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Erotexto é um blogue dedicado ao erotismo que tem por característica uma rica diversidade de estruturas narrativas. Seu objetivo é triplo: entreter, desenvolver o interesse pela escritura e - o principal - motivar a reflexão sobre a libido e a busca do prazer, cujo fundamento biológico acredito ser de caráter essencial e universalmente bissexual.

Erotexto tem formato fixo. A primeira página comporta a última narrativa proposta (não necessariamente a última criação). O material arquivado consiste de contos e relatos classificados por categoria sob a rubrica "EroStock" (coluna à direita), bem como séries, novelas e folhetins. Para conhecer a acepção em que cada estrutura narrativa foi tomada, convido o leitor a clicar em "Pequena Teoria da Narrativa", aqui acima.

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Marc Fauwel

Breninho

Toda vez que Breninho fica nu diante do espelho do quarto e redescobre o seu corpo liso e feminino, percorrendo-o a partir da nuca até chegar às duas covinhas sensuais que apresentam com tanto charme as curtas nádegas salientes e voluptuosas seguidas de um par de coxas inegavelmente bem torneadas, ele se certifica de que é isso, e não seus belos olhos azuis de menino louro, ou sua simpatia, ou sua gentileza, o que atrai tanto os seus congêneres. Sejam os rapazes da vizinhança, os colegas de escola ou da natação, e até desconhecidos e mais velhos, há anos ele vive o assédio diário dos que lhe assoviam maliciosamente, passam-lhe a mão, esfregam-se nele no ônibus e metrô... Quando não lhe fazem propostas explícitas! Eles devem ter mil fantasias! conjetura o menino, embevecido como um Narciso com seu reflexo. E o espelho do quarto começa a convencê-lo de que, às vésperas do seu décimo oitavo aniversário, ele deveria amadurecer e parar de oferecer resistência a tudo e a todos, como tem feito sistematicamente. Breninho sente que é hora de assumir de uma vez por todas que o desejo deles é, muitas vezes, perfeitamente correspondido.

Mas como liberar seu corpo sem virar o "viadinho de plantão" nos meios que ele frequenta? Tal é o maior fator de angústia desse jovem sensível que começa a ver com clareza a necessidade de obedecer a um imperativo físico que vem impondo-se com intensidade crescente. Como não há em jogo qualquer sentimento - nem sequer amizade -, raciocina ele, algum engraçadinho poderia difamá-lo logo após satisfazer-se, o que seria catastrófico. Ele precisa pensar numa estratégia segura.

Enquanto Breno não chega a uma solução, os dias de aula se sucedem e os encontros com os meninos que o assediam, por mais breves que sejam, vão tornando-se um verdadeiro suplício. Eles dão um jeito de tocá-lo, fazem gestos obscenos de convite ao sexo, esfregam-se nele propositadamente... Um deles chegou até a puxar a sua cueca até o meio das costas! Ao senti-la aprofundar-se entre as nádegas, repuxando seu sexo e chegando tão fundo no sulco que roçou-lhe o ânus, Breninho não pôde evitar um "Aiê! Pára, garoto!" que ele mesmo reconheceu ter soado um tanto fanho e de modo claramente suspeito. Por sorte, só havia meninas em volta, senão seus dias estariam contados! As meninas são suas cúmplices; gostam dele pela doçura, pela voz melodiosa, pela fineza dos seus traços, pelo brilho dourado do cabelo fino e sedoso, pelos olhos azuis, pelos lábios em flor e, claro, pela afinidade quanto ao principal assunto: os meninos. Como Breninho está mais perto deles, é um precioso agente infiltrado sem o qual elas jamais conseguiriam obter certas informações sobre o que dizem e fazem os colegas do sexo oposto, seu objeto de desejo. Breninho se desencumbe generosamente dessa tarefa essencial, trazendo-lhes notícias vitais como, por exemplo, quem está namorando e quem está disponível; quem está interessado em quem; quem já foi para a cama com alguma menina ou, pelo menos, já recebeu uma felação; quem tem as dimensões maiores; e assim por diante.

Em plena aula de ginástica no pátio da escola, Sanson, um colega de último ano do secundário, de rosto vincado e mãos de campônio, notório pela selvageria e falta de educação, está sentado no chão, a alguns metros de Breninho, exibindo propositalmente o sexo, que ele deixou escapar da cueca e que se insinua pela boca escancarada do short azul. É um corpo escuro e longo; deve ter um palmo, avalia Breno. E grosso, de cabeça arroxeada e - ao contrário da maioria daqueles que ele já viu, inclusive o seu próprio - totalmente descoberta, o que lhe permite vê-la inteira, inchada, com sua espessa borda arredondada ultrapassando o diâmetro do tronco. Sanson olha alternadamente para Breninho e para o ele, em seguida sopesa-o na mão para enfatizar sua importância. Seu olhar é de convite, sua boca entreaberta forma um sorriso impregnado de malícia vulgar. Breninho, constrangido, porém incapaz de disfarçar o interesse, retribui ao escárnio com um sorriso inocente e encabulado ao marmanjão insolente que, entendendo a mensagem, convida-o para a hora da saída, rolando os dedos indicadores para a frente e apontando com o nariz para o local do encontro. Breninho não dá resposta, mas já tem certeza de que não faltará ao compromisso. Sua concentração à aula de ginástica vai por água abaixo e a expectativa o deixa tão tenso que ele pede ao para ir ao banheiro a fim de se acalmar. Ao voltar, falta tão pouco para o término da aula que o instrutor o deixa de fora, reprimendando-o. Já em classe, as explicações dos professores entram por um ouvido e saem pelo outro. Breninho conta os segundos para o seu primeiro encontro. Seus ouvidos zumbem e sua boca está seca. Quando por fim o sinal toca, ele se precipita até o local marcado, no pátio, e vai esperar impaciente pela primeira proposta concreta à qual ele está decidido a assentir.

Minutos depois, Sanson chega ao ponto de encontro, com seu ar insolente e um sorriso de escárnio na boca, dirigindo-se a Breninho sem encará-lo.
- E aí, cara, gostou? Vai querer ver de perto?
- Sei lá, responde Breno, evasivo, tentando disfarçar seu incontrolável interesse que transparece sob o mal estar evidente.
- Sei lá não é resposta, pô! Vai querer ou não?
- Vou, cara! Mas onde?
- Eu sei de um lugar onde dá para ficar numa boa, mas não pode ser agora.
- Fala aonde, pede ele, ansioso.
- No ferro-velho do meu tio. Mas só fecha às seis; a gente tem que enrolar uma hora.
- Eu posso chegar mais tarde em casa. É só eu avisar, responde Breninho já pegando o telefone.
- Então liga logo, pô!

Dado o telefonema e autorizado o pedido, Breninho segue Sanson até a praça central da cidade, mantendo-se alguns passos atrás, sentindo que sua presença incomoda o colega e entendendo lucidamente que aquela relação não foi motivada pela amizade e jamais resultará em amizade. Sanson senta-se a cavalo no meio de um banco de cimento e ele fica de pé, inibido, remoendo areia com a ponta do pé. Não há nada a dizer, a natureza já deu o seu comando e só não segue o seu curso porque precisa esperar que um ferro-velho feche as portas. Sanson se apóia no banco com as mãos para trás e Breninho observa de rabo-de-olho o colo que oculta o objeto de sua curiosidade. Será que fica sempre duro e grande como na aula de ginástica? Será que nunca amolece? indaga ele, sentindo um leve arrepio partir da nuca, esfriar-lhe a espinha e diluir-se no final das costas, levando-o a sentir o roçar da roupa com essa parte do corpo que ele está para desvelar ao colega à sua frente. Toda vez que Sanson faz menção de virar a cabeça em sua direção, ele desvia o olhar e finge estar entretido com as marcas que o seu pé fez na areia.

Finalmente, o sino da igreja toca uma, duas... seis vezes e os dois podem encaminhar-se para o ferro-velho. Quando o Tião, um empregado do tio de Sanson, negro como piche, termina de fechar o imenso portão deslizante e atravessa a rua, eles disparam em direção à rua lateral e pulam a grade. Ninguém os vê. Sanson na frente, Breninho atrás, os dois caminham entre os montes de ferro-velho triado, garrafas, peças enferrujadas, até um local onde se vêem enormes cubos de papel para reciclagem, amarrados com cintas de ferro e empilhados dois a dois, formando um espaço central de paredes altas e completamente inacessível. Ao cair da noite, iluminado apenas pela tênue luz de uma lâmpada de abajur metálico que balança acima deles, Breninho mal consegue ocultar a sua apreensão quando, por fim, Sanson rompe o silêncio.
- Quer ver de novo? pergunta ele, já com a mão na calça, encarando-o com desprezo.
- Mostra, ué! responde Breninho, sentindo-se intimidado e ainda apreensivo com o lugar.

Com o mesmo sorriso maldoso nos lábios, Sanson abre o botão da calça e, olhando diretamente nos olhos de Breninho, vai descendo lentamente o zíper, expondo a cueca de nylon barata esticada pelo membro teso, rebatido sobre o lado. O espetáculo devolve instantaneamente a curiosidade e o desejo a Breninho, que não esconde a impaciência de ver bem de perto a virilidade do seu colega.
- Anda, mostra logo!
- Quer ver mesmo? brinca o outro, fazendo que vai fechar a calça. Então pede "por favor".
- Tá legal... Por favor.

Quando o elástico da cueca desce e o membro salta para frente, já armado e na plenitude da ereção, Breninho sente sua boca invadida por uma descarga de saliva. Ele engole bruscamente e se prepara para um acesso de riso nervoso, mas, como por encanto, um relaxamento absoluto toma conta do seu corpo e mente, como se aquela fosse para ele a situação mais familiar do mundo. Ato contínuo, sentindo-se calmo e sereno, ele leva a mão à frente e empunha o membro do colega como se lhe desse um aperto de mão, experimentando pela primeira vez o relevo, o calor, a textura, a rigidez e a umidade de outro sexo que não o seu. Sanson abre-se num sorriso de vitoriosa satisfação e, aproximando-se, deixa sua calça cair até os pés.
- Chupa, ordena ele, pondo as mãos na cintura e contemplando as violentas contrações do seu sexo quase colado à barriga.

Breninho obedece em silêncio, agachando-se sem largar o tronco maciço que lhe preenche a mão. Ele nunca fez uma felação na vida, mas a forma da glande lhe parece tão adaptada à boca, que ele a coloca sobre a língua, fecha os lábios e instintivamente a encaixa no céu da boca, pondo-se a esfregá-la levemente por baixo, proporcionando a Sanson uma sensação que ele imediatamente reconhece e aprecia. Vendo seu membro brotar dos lábios projetados do colega, ele põe-se a grunhir, dizendo coisas obscenas admissíveis unicamente nesses momentos.
- Chupa, vai... Chupa gostoso... Assim... Chupa, viadinho...
- ...

Sem reagir às palavras que ali, ditas só a ele, não lhe soam como insultos mas não deixam de incomodá-lo um pouco, Breninho prossegue, auferindo secretamente um enorme prazer da sensação de ter a boca preenchida pelo sexo daquele menino-homem que o seduziu e o chamou ali para fazer coisas cujo alcance ele ainda ignora.
- Você vai chupar meu pau sempre que eu quiser, não vai?
- ...
- Vai ser a minha putinha particular, não vai?
- ...
- Vai me deixar meter na tua bundinha?
- Ai, não sei! responde Breninho, afastando-se para responder e descuidando momentaneamente da entonação, que soa mais que efeminada.
- Vai sim, sua bichinha! Vai me dar o cuzinho, e vai ser hoje.
- ...
- Não vai não? faz ele, segurando Breninho pelo cabelo e afastando-o.
- Ai... faz Breno, desorientado.
- Fala! ordena ele, zombeteiro mas incisivo, puxando-o de volta para enterrar profundamente o membro em sua boca.

Sentindo-se engasgar, Breninho tenta resistir empurrando as coxas do outro, que não pára de puxá-lo. Ele é obrigado a controlar-se e permitir que a glande avance. Ela chega a roçar-lhe a campainha. A primeira vez é quase insuportável, mas à medida que o membro vai entrando e saíndo, sua boca se acomoda, tornando-se um verdadeiro órgão sexual. Um ritmo se estabelece e Breninho descobre que consegue acolher o membro de Sanson praticamente até a base, sentindo o odor forte dos pelos que roçam-lhe o buço e a pele fria do saco tocar-lhe o lábio inferior. Ele não tarda a desejar essa penetração profunda, que lhe parece ser a forma plena da felação, e entrega-se de corpo e alma a esse primeiro exercício.


Subitamente, Sanson o agarra com toda a força pela cabeça e intensifica seus movimentos num vaivém quase frenético. Seu sexo agora pulsa na boca de Breninho, que se agarra às suas coxas, imaginando o que está por vir. E de fato, os espasmos se iniciam e com eles os jatos que vão colidir no fundo da garganta, privando Breno da opção de não engolir. Sua boca logo se enche de esperma quente e viscoso, que ele sente escapar pelos cantos da boca e escorrer pelo queixo. Por fim, Sanson solta a sua cabeça e o deixa ajoelhado no chão, cuspindo e ofegante, fitando-o seriamente enquanto puxa a calça com a cueca para tornar a vestir-se.
- Se não quiser me dar agora, saio fora e acabou, mano. É pegar ou laragar.
- Está legal, eu dou, mas, e se chegar alguém? pergunta Breninho, sinceramente aflito.
- Quem vai vir aqui de noite? Ferro-velho só funciona de dia, né otário!
- Mas aqui, em pé?
- Que é que tem? Vai dizer que nunca deu assim!
- Eu não! Nunca dei pra ninguém, não.
- Ah, é cabacinho, é? Agora é que eu vou querer mesmo! exclama o outro, agarrando a cueca pela calça ainda aberta para sacudir seu volume.
- Mas como é que a gente vai fazer? pergunta Breninho, olhando em volta.
- Eu ja fiz um monte de vezes aqui. É só você virar e baixar a calça.

Como numa alucinação, a mente de Breninho é momentaneamente preenchida pela imagem do seu corpo refletido no espelho do quarto. Ele o acha sedutor, mas nunca o mostrou a ninguém. Pelo fato de ter uma irmã, não se habituou a tirar a roupa na frente dos outros. Ele não previu essa situação quando decidiu ceder aos assédios dos meninos, e está com vergonha.
- Não vai tirar não? impacienta-se o outro.
- Calma! responde ele, remanchando para abrir o cinto.

Vendo que Breninho precisa de estímulo, Sanson aproxima-se e o agarra por trás, esfregando-se nele. Breninho dá um riso forçado e entrega-se ao prazer de ser sarrado pelo colega tão grosseiro, que começa a boliná-lo voluptuosamente, puxando-o para si com força enquanto cochicha-lhe ao pé do ouvido.
- Vai me dar sim, seu viadinho! Vai me dar essa bundinha, e vai dar agora!
- ...

Breninho limita-se a continuar sorrindo, desejando que o outro tome todas as iniciativas, o que não tarda a acontecer. Ele logo sente as duas mãos de Sanson desabotoando sua calça, baixando-a até o meio das coxas e colando o corpo quente ao seu. A sensação causada pelo membro duro é tão excitante que ele decide não recusar mais nada. Contudo, resquícios de um desejo ingênuo de reciprocidade o fazem procurar a mão de Sanson e trazê-la para o seu próprio sexo, também bastante duro, mas não completamente. Ao perceber o intento, Sanson faz que não, resiste uma, duas vezes, mas acaba admitindo que o gesto não é desprovido de sentido. Ele está consciente de que já entrou em jogos eróticos bem mais ousados com outros meninos, embora não pretenda revelar isso à sua nova conquista. Ele concede, portanto, em deixar uma mão levemente pousada sobre a cueca de Breninho enquanto se esfrega lascivamente em suas costas, mal se contendo de excitação. Satisfeito, Breno entrega-se, empinando-se todo em franca retribuição.

A tensão sexual não tarda a atingir um nível que torna inevitável a etapa seguinte. É o próprio Breno que, baixando a cueca, convida Sanson a grudar-se nele sem anteparos, sentindo pela primeira vez entre as nádegas nuas um membro duro e fremente.
- Morde... pede ele, baixinho, com receio.
- Hã? Fala mais alto, pô! ordena o outro.
- Morde... o meu pescoço. Por favor, vai!

Sanson está tão embriagado de prazer que hesita até processar o pedido, mas consente uma vez mais, colando seus lábios entreabertos na nuca de Breninho, que retribui empinando-se. Sua glande desliza encharcada, roçando os dois gomos firmes, entumescida ao ponto de parecer explodir. É o sinal para Sanson. Empunhando com força o membro pronto, ele o aponta para o interior do sulco e o encosta na entrada. Breninho sente um choque.
- Agora relaxa bem o cuzinho que eu vou meter, cochicha-lhe Sanson.
- Tá, ele responde, quase desmilinguindo-se de apreensão, apoiando-se nas caixas à sua frente.

Empunhando o membro pela base, o experiente Sanson joga com o peso do corpo, pressionando a glande contra o orifício para fazê-lo ceder um pouco. Breninho dá um gemido baixo, sussurrado, feminino, enrijecendo os braços contra seu apoio e oferecendo-se o mais que pode. Enquanto Sanson volta à carga repetidamente, Breninho, sonhador, tenta amenizar o desconforto imaginando seu ânus como uma flor que deve desabrochar para acolher um zangão ávido de pólen. Isso lhe traz uma intuição. Apoiando-se com o peito e o rosto na parede à sua frente, ele libera as mãos e usa-as para separar as nádegas. Isso permite que a glande entre um pouco, expandindo a entrada e encorajando Sanson a prosseguir. Ele empurra mais um pouco e, quando se sente encaixado, volta a segurar Breno pela cintura, puxando-o firmemente, enterrando-se nele e iniciando-o num prazer que só pode ser descrito por quem o experimenta. Breninho sente o membro alargá-lo e penetrá-lo, deslizando ainda com dificuldade para dentro do seu corpo cheio de desejo. Ele quer sentir nas entranhas o grosso membro roliço e duro que ele teve na boca momentos antes, por isso relaxa-se ao máximo e o deixa lentamente avançar, quase desmoronando quando a glande termina de atravessar os esfíncteres para expandir-se em suas entranhas.
- Tá tudo bem, cara? pergunta o outro, sempre rude.
- Tá s-sim. Não pára, diz ele, controlando-se para não chorar, mas já sentindo uma lágrima escapar-lhe do olho.

Num último esforço, Sanson puxa Breninho e cola-se completamente a ele, vendo seu sexo desaparecer por entre os dois gomos brancos que o acolhem. "Mais um cabacinho para a coleção!" solta ele, maldosamente. Breninho deve ser o quinto ou o sexto, ele não se lembra ao certo. E ele inicia o vaivém, arrancando grunhidos de Breno, mistura de dor e um pouco de desconforto, mas um inegável prazer. Seu sexo liberou e continua liberando tanto líquido que seus movimentos logo se soltam e ele pode intensificá-los, permitindo que Breno fique quase de pé, oscilando no sentido inverso ao seu. Aos poucos, o desconforto vai cedendo e tornando-se prazer.

- Ai... Não pára... por favor... geme ele, apertando os olhos, de rosto colado na parede de papelão.
- Está gostando de dar essa bunda pra mim, né, viadinho? diz o outro, agarrando-o pela cintura para melhor aplicar-lhe golpes intensos e profundos.

Em busca de compartilhamento, Breninho puxa uma vez mais a mão de Sanson e, desta vez, o colega o surpreende, não só aceitando, mas pondo-se a masturbá-lo devagar. Ainda que intimamente, Sanson sabe que a sensação de empunhar o membro de quem ele penetra também o excita, mas sua atitude de macho dominante sempre o impediu de assumir isso de pronto. Foi preciso que o contexto tornasse o gesto mais natural. Finalmente embalado num vaivém ritmado e confortável, Breninho se derrete, gemendo baixinho, contorcendo-se e acariciando as coxas másculas do seu iniciador, tentando em vão obter dele um gesto de afeto. Ele se sente vulnerável, e o fato de estar sendo masturbado em nada implica que ele deseje impor-se a este que o penetra com tanto ardor.

Em poucos minutos, Breninho é levado a um orgasmo intensíssimo e ejacula em vários jatos fartos, alguns dos quais molham a mão do colega e outros colidem contra a parede de papelão à frente. Isso excita tanto o outro que seu próprio orgasmo - o segundo em menos de quinze minutos - se segue, ainda mais intenso. Sanson enche-lhe as entranhas de esperma e penetra-o tão profundamente que Breninho sente a ampliação das expansões anais ao ritmo das pulsações intensas do membro desatinado. Ele ingressa num estado de êxtase que o deixa completamente à mercê de Sanson.
- Ahn... Está gostoso... geme ele, lânguido.

A ereção de Sanson ainda é tão consistente que não se desfaz e, mesmo após o orgasmo, a excitação de Breninho ainda tão intensa que a permanência do membro do colega dentro dele continua proporcionando-lhe prazer. Ele agora o tranca dentro de si, num carinho que Sanson parece dar mostras de saber enfim reconhecer, acariciando-lhe o sexo ainda inchado e pulsante. Nesse momento, Breninho aquire a certeza de que pode virar-se para encontrar o diamante excepcional em meio à ganga bruta resultante dessa primeira aventura. E de fato, os lábios dos dois juntam-se, num encontro de puro ímpeto erótico que une as línguas, mistura os hálitos e funde as salivas. Eles permanecem assim durante alguns instantes, até que o sexo de Sanson desliza amolecido para fora do corpo de Breninho, fazendo-o experimentar pela primeira vez esse vazio tão característico ao qual todo efebo que concede os seus favores acaba um dia ou outro confrontado.

Enquanto Breninho devaneia sob o efeito do prazer tão recente, Sanson puxa agilmente a calça com a cueca, vestindo-se num inistante e já dirigindo-se para a grade do ferro-velho a fim de saltá-la para ir embora.
- Calma aí, cara! sussurra Breno, amedrontado.
- Vai dizer que não sabe pular uma grade, viadinho! diz o outro, no tom de voz habitual e sem sequer olhar para trás.
- Não é medo, pô! Mas...

As palavras de Breno se perdem, absorvidas pelos imensos cubos de papelão. Decidido a recusar a desilusão, ele bane o medo de ficafr sozinho e se veste devagar, tentando colocar algum lirismo nessa sua primeira e tão protelada experiência.


2 comentários:

  1. Gostei do teu "Breninho", meu caro. Você conseguiu evitar o tom grosseiro que outros teriam explorado por causa do Sanson. É como você disse lá em cima: conto erótico não precisa ser vulgar. Continue nessa linha!
    Abraços do seu leitor
    Oswaldo

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  2. Considero esse relato uma pérola. Exceto talvez pelo final romântico, é exatamente assim que muitas iniciações acontecem. Sendo homossexual, eu me lembro de montes de histórias parecidas contadas por amigos e a sua foi contada com respeito e humanidade. Muito bem, Marc Fauwel.
    Leitor anônimo

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Eu gostaria de receber um parecer seu. Obrigado!