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Erotexto é um blogue dedicado ao erotismo que tem por característica uma rica diversidade de estruturas narrativas. Seu objetivo é triplo: entreter, desenvolver o interesse pela escritura e - o principal - motivar a reflexão sobre a libido e a busca do prazer, cujo fundamento biológico acredito ser de caráter essencial e universalmente bissexual.

Erotexto tem formato fixo. A primeira página comporta a última narrativa proposta (não necessariamente a última criação). O material arquivado consiste de contos e relatos classificados por categoria sob a rubrica "EroStock" (coluna à direita), bem como séries, novelas e folhetins. Para conhecer a acepção em que cada estrutura narrativa foi tomada, convido o leitor a clicar em "Pequena Teoria da Narrativa", aqui acima.

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Marc Fauwel

Nas Curvas do Meu Vizinho

Durante muito tempo, morei num condomínio muito grande e repleto de jovens. Era comum alguns vizinhos irem para lá a convite nosso e aproveitar da piscina, brincar e jogar bola. M era um deles, e sua presença atuava perigosamente na minha libido. Louro de traços finos mas lábios espessos, os olhos muito azuis, coxas grossas, bundinha apetitosa e um gestual delicado, ele me atraía do mesmo modo que as meninas, e a tal ponto que eu não conseguia deixar de olhar furtivamente sempre que tinha certeza de não estar sendo visto por ele... ou pelos outros. Mas algumas vezes, talvez por mera coincidência, eu o surpreendia observando-me logo depois que eu havia passado os olhos pelo seu corpo. Quando nos separávamos, eu me perguntava, um tanto incomodado, se ele teria percebido alguma coisa.

Certo dia, M apareceu vestido num short jeans velho, desbotado até o branco e que certamente já não era mais do seu número. Posso garantir que não fui o único a fazer cara de espanto, mas a diferença entre a minha reação e a dos outros é que a minha não foi sarcástica nem zombeteira, e sim carregada de excitação. O tal short era tão curto que deixava expostas as polpas da bunda, e tão apertado que os bolsos se tornavam meramente decorativos porque nem as pontas dos dedos entravam neles. Ele delimitava o pinto e dividia o saco; salientava a bunda e separava-a em duas meias-luas; e apertava o alto das coxas tornando-as mais impressionantes que as de muita menina mais velha daquele condomínio. Ver M vestido daquele jeito foi como estar ao lado de uma bomba sexual pronta a explodir com qualquer um de nós. Eu queria que ele não se sentasse mais, que ficasse ali, se mexendo na minha frente, deixando-me completar com a imaginação o pouco que faltava para vê-lo nu. Eu não conseguia parar de olhar. Mas aparentemente, M tinha ido jogar, nada mais, e foi o que fizemos.

No meu prédio, brincava-se muito de esconde-esconde porque o lugar era perfeito para isso; mil corredores, subsolos, lixeiras, escadas, jardins, garagens, garantiam boas três horas de jogo divertido e emocionante. Depois de ter sido despertado por ele, eu ia esconder-me junto com o M sempre que possível, e quando já estávamos bem acostumados com a presença um do outro, não nos importávamos em ficar em silêncio em alguma espaço exíguo que nos obrigasse a ficar colados, algumas vezes um por trás do outro. Quando era ele por trás, eu não sentia a menor intenção de contato, mas quando era eu, ele não conseguia esconder a satisfação que aos poucos foi-se tornando no mais explícito desejo, a tal ponto que ele queria ficar na frente e empinava-se todo para sentir minha ereção contra a sua bunda. Com o passar do tempo, quando o jogo acabava, ele ia para casa se despedindo de todos, mas me deixando com um aceno dado com a mão baixa e um olhar de canto de olho que me pareciam cheios de sentido.

Aos poucos, M foi começando a ir de propósito ao meu condomínio com aquele short impossível, e passamos a brincar com o objetivo primeiro de nos escondermos juntos. Assim que chegávamos em nosso esconderijo preferido, na grama, por trás de um murinho do jardim de onde podíamos ver o pátio quase no nível do chão e assim vigiar sem ser vistos aquele que estivesse procurando, ele ficava de joelhos com as mãos apoiadas na beira do murinho e se oferecia. Eu o agarrava pela cintura, puxando-o para mim e deleitando-me ao contato do shortinho apertado. M entregava-se, deixava-se tocar, puxar, agarrar. Certa vez, ele sussurrou um "Se quiser, pode passar a mão.", o que eu fazia procurando percorrer com os dedos o rego cavado pelo short. A cada encontro, eu ia sentindo que era menos suportável ficar só naquilo, mas não tinha coragem de verbalizar meus desejos. O jogo terminava invariavelmente numa despedida lacônica mas cheia de significado.

M não ia ao prédio há algum tempo, mas os afazeres do cotidiano na vida do estudante que eu era não me permitiam ser obsessivo a seu respeito. Um belo dia, recebi um telefonema dele, dizendo que não podia mais ir ao prédio por causa dos estudos, que não iam muito bem, mas que eu podia ir à casa dele se quisesse. Me animei todo e prometi ir no mesmo instante, se fosse possível. Era. Desembestei escadaria abaixo, atravessei o pátio, saí pelo portão de cima, toquei a campainha na casa dele, o portão abriu automaticamente, trotei escada abaixo e cheguei ao pequeno pátio úmido e sombrio dos fundos da casa. M veio atender. Ele estava usando apenas a calça frouxa de um velho pijama de flanela, o que o deixava nu da virilha para cima. Fingi naturalidade e passei por ele para entrar, retribuindo seu olhar sereno apenas com um sorriso que não revelava um décimo da minha alegria. Ele me disse para ir direto até o quarto, entrou  atrás de mim e fechou a porta. Fiquei de pé por um momento, vendo as coisas dele. Embora já desconfiasse que o M fosse "delicado", não pude esconder meu espanto por ver potes de violetas num quarto de menino. Ele explicou que adorava flores e que era ele que cuidava do jardim. Mesmo achando incomum, coloquei tudo no cômputo da sensibilidade do meu amigo, que até admirei um pouco mais por causa disso.

Mas o motorzinho em minha mente se reativara e comecei a encontrar mil artifícios para olhar para o corpo do M sem ser visto. Se ele virava as costas, eu olhava de rabo-de-olho para o início do rego da bundinha visivelmente nua dentro do pijama fino. Se, quando de frente, ele olhava para fora ou para outra coisa que não eu, meu olhar se dirigia sorrateiramente para o início do "V" da virilha, calculando que a calça só não descia pelas pernas porque o pinto não deixava. A idéia fixa foi-se cristalizando e deixando-me completamente concentrado na busca de um momento propício. Falamos de algumas coisas, na forma fragmentada habitual das nossas conversas. Acabei me sentando na cama enquanto M colocava suas músicas preferidas. Depois ele veio sentar-se ao meu lado para mostrar seus novos CDs. Olhei um por um e quando me levantei para colocar uma música, ouvi um suspiro sonolento e dengoso. Ao virar-me para voltar à cama, M estava deitado de bruços olhando-me e sorrindo, os polegares enfiados no elástico da calça do pijama, que ele tinha descido até o final da bunda alta e branca.

Depois que me esfreguei nele até o orgasmo, M foi até a porta, olhou para ver se ninguém havia chegado e disparou pelado para a cozinha, voltando com toalhas de papel numa mão e duas latinhas de Coca na outra. Limpei as costas dele, limpei-me e tomamos os refrigerantes conversando sobre como nos sentíamos fazendo aquilo e como tudo começou. Confessei o impacto que fora para mim quando o vi pela primeira vez com o famoso short desbotado. M admitiu que quando o vestiu percebeu que ia provocar reações, chegando a sentir-se encabulado. Não resisti e pedi a ele para ver de perto essa tão poderosa peça de roupa. Ele foi até o armário, pegou o short e o atirou na minha direção. Só de olhar percebi o quanto estava curto para ele. Pedi que ele o vestisse e o vi puxá-lo coxas acima e rebolar para que entrasse. Quando chegou no lugar, a separação entre as bordas do zíper era tão grande que precisei ajudá-lo a fechar. M precisou por o pinto na vertical, mas o saco ficava sulcado, dividido em dois. Uma vez vestido, as costuras pareciam prontas a estourar. Afastei-me para contemplar e comentei que devia ser preciso muita coragem da parte dele para sair com aquilo. Ele confirmou e rimos a valer.

M parecia estar em seu elemento e mostrava-se para mim sem a menor inibição. O lhando-me diretamente nos olhos, ele aproximou-se e, contrariando minhas previsões mais ousadas, sapecou-me um beijo na boca, seco e ruidoso. Eu estava tão excitado que nem me passou pela cabeça recusar. Levando a mão diretamente à bunda que me alucinava, encorajei-o a prosseguir e nos beijamos sentindo nossos pênis endurecerem um contra o outro. Depois, M virou-se de costas e não precisou pedir que eu me esfregasse nele. Eu estava disposto a gozar pela segunda vez apenas pelo contato, mas a certa altura, ele abriu o short e o baixou um pouco. Não consigo exprimir com palavras o que senti ao crer que ele estava deixando-me ir até o fim, mas a emoção foi intensa a ponto de fazer-me sentir meus batimentos cardíacos. Educadamente, M pediu licença e saiu novamente do quarto, voltando instantes depois com um frasco de creme hidratante na mão. Ocorreu-me perguntar se ele "já tinha feito". Ele sorriu maliciosamente e fez que sim com a cabeça, livrando-se do short. Completamente nu, ele separou as nádegas com as mãos, expondo um cu que pareceu-me em tudo igual ao meu. Ele pediu-me para untá-lo com creme e enfiar o dedo algumas vezes, o que fiz mal cabendo em mim de ansiedade. Por fim, ele foi debruçar-se na mesa de estudo empinando o traseiro e afastando as pernas.

Pode parecer cruel, mas vou saltar os detalhes técnicos da penetração, coisa tantas vezes descrita e com tanto requinte. O que merece ser dito é que comer M tornou-me seu homem e que ele passou a comportar-se comigo como uma namorada atenciosa, atendendo aos meus menores caprichos. Passou a ser comum interrompermos alguma atividade no meu condomínio para ter "momentos íntimos" na garagem de algum dos prédios, fosse para que eu me esfregasse nele enquanto ele se rebolava na protuberância do meu sexo insaciável, para que ele me chupasse ou, algumas vezes, para uma masturbação mútua. Depois de gozar voltavamos a ficar com os outros sem que ninguém suspeitasse de nada. Isso durou por cerca de dois anos, até que um dia, o telefone tocou e era M pedindo-me que descesse até o pátio. Ao chegar ao portão do condomínio, vi de longe o enorme caminhão de mudanças parado em frente à sua casa. Nos falamos rapidamente porque a família já estava no carro preparando-se para viajar de volta a Brasília, os menores ajoelhados no banco traseiro e observando-nos impacientes. Este foi o brusco fim de um dos períodos mais felizes da minha adolescência.

M e eu trocamos três cartas, mas a quarta não veio. Concluí que a nova vida já o tragara e que muito provavelmente outro como eu sucumbira aos seus encantos. Mas a adolescência leviana e fugaz logo arrastou-me no turbilhão dos estudos, dos esportes e das novas conquistas.




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