem um imenso carinho por ele e não pretende ser infiel durante o fim de semana de formação. O que ele ignora ainda é que desde que o torneio passou a incluir jogos noturnos, há dois anos, os novos recrutas passam o fim de semana inteiro no complexo esportivo, inclusive as noites, a começar pela noite da sexta-feira.
- Você tem que ir para lá hoje?
- No máximo até as 7h da noite. Eles querem que a gente coma e durma bem porque o fim de semana vai ser super carregado.

Kevin se conforma, eles passam mais alguns momentos juntos e Fabiana vai para casa tomar banho e se preparar. Ela escolhe a dedo calcinhas novas e sexy, mas não indecentes, nada de string. Chegando em Roland Garros com o pai, ela é encaminhada sozinha para o centro esportivo onde estão reunidos os os futuros boleiros. As apresentações são feitas, e durante o jantar, eles assistem a um vídeo que mostra flashes da tradicional formação dos boleiros do torneio. Às 9h em ponto, todos estão no dormitório e às 9h30 as luzes se apagam. É hora de sonhar com o que será uma das experiências mais interessantes das vidas desses meninos e meninas.

Sábado às 8h da manhã, os recrutas estão em fila na quadra central. Seu chefe é um ex-boleiro que deu a volta ao mundo participando de torneios. Os novatos se sentem num batalhão, alguns não escondem seu temor e, de saída, uma menina franzina de maria-chiquinha cai em prantos e é levada embora pela mãe, que sabiamente resolvera dar uma volta pelas famosas quadras. Fabiana avalia seus colegas; embora a faixa etária média seja inferior à sua, há meninas com caras simpáticas e meninos com um jeito legal, alguns também beirando os dezoito anos como ela. Isso a anima, ela está pronta para o desafio.

O treinamento é duro, ignora as intempéries e, muitas vezes, os horários das refeições; um jogo pode durar várias horas e todos têm que estar preparados para isso. Na hora do banho, Fabiana sente seus músculos relaxarem enquanto a água lava a poeira do saibro. Eles tomam dois banhos, um ao final do treinamento da manhã, outro ao final da tarde, antes do jantar. São momentos preciosos e já na manhã de sábado, ela travou conhecimento com algumas meninas do grupo.

Rachel é uma descendente de árabes não praticantes muito exótica e de corpo exuberante, próximo ao das mulheres brasileiras. Isso a aproxima de Fabiana e as duas logo simpatizam. Quando estão juntas conversando no chuveiro, as outras não conseguem deixar de olhar para os seus corpos já formados, a estatura definitiva, as coxas bem torneadas terminando em bundas consistentes, os seios já mais volumosos e proeminentes. Olhares ariscos registram os pelos curtos e aparados em triângulo perfeito na convergência das coxas de Rachel ou o púbis completamente depilado de Fabiana. As novas amigas percebem isso, sentem-se observadas e admiradas pelas menores ou pelas menos privilegiadas no aspecto físico.
- Já conversou com algum menino, Rachel? pergunta a brasileirinha enquanto ensaboa os seios e axilas.
- Estou de olho no Soleil, responde a amiga, vendo a água esbranquiçada de champú passar entre os seios, encobrir o umbigo e ir atravessar a densa fronteira castanha de pelinhos rasos.
- Soleil... Soleil... Ah, sei, o menino africano, o mais alto?
- É. Ele nasceu em Durban, parece. Tenho um fraco pelos africanos, sabia? Músculos, lábios carnudos...
- Bota carnudo nisso! diz Fabiana, carinhosamente divertida.
- E isso sem falar do "resto", não é?
- Ah é, isso já me disseram!
- E pode acreditar! Já tive namorados negros.
- Sério? Grande mesmo?
- Já vi "assim", olha!
- Uau! Será que o do Soleil é um desses?
- Tomara! Não quero investir à toa, e só temos o fim de semana porque durante o torneio não vai dar nem para olhar para os lados. E você, já conheceu alguém?
- Conversei rapidinho, mas não estou procurando; tenho namorado.
- E daí? Eu também tenho, mas ele não precisa saber do que eu faço aqui, não é? Aproveita! Não banca a freirinha que aqui não é convento.
- Ha! Ha! Ha! Ha!

As meninas se entendem e continuam conversando em tom bem-humorado, sempre observadas pelas outras, algumas das quais as tomam como modelos do que serão em breve. O grupo das ocidentais típicas se destaca um pouco do grupo "étnico" e, embora não haja propriamente preconceito, se reúne também em torno de dois chuveiros. Fabiana se sente dividida. Filha de uma descendente direta de noruegueses, mesmo tendo a tez morena clara e alguns traços latinos aparentes, herdados do pai, ela se sente próxima das meninas louras de olhos azuis e pele cor de neve que ela vê do outro lado do grande banheiro retangular de ladrilhos cor de saibro, agitando-se com seus corpos mais delgados, seios pequenos e bundinhas bonitas, mais largas do que salientes. Ela se pergunta porque os grupos se subdividem tão rápido e segundo as aparências mais do que segundo as afinidades.

O treinamento é exaustivo, mas eficiente. Ao fim da manhã, todos já conhecem o posicionamento em quadra e as técnicas de lançamento e entrega das bolas. Houve outra desistência, mas os recrutas são numerosos, cerca de cinquenta, e o entusiasmo geral reina. Fabiana troca mensagens rápidas pelo celular com a mãe e a irmã mais nova, que ela adora.

Philippe e Max, que já se conheciam e se candidataram juntos, tentaram uma primeira aventura já na sexta à noite, no dormitório. Eles avaliaram a possibilidade de usar a cama de um ou de outro, mas isso lhes pareceu temerário e o preço a pagar alto demais, caso fossem descobertos. Enquanto os jogos entre eles não passaram de beijos e carícias, não foi difícil disfarçar com um bye-bye quando algum dos outros os via deitados juntos, mas ir além seria expor-se a um perigo desnecessário. Sendo assim, eles combinaram de tentar alguma coisa no dia seguinte e trocaram o imediatismo arriscado por uma noite de sonhos eróticos. Na hora do primeiro banho, antes do almoço de sábado, os dois amigos ocupam o mesmo chuveiro.
- Ah, se eu pudesse! sussurra Philippe, olhando discretamente para todos em volta.
- Se pudesse o quê? pergunta o outro, concentrado em ensaboar-se.
- Ficava de quatro ali no meio e deixava todo mundo me montar. Você viu aquelese caras, ali? pergunta ele entre os dentes, apontando discretamente para o grupo de meninos africanos, dentre os quais Soleil, o mesmo que despertou a atenção de Rachel.
- Vi, vi, mas cala a boca se não quiser ser linchado. Eles já nos viram no dormitório, é melhor não escancarar demais.

Philippe dá propositalmente as costas para o grupinho de quatro afro-franceses que se banham ruidosamente a dois chuveiros do seu. Ele sabe que há chances de que algum deles, mesmo sem ser homossexual, aceite uma aventura unicamente pelo prazer ou para se autoafirmar como macho. Seu corpo delgado, liso e feminino já atraiu rapazes bem másculos, então não há por que não tentar a sorte. E a estratégia não tarda a surtir efeito.
- Pára, Philipe! sussurra seu amigo, que tem o grupinho em seu ângulo de visão. Eles já perceberam e um dos caras não para de olhar para a tua bunda!
- Sai do banho e me deixa aqui com eles. Não quero perder essa chance por nada nesse mundo.
- Está louco? E se eles resolvem te bater?
- Se eles quisessem violência, já tinha acontecido lá no dormitório, ontem mesmo, ou você acha que eles não nos viram juntos na cama?
- Pode ser, mas...
- Além disso, mesmo que eles topem alguma coisa, olha para eles. Você vê algum passivinho entre esses quatro? Eu não! Então sai do banho que depois eu te conto tudo.
- Bom, vou sair então, mas cuidado, ok?
- Relaxa.

Philippe remancha no banho, ensaboando inúmeras vezes a bundinha branca e rechonchuda, deixando cair o sabonete e curvando-se para apanhá-lo, enfim, exibindo-se para os quatro, que começam a cochichar.
- Esse cara está mostrandoa bunda para nós, comenta um deles.
- Eu não dispensaria, declara o primeiro a notá-lo, apertando o membro já meio endurecido para evitar que suba.
- Com tanta menina, você vai olhar para a bunda de um cara? Não te entendo, diz Soleil, num tom já audível para Philippe, todo ouvidos.
- Eu também não dispenso não, diz o último. Ele está aqui, e provocando; as minas, a gente precisa ganhar primeiro!
- Pois eu estou fora, declara Soleil, já saindo.

Sempre de costas, Philipe adivinha que os três africanos caminham em sua direção. Eles o cercam e o primeiro que o viu já chega passando-lhe a mão na bunda. Quando ele se volta...
- Psss! Não fala nada, diz outro, já forçando-o pelo ombro para que se incline e oferecendo-lhe o membro grosso e arqueado.

Philippe está um pouco amedrontado com a possibilidade de que a coisa degenere, mas seu desejo de ser possuído pelos três o faz vencer o medo e ele se aplica a chupar competentemente. Instantes depois, ele sente outra mão espalhar sabão diretamente em seu rego e um dedo penetrá-lo sem a menor cerimônia. Ele exclama um "Ai!" e olha para trás com ar zangado, mas os três riem zombeteiramente enquanto um deles já começa a penetrá-lo.
- Continua chupando, branquinho, ordena o primeiro, passando-lhe no rosto o membro agora totalmente ereto.

Philippe oscila para frente e para trás enquanto o terceiro rapaz dirige sua mão para que o masturbe. Ele geme, sentindo prazer e dor, mas espera que tudo se transforme em puro êxtase em poucos minutos. Sua única preocupação é que algum supervisor vá aos banheiros e os surpreenda, mas por hora, nada acontece e os três jovens garanhões começam a revezar-se para ser chupados por ele e penetrá-lo. Um deles, extremamente bem dotado, quase arranca-lhe um berro ao penetrá-lo pela primeira vez, mas quando a glande passa e ele incia o vaivém, colide com seu corpo, o prazer é tamanho que Philippe desabaria no chão se o rapaz não o agarrasse fortemente pela cintura.
- "Ela" dá gostoso! comenta o dotado, rindo para os outros, dando estocadas fortes.
- E chupa que nem uma patricinha! diz outro, de pé, braços cruzados, vendo Philippe de boca escancarada quase engasgar com o membro do amigo sendo forçado em sua garganta.
- Aaaah! faz o primeiro, entrando em orgasmo e ejaculando em jatos fortes, colidindo com força contra o corpo de Philippe, que geme de boca cheia.
- É minha vez, diz o espectador.
- Então eu vou na boquinha, porque não estou aguent... Ahhhhh! faz aquele que lhe dá de mamar, enchendo sua boca esperma, que ele cospe tão-logo, assistindo-o ser levado para o ralo.

Philippe goza discretamente, masturbando-se enquanto recebe o orgasmo copioso do seu último parceiro. Eles sorriem, sarcásticos, ouvindo seus gemidos contidos enquanto seus jatos de esperma se sucedem, tão fortes e densos quanto os deles. Quando os três estão satisfeitos, dividem a ducha com ele, cercando-o e encostando nele seus sexos amolecidos, sem nada a lhe dizer, mas tratando-o como sua propriedade.
- Se não quiser se dar mal, isso fica entre nós, ouviu, cara? diz o mais mau-encarado. Se a gente quiser mais, você vai saber.
- Pode deixar, não tenho interesse nenhum de contar. Aliás, eu não queria perder o contato com vocês, pode ser?
- Por mim.... diz um deles, rindo.
- Quer meu face, gata? diz o outro, debochado.
- É, vai esperando! diz o mau-encarado.
- Valeu, galera, curti ficar aqui com vocês, diz Philippe, dando um sorriso amarelo para os três, que já se afastam para sair do banho.
- O Soleil perdeu, diz um deles.
- Ele não gosta de viado, diz o outro. A essa hora, ele já está dando em cima de alguma mina.

Philippe ouve esses últimos comentários e baixa a cabeça, um pouco triste. Mas a euforia do contexto logo lhe vem à mente e o impede de se deprimir. Ele varre o negativismo da cabeça e termina seu banho dizendo a si mesmo que conseguiu o que queria. Apercebendo-se de cada sensação que ainda perdura em seu corpo, ele está mais do que convencido de que fez a opção que lhe convinha.

A tarde de sábado foi de prática de coordenação em quadra e especialmente dedicada aos menores, que compõem 95% do pelotão de futuros boleiros. No final, um jogo permitiu a todos uma primeira aplicação prática dos ensinamentos do dia. A hora do banho é menos tumultuada que a da manhã e dura menos, devido ao cansaço. Soleil está sozinho num chuveiro adjacente ao do seu grupo habitual. Ele já notou Rachel durante o treinamento e está com o pensamento fixo em seu corpo, cujas imagens o excitam e o deixam na constrangedora situação de uma semi-ereção. Sob o chuveiro, ele se tapa com ambas as mãos, tentando desesperadamente pensar em algo fúnebre para abater a rigidez insistente do seu membro avantajado. Mas é tarde, ele foi descoberto.
- O Soleil está de pau duro, galera! grita um dos seus amigos.
- Haha! Não vai dar para esconder quando subir tudo, com a trolha que ele tem! zomba o outro.

Os três olham rindo e o pobre Soleil se volta para eles abrindo os braços pendentes com as mãos espalmadas para frente, em sinal de que não pode fazer nada; o monstro subiu e pulsa quase contra a sua barriga esculpida pelos músculos. São cerca de dezenove centímetros de comprimento por quatro e meio de diâmetro, na extremidade dos quais a glande descoberta dança no ar, arroxeada como uma ameixa. Não há como evitar essa visão exuberante e o assunto sob as duchas se torna único. Um burburinho exaltado se forma e todos se perguntam se terão a mesma sorte, comparando-se e comentando o prodígio à sua frente. Alguns mais tímidos ou discretos fingem não prestar atenção; outros visam não o atributo mais chamativo, mas a bunda de Soleil que, molhada e lisa, reflete as luzes do teto, dividida em dois gomos projetados e firmes como se também estivessem eretos; os mais machistas manifestam descontenamento pelo espetáculo, taxando Soleil de exibicionista; e três ou quatro, dentre os quais Philippe e Max, esforçam-se para não revelar por demais entusiasticamente as suas preferências. Max sobretudo, que já está informado em detalhes do episódio ocorrido entre os amigos de Soleil e Philippe, não esconde sua impaciência.
- Ai, Philippe, como é que eu faço para conseguir um passivinho? Será que eu vou sair desse treinamento sem conhecer ninguém?
- Que nada! Já tenho uma superdica para você. Está vendo aquele menino ali? O nome dele é Alain e é exatamente o que você procura. Já dei um toque nele e vocês podem conversar daqui a pouco, na hora do jantar.
- Sério? Você fez isso por mim?
- Fiz, e assim estamos quites. Agora cala a boca e me deixa olhar aquela maravilha! voltando a olhar o exuberante rapaz negro.

Vencido pela ereção incontrolável, Soleil acabara deixando a vergonha de lado e assumindo seu estado. Todos podem vê-lo ensaboar o corpo sem dar mais atenção aos caprichos do seu sexo. Por fim, aplacada a ereção, ele sai caminhando como se nada fosse, ostentando entre as pernas o longo e farto membro pendente que causou uma pequena revolução nesse banho de fim de dia.

São 20h de sábado. Fabiana terminou de jantar e passeia pelas quadras de Roland Garros com alguns colegas. Com exceção da quadra central, a maioria delas lhe parece bem comum, mas a atmosfera do lugar lhe parece excepcional, talvez porque ela esteja ciente da quantidade de grandes campeões que o frequentam há tantos e tantos anos. Ao se afastar um pouco do grupinho que passeia e sentindo-se imersa no silêncio e na sombra, ela chega a sentir um arrepio, mas avança sem medo pelas longas alamedas. A certa altura, ela avista o que lhe parece ser um dos colegas vindo na direção oposta, bem visível em sua bermuda e camiseta brancos. Quando eles se encontram, ele pára. Ela não o reconhece de pronto e ele se antecipa.
- Oi, Fabiana! E aí, está gostando do curso?
- Demais! Estou doida para que o torneio comece.
- Você torce por quem?
- Pelo Andrew Forbes, mas não sei se ele tem chance.
- Ele é o 5o do ranking aos 19 anos; tem chance, sim. Se ele bater o Li, tem tudo para ir até a final. Tomara que te escalem para algum jogo dele!
- Puxa, ia ser demais! Mas qual é teu nome? Você sabe o meu, mas não estou te reconhecendo.
- Mathieu. Você não me vê porque não sou recruta, já venho aqui há alguns campeonatos.
- Ah, entendi. Me disseram que ia ter gente antiga.
- É, a gente não consegue desgrudar disso aqui!

A simpatia toma imediatamente conta de Fabiana. O rapaz de farto cabelo cor de cobre a seduz de estalo. Ele tem corpo atlético, braços fortes e, ao contrário da maioria dos meninos que entraram com ela, pelos nas pernas. Eles passeiam lado a lado. Ele parece conhecer um pouco da história daquelas quadras e conta a ela alguns encontros antológicos, ascensões e quedas de grandes jogadores e episódios saborosos que marcaram o lugar. Fabiana chega a sentir pequenos frissons quando seu braço roça no dele. O ambiente é propicio aos encontros ocasionais sem compromisso. Ela se sente a léguas de Kevin e começa a desejar que seu novo amigo seja sedutor e tome alguma iniciativa bem impetuosa.

A cerca de meio-caminho de uma alameda transversal bem sombria, eles encontram um banco. A noite está convidativa, o céu estrelado, Fabiana acelera o passo e se instala, dando um risinho de satisfação por ter encontrado um lugar para sentar. Ela está usando uma saia tão ou mais curta que a do uniforme que recebeu, suas coxas ficam expostas quase até a calcinha, ela se sente sexy e deliciosamente vulnerável. Mathieu se senta ao lado dela com as pernas esticadas para a frente. Agora é Fabiana que rompe o silêncio.
- Eu gosto dos teus braços, diz ela, acariciando-o com o olhar.
- Obrigado, ele responde com olhos que parecem ter luz própria.

Fabiana espera em vão por uma iniciativa; o rapaz volta a olhar para frente, cruzando os braços e olhando a lua, com voz sorridente.
- Por que é que você se candidatou? Você joga tênis?
- Um pouco...

Fabiana olha para as próprias coxas para ver se há algo de errado com elas, mas só constata que elas estão incrivelmente sexy, assim, tão descobertas e disponíveis. Muito discretamente, ela olha de rabo-de-olho para o lado, na tentativa de perceber alguma pulsação que denuncie no rapaz o efeito de toda essa disponibilidade, mas nada; na bermuda branca, a paz reina, inabalável. Ela elucubra que se Kevin a visse assim, já estaria em ponto de bala, certamente com a mão em sua coxa e a língua em sua boca. Ela decide provocar mais um pouco e se levanta, caminhando lentamente até a cerca da quadra em frente e debruçando-se para dar ao rapaz a oportunidade de descobri-la de costas. Mas – surpresa – quando ela se volta, ele não está mais, evaporou como por encanto.
- Que cara doido! sussurra ela, meneando a cabeça e caminhando de volta apressadamente.

Chegando à área social do complexo, Fabiana vai direto para os dormitórios. São 9h. Ela tem tempo de escovar os dentes, conversar um pouco mais e ir para a cama. Quando ela começa a ler, recostada no travesseiro, Rachel chega, afobada mas elétrica, o cabelo escorrendo de um banho recente.
- Que cara é essa?
- Nem te conto! responde a outra, abrindo a cama ao lado e despindo a roupa já semi-aberta.
- Pode tratar de começar!
- Ainda bem que você já está sentada porque... se prepare!

Fabiana pousa o livro nas pernas e cobra com os olhos o relato da amiga, que vem sentar-se à beira de sua cama enquanto termina de vestir o pijama.
- Vou te contar tudinho, mas você tem que jurar que ninguém vai ficar sabendo, ok?
- Jurado. Agora começa porque daqui a pouco a gente vai ter que parar de falar. Eu também tenho um lance incrível para te contar, mas posso deixar para amanhã.
- Você vai cair para trás.
- Fala!
- Bom, posso te dizer que se eu não estivesse de patch, estaria grávida agora.
- Caramba! O que aconteceu?
- Transei com o Soleil.

Fabiana tapa a boca para não gritar.
- Está brincando! Como? Quando? Onde?
- Tem uns quinze minutos. A gente se separou e eu fui direto para o chuveiro. Você não vai acreditar, mas foi no túnel de entrada de uma quadra; a gente chegou a pular uma cerca!
- Não! E aí? Fala!
- Ele me encostou na parede e foi logo me beijando e passando a mão entre as minhas pernas com força. Assim que a gente começou a se beijar, eu vi que ele ia querer tudo. Ele me empurrou para baixo e quando eu cheguei na altura da cintura dele, o treco já estava lá, todo duro, esperando por mim.
- Coube tudo na boca?
- Está brincando? Consegui botar a cabeça e o comecinho, mais nada.
- Mas ele te forçou?
- Um pouco, com a mão, mas não cabia mesmo, comecei a enjoar e mandei parar. Chupei um pouco até ele me levantar e dizer que queria meter.
- E aí, foi em pé mesmo?
- De saída, foi. Tinha uma rede enrolada e eu fiquei de costas para ele, apoiada nela. Ele só precisou baixar a minha calcinha e levantar a saia. Gelei quando ele encostou o pau duro em mim.
- Imagino! Entrou rasgando tudo?
- Haha! Mais ou menos, mas eu estava com tanto tesão que me encharquei e ele logo começou a mexer. Menina, nunca vi um cara aguentar tanto, sem brincadeira!
- Ficou um tempão metendo, é? Que tesão!
- Sem parar! E ele ainda meteu a mão por dentro da minha blusa e soltou os meus peitos para ficar pegando. Foi a primeira vez que eu gozei tanto.
- Ele falou alguma coisa enquanto te comia?
- Eu é que falei! Não parei de dizer: "Mete, mete, mete!" Eu disse que queria gozar muito... Fiquei até com vergonha depois.
- Besteira, na hora a gente nem pensa no que está dizendo. Eu tmbém falo um monte de coisas com o Kevin. Mas fala mais. Ele ficou um tempão metendo, mas só na mesma posição?
- Não, não, ele me botou sentada na rede e meteu de frente, depois chegou até a me levantar. É uma loucura transar assim; entra tudinho! Mas o cara tem que ser muito forte. Ele me carregou como uma pluma.
- Hum! Nunca fiz assim. Acho que o Kevin não me aguenta não, brinca Fabiana, sonhadora.
- Quando ele me colocou de novo sentada na rede enrolada, o tesão era tanto que tornei a chupar o pau dele e ele gozou uma vez.
- Tudo na tua boca?
- Um pouco, mas tirei e o resto foi no rosto. Mas você pensa que ele parou? Nada! Assim que eu me limpei, ele me botou de novo sentada na rede, abriu bem minhas pernas e recomeçou a meter com a mesma força até gozar de novo, e tudo lá dentro, dessa vez. Ia tão fundo, menina! Chegava a dar uma dorzinha.
- É que bate no útero. Você está mesmo usando o patch, não é, Rachel? Senão...
- Estou sim, não estou nem preocupada com isso. O problema é que quando terminou, ele falou que quer me encontrar de novo. E o que é que eu digo pro Omar?
- Xi, é mesmo, você me falou dele! Ele acha que vai te levar para o Marrocos e casar com você lá onde tem a família, não é isso?
- Pois é, só pensa em ficar noivo, já me levou até para escolher anéis. Eu gosto dele, mas ainda queria aproveitar muito, antes.
- E está certa. Mas acaba de contar. Ele gozou de novo e vocês ficaram lá mais um pouco, de beijinho?
- Que nada, menina, ele me lambeu!
- Ah, não fala isso que você me mata de inveja!
- Gozei que nem doida com ele me lambendo. Ele me botou quase deitada na rede enrolada e apoiou nas minhas coxas, daí começou a lamber forte, começando lá embaixo.
- Lá embaixo...
- Pelo cu, menina!
- Aaaaaaaaaaaaaaah! Sortuda! Adoro quando o cara faz tudo assim, numa boa, em qualquer lugar e a qualquer hora. O Kevin é cheio de onda para usar a língua.
- O Omar também; a gente tem que tomar banho, ficar perfumadinho, coisa e tal. O Soleil, não. O Soleil quer é fazer gozar e está na cara que ele já tem experiência com mulher. Ele me fez subir pelas paredes com aquela língua dele, depois ainda meteu um pouco, diz ele que para me deixar com o gostinho do pau dele e querer mais. E isso sem falar daquele corpão negro todo musculoso em cima de mim! Eu mal estava me aguentando em pé no banho, agora há pouco, de tanto que eu gozei.
- Cara, que história doida! Que tesão! Vocês têm que continuar.
- É, ainda não sei como vou fazer, mas é certo que a gente não vai parar por aqui.
- Meninas, agora silêncio! comanda uma voz feminina vindo da porta, acompanhada de um bater de palmas que ecoa no amplo dormitório. Quero todo mundo dormindo porque o domingo vai ser carregado e na segunda-feira vocês têm que estar prontas para servir os maiores jogadores de tênis do mundo. Vocês vão ser vistas por mais de um bilhão de telespectadores do mundo inteiro, portanto é muito importante que vocês estejam de carinha descansada e muito bem dispostas. Boa noite!
- "De carinha descansada!" Ah, se ela soubesse! cochicha Fabiana na orelha da amiga, dando-lhe um beijo de boa noite.
- Um sonoro e disciplinado "Boa noite, Edith!" ecoa no dormitório feminino.

O treinamento do turno matinal do domingo é intenso para todos os futuros boleiros de Roland Garros. O tempo de banho é encurtado e seguido de um almoço leve, de saladas, rosbife e refrescos rehidratantes. Os menores estão em polvorosa e tagarelam sem parar. Os maiores distribuem seu pensamento entre as novas conquistas amorosas, potenciais ou realizadas, e um certo frio na barriga com a proximidade da abertura do torneio. Mas há dois ausentes no refeitório, e isso parece ter passado despercebido dos supervisores.

Num vestiário masculino de uma quadra próxima do imenso complexo esportivo, o silêncio é rompido por gemidos abafados.
- Calma! sussurra o menino de cabelos longos e voz ligeiramente efeminada, uma face colada na parede e a outra exibindo uma placa vermelha desenhada na pele alva.
- Não consigo, estou com tesão demais! responde o outro.

Graças ao talento diplomático de Philippe, Max e Alain se encontraram no refeitório para almoçar, mas por puro efeito da atração, quase sem palavras, foram procurar um lugar para estarem a sós. Assim que entraram no vestiário às escuras, já aos beijos, a excitação assumiu o comando e, após uma breve felação, encurtada por medo de um orgasmo intempestivo, Max consegue enfim satisfazer seu desejo, movendo-se dentro de Alain, que geme, um tanto aturdido com a intensidade da penetração, mas igualmente excitado.
- Vou... vou gozar, sussurra Max, agitado.
- Está legal.... mas faz forte... mete com força um pouco mais.
- Acho que dá para aguentar, mas só um pouco.
- Ahh... Ahh... As-sim...
- Aaaaaaaaaaah! Não deu para aguentar mais, diz Max masturbando seu amigo sem sair de dentro dele.
- Tudo bem... tudo bem... Ahn! Ahn! Está bom demais... pena que a gente tenha que parar.
- É, alguém já deve ter dado por falta da gente no refeitório.
- É... arriscado...
- Podem eliminar a gente, "só" isso.
- Vou go... Ahhh! Que gostoso, gozar assim, com você dentro...
- Vou dar um jeito de a gente se encontrar com mais tempo, prometo. Agora vamos voltar.


Alain vai até as toilettes livrar-se dos excessos e em seguida, os dois improvisam uma higiene com a água da pia. Quando eles entram no refeitório, percorrem sozinhos a linha de servir e sentam-se para comer diante dos colegas - que já estão na sobremesa - olhares curiosos se voltam para eles. Por sorte não há, na mesa deles, engraçadinhos dispostos a fazer perguntas constrangedoras.

O treinamento da tarde é igualmente intenso e Fabiana, que nada contou de sua estranha aventura, anseia por um novo encontro com o misterioso Mathieu, ao anoitecer. Depois do banho e do jantar, uma solenidade encerra o treinamento, todos os aprovados – quase a totalidade – recebem a medalha de boleiro de Roland Garros e uma palestra encerra o curso, exortando todos a trabalhar com entusiasmo e o espírito de equipe necessário ao bom desempenho dessa atividade essencial ao fluxo dos jogos, neste que é um dos torneios mais importantes do mundo.

Sobra-lhe uma hora para se distrair um pouco antes da última noite que precede os primeiros jogos. Fabiana toma a direção da alameda onde na véspera encontrou Mathieu. Ela está usando um vestido curtíssimo e short, como as tenistas do campeonato. A tensão do short elástico, muito justo, lhe dá a consciência de suas formas íntimas, e como ele termina exatamente sobre as dobrinhas que separam as nádegas das coxas, Fabiana se sente atraente, mas vestida com bom gosto e bem à vontade. Os meninos que a vêem afastar-se sozinha fazem comentários sem tirar os olhos de suas coxas e dos seios que se destacam no tronco fino. Ela passa olhando com desprezo, sentindo-se mulher e pronta para o rapaz das pernas másculas e peludas, recordando a aventura que Rachel lhe contou na véspera.

Ela não o encontra no mesmo lugar, nem tampouco na transversal sombria onde se encontra o banco em que estiveram conversando. Ela continua a se embrenhar pelos caminhos entre as quadras secundárias até que avista, na linha de fundo de uma quadra, alguém que lhe parece ser o seu novo amigo, servindo com muita força e precisão. Mas não há adversário, ele serve e fica parado com a raquete pendente, já olhando em sua direção, como se a esperasse.
- Você gosta de praticar assim, sozinho, à noite? pergunta ela, intrigada, vendo-o caminhar em sua direção quase cintilante em seu uniforme de um branco impecável.
- Mas eu estou jogando, você não viu?
- Vi você, vi o saque, mas sem ninguém do outro lado para devolver, não deve ter muita graça! responde ela, franzindo o cenho.

Mathieu se aproxima da cerca que os opõe. Sua fisionomia é neutra e seus olhos, muito abertos, assustam um pouco Fabiana. Ele para, olhando-a fixamente nos olhos, depois estende-lhe a mão como se fosse ajudá-la a transpor a cerca. Ela estranha – o portãozinho está a três passos deles – mas lhe dá a mão assim mesmo. Assim que ele fecha a mão na sua, ela sente um puxão e, agora sim, vê o adversário do seu amigo, postado na linha de fundo oposta, voltado para eles e igualmente vestido num uniforme branco que parece reluzir por si. Voltando um pouco a si do estranho puxão, ela percebe que transpôs misteriosamente a cerca que a separava deles. E não só isso; chamada à atenção por um burburinho vago mas muito vivo, ela olha em volta e percebe que todas as quadras estão ocupadas com jogos e todas as arquibancadas repletas de uma platéia atenta e entusiasmada. Fabiana começa a apavorar-se, olhando aterrorizada para Mathieu, que lhe sorri todo satisfeito.
- Pronto, agora você pode me ver sempre que quiser!

Ele se afasta, voltando ao jogo. Fabiana olha para trás, procurando pelo seu mundo, mas seu próprio corpo agora emite uma luminosidade tão sobrenatural que ela logo entende que jamais regressará a ele.

---------------

N.B.  Mathieu Montcourt nasceu no dia 4 de março de 1985 e morreu aos 24 anos, vítima de um ataque cardíaco, a 7 de julho de 2009. Foi um tenista francês muito promissor. Uma quadra de Roland Garros tem o seu nome.

2 comentários:

  1. Marc meu caro, mais uma vez surpreendente, um conto sensacional, que claro, pede muito e muito mais...e por falar em muito mais, toda a torcida brasileira está com uma saudade imensa dos personagens dos folhetins...agora, também enamorados por uma boleira luminescente...
    Obrigado mais uma vez !
    Vida iimensa de alegrias e Paz !
    abraço e o melhor da safra...
    mou , : )

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Ah, meu caro Mou, quando comecei a assistir aos jogos, este ano, logo percebi que devia haver toda uma vida paralela em Roland Garros, movida pelos hormônios desse batalhão de boleiros treinados para servir os deuses e deusas desse esporte tão sensual. Obrigado por continuar presente!
      Um grande abraço,
      Marc

      Excluir

Eu gostaria de receber um parecer seu. Obrigado!