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Erotexto é um blogue dedicado ao erotismo que tem por característica uma rica diversidade de estruturas narrativas. Seu objetivo é triplo: entreter, desenvolver o interesse pela escritura e - o principal - motivar a reflexão sobre a libido e a busca do prazer, cujo fundamento biológico acredito ser de caráter essencial e universalmente bissexual.

Erotexto tem formato fixo. A primeira página comporta a última narrativa proposta (não necessariamente a última criação). O material arquivado consiste de contos e relatos classificados por categoria sob a rubrica "EroStock" (coluna à direita), bem como séries, novelas e folhetins. Para conhecer a acepção em que cada estrutura narrativa foi tomada, convido o leitor a clicar em "Pequena Teoria da Narrativa", aqui acima.

Uma comunicação contínua com o leitor faz-se através da rubrica "EroNovas", a primeira da coluna à direita. Meu e-mail está à sua disposição. Para reagir a uma publicação, clique na palavra "comentário", abaixo de cada texto.

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Que Erotexto possa excitar de modo agradável, são e prazeroso, inspirar o leitor a escrever suas próprias histórias e principalmente, motivar a reflexão.

Marc Fauwel

A Odisséia de Aninha (folhetim, parte XX)

20. Desembaraçando

- Não acredito!

Parado a um passo da porta, o homem radiante a encara com a fisionomia mais surpresa do mundo, depois a percorre de cima abaixo admirando o seu lindo corpo no biquíni em tons cítricos. Aninha se sente invadida por um calor intenso e enrubesce imediatamente, já precipitando-se até ele.
- Pelo amor de Deus, Kleber, finge que não me conhece, sussurra ela, tresloucada.
- Mas por quê? Não vejo moti...
- Kleber! exclama a francesa carregando na última sílaba, fechando a porta do banheiro. E então, gostou da butique?
- Ficou maravilhosa, Steph! responde ele, entrando na loja. Eu sabia que você só poderia fazer uma coisa de muito bom gosto.
- Quero te apresentar a equipe. Essa é a Aninha...
- Oi, Aninha, faz ele, olhando-a expressivamente e evitando a fórmula "prazer".
- Oi... responde ela, reticente, mas como se não o conhecesse.
- ...e este é o Rômulo.
- Muito prazer, Rômulo! Kleber.
- Prazer, Kleber.
- Não foi difícil montar a equipe. Quando bati os olhos nesses dois, eu sabia que seriam eles, e foram praticamente os primeiros da lista. Arranquei a Aninha de uma loja de materiais de construção, não foi Aninha? conta a francesa, rindo.
- Ah é? Como foi isso, Aninha? pergunta Kleber, olhando-a provocativamente nos olhos.
- É. Ela foi comprar material para a butique e perguntou se eu não queria fazer uma entrevista.
- E depois dela, eu não quis mais entrevistar ninguém, Kleber. Aninha é perfeita; tem muita prática em atendimento ao público, é super profissional e a clientela masculina fica doida por ela.
- Pudera! exclama Kleber, piscando para Aninha e aproveitando para olhá-la mais uma vez, agora com ar sarcástico.
- E com o Rômulo, foi amor à primeira vista, continua Stéphanie. Ele veio com dois amigos, mas não tive dúvida de que seria ele o escolhido. Ele estuda oceanografia, trabalhou numa loja de surf em Ipanema, tem um atendimento impecável e as mulheres – e não só elas! – babam por ele. Chegam a ligar para cá perguntando se ele está trabalhando porque só querem comprar se for com ele.

Kleber não se priva de balançar afirmativamente a cabeça enquanto olha admirado para o corpo esguio de Rômulo, diante dele e vestido numa sunga branca estampada de caracteres japoneses que lhe parece excessivamente estreita.
- Gente bonita, Steph! Você escolheu muito bem.
- Obrigada! E graças a eles, a inauguração foi um sucesso! diz ela, toda satisfeita, dobrando camisetas havaianas num balcão.
- Aninha, quero falar com v... Kleber começa, sussurrando.
- E o Gabriel, Aninha? Ele vai poder vir? pergunta a francesa.
- Euh... ainda não falei com ele.
- Então ligue agora, Ana. Ele tem celular? Preciso dele para hoje, senão o Kleber não vai poder guardar o carro, com todas aquelas caixas na garagem dele. Aluguei um depósito aqui perto e preciso que ele me ajude a levar tudo para lá. Você pode ligar agora? Estou indo almoçar com o Kleber e quando voltar quero uma resposta, está bem?
- Está bem eu... eu ligo para ele.
- Esse menino é de ouro, Kleber. Mas vamos almoçar e eu conto pelo caminho. Você não imagina...

E Stéphanie arrasta Kleber para fora da loja visivelmente pronta a narrar em detalhes a sua aventura com Gabriel, esse rapaz tão "exótico" que a ajudou a carregar caixas e acabou na cama dela, no apartamento dele – Kleber –, seu anfitrião. O pânico invade a cabeça de Aninha. "O Kleber quer falar comigo; a francesa quer falar com o Gabriel e conta do "programinha" deles para o Kleber... Só me falta o Kleber dizer que me conhece e também contar tudo para ela! Que confusão!" pensa ela, apavorada, correndo de um lado para outro sem saber o que fazer e já se vendo sendo posta no olho da rua no segundo dia de trabalho.
- Alô?
- Gabriel?
- Sou eu. Que voz é essa, Ana?
- Depois eu falo. A Stéphanie alugou um depósito e quer você aqui hoje para carregar umas caixas para ela do prédio do Peró para lá. Ela vai pagar.
- Oba! E quanto é que eu posso...
- Isso é você que sabe, interrompe ela. Agora escuta: nada de bancar o engraçadinho e falar de mim e do Kleber para ela, ouviu?
- Está bem, mas e se ele contar?
- Eu cuido disso. Eu não quero que ela saiba que eu saio com o Kleber porque pode pegar mal e ela me despedir só para se livrar da falta de jeito. Você consegue entender isso?
- Claro, não sou burro, Aninha. A que horas eu passo aí?
- Ela te chama para ajudar, mas não te deu um telefone? Nunca vi disso!
- Po, calma! Não te fiz nada.
- Bom, você liga para cá e combina com ela. O resto não me interessa. Ela foi almoçar; deve voltar lá para as 2h.
- Está tudo bem aí, e com você? Eu...
- Tchau, Gabriel. Tenho muita coisa para fazer.

Aninha desliga e imediatamente começa a digitar um SMS no celular: "Eu saio às 6h. Me espera na praça, na esquina do banco."
- Está tudo bem, Ana? pergunta Rômulo, aproximando-se, carinhoso, ao vê-la tão atarefada e tensa.
- Ah, droga! Acontece tudo ao mesmo tempo, protesta ela, despencando numa poltroninha de veludo azul. Mas eu resolvo, eu resolvo. Já consertei coisa pior. Olha, tem cliente entrando.

Os minutos não passam para Aninha, nesse segundo dia de existência da Conchas e Crustáceos, que alguns clientes ja prenunciam como a loja mais trendy de Cabo Frio. Ela se esforça para não parecer um autômato, mas está ligada em cada minuto que se eterniza em sua mente. Os rostos bonitos, os corpos sexys, as piscadelas e alusões picantes à "roupa" dos vendedores, os eventuais esbarrões em sua coxa ou bumbum, as cenas insólitas nas cabines, nada disso lhe importa; ela só deseja ver o enorme mostrador redondo do relógio de pulso concebido para a praia indicar que é hora de fechar. Cada vez que ela vai ao caixa, abre discretamente a sua gaveta e olha o celular, mas é só por volta das 4h que ela descobre o SMS de Kleber: "Estarei em frente ao banco a partir das 18h15." Quando enfim os ponteiros formam uma linha reta, ela dispara até o banheiro para se vestir,  prometendo a Rômulo realizar o desejo que for para compensar sua ausência na arrumação de final de expediente.

Chegando à esquina do banco, Aninha avista imediatamente o carro de Kleber. Ela entra, eles se cumprimentam, ele faz um elogio, mas o assunto urge.
- Que coincidência, hein! Vendedora da Steph! Fiquei de queixo caído quando te vi lá. Agora me explica que loucura foi aquela; você tem medo que ela saiba que nos conhecemos?
- Claro, Kleber. Ela pode ficar sem jeito comigo, me tratando como vendedora na loja e sabendo que eu saio com o amigo que empresta o apartamento para ela. E eu estou adorando esse emprego, me dou super bem com o Rômulo...
- Haha! E se eu te dissesse outra coisa de cair o queixo que vai te relaxar completamente?
- Como assim?
- Ela me falou do Gabriel.
- O que é que tem o Gabriel? Ele dá uma mão a ela de vez em quando, mas isso eu sei.
- Eles transam, Aninha!
- Quê?!
- Eles transam, trepam, fodem! Quer que eu seja mais claro do que isso? E ela me disse que está doidinha pelo garoto.

Aninha está literalmente de boca aberta olhando para Kleber e repassando na mente o dia em que pode ter acontecido a primeira vez entre Gabriel e a francesa. Ela se lembra que de fato, Gabriel chegara no dia seguinte, com olheiras até os pés, no momento em que ela estava de saída com Soraya.
- Caramba, Kleber! Então sou eu a inocente? Nenhum dos dois me disse nada! Bom, nesse caso, eu nem vou me importar que ela saiba de nós. Ufa! Obrigado por ter me aliviado! exclama ela se jogando nos braços de Kleber e dando-lhe um beijo.
- Ela me deu até água na boca falando do Gabriel.
- É, ele é superdotado... na cabeça de baixo, hahah!
- Você acha que eu tenho chance?
- Claro. Pelo que a Soraya me contou, ele mandou bem com um amigo dela que é gay.
- É sério? Ele já se entrosou bem assim em Cabo Frio?
- Você sabe que o Gabriel quer morar aqui, não é? Então, o cara mora numa casa enorme e de repente vai deixar o Gabriel morar lá.
- Xi! O aluguel vai ser caro! comenta Kleber, brincalhão.
- Ah é, de graça é que não vai ficar. Mas Kleber, voltando ao assunto, agora a gente tem que bolar um jeito de falar com a Stéphanie.
- É, e eu já sei o que vou fazer: vou organizar um jantar lá em casa, no sábado; convido você e ela convida o Gabriel. O que você acha? Ela deve estar com o mesmo problema que você para contar que estar saindo com o Gabriel.
- É uma boa idéia. Mas já que a idéia é fazer tudo ficar claro, eu tenho uma coisa para falar...
- Então fala.
- É que... Bom, você viu o Rômulo na loja, não é?
- Claro, não dá para não ver aquele deus grego. Você e ele... É isso?
- É, mais ou menos. A gente transou uma vez e eu acho que ele está gostando de mim.
- Ana, eu tenho trinta e seis anos e você tem menos de vinte. Não é porque a gente se beija e transa as vezes que eu quero você para mim. Além disso, você sabe que eu sou bissexual. Quando estou no Rio, não sou nenhum santo, eu já te disse.
- Eu sei, e sabia que você não ia ficar zangado, mas podia ficar meio triste, sei lá.
- Está tudo bem. Só não acho que valha a pena convidar o Rômulo dessa vez porque temos que resolver um assunto que é de nós quatro.
- Claro, você está certo.
- E agora, quero levar você para jantar. Você escolhe.
- Oba! Quero comer camarão, um monte de camarões enormes!
- Teu desejo é uma ordem! diz Kleber já arrancando com o carro.

Não longe dali, trancados numa sala de 20 metros quadrados repleta de caixas espalhadas no chão e empilhadas contra as paredes, Stéphanie entrega-se sofregamente a Gabriel, cavalgando-o com as mãos em seus ombros enquanto ele acaricia-lhe os seios.
- Ahhh! Eu não estava mais aguentando, Gabriel. Como é que eu pude ficar tantos dias longe de você?

O menino de subúrbio está se sentindo como um puro-sangue sendo cavalgado pela rainha, orgulhoso do seu atributo que a alarga e invade profundamente, fazendo-a gemer, soluçar, trepidar, fremer, sacodir-se para empalar-se ao máximo no majestoso instrumento que ele rapidamente aprendeu a manejar com grande habilidade. Ele acha graça das coisas pornográficas que ela lhe diz em seu sotaque de francesa.
- A minha buceta nunca abriu tanto!
- Mas cabe tudinho, está vendo?
- Cabe, mas é porque é você. J'taime, Gabriel! J'taime! exclama ela, jogando os braços para cima, fazendo balançar os belos e fartos seios brancos como a neve.

Gabriel aproveita um momento em que seu membro escapa para empunhá-lo e indicar que ele gostaria de uma nova felação. Stéphanie, que está a léguas da mentalidade passiva da mulher brasileira, surpreende-o dando-lhe as costas e oferecendo-lhe a visão do seu sexo desabrochado pela penetração recente. Ele a puxa pelas coxas e a faz instalar-se em seu rosto enquanto ela contempla a imponente verga que pulsa deitada sobre a barriga do rapaz. Ela colhe a cabeça com a língua e a deixa deslizar para dentro da boca que saliva sem parar. Gabriel sente a mudança de temperatura e a suave cócega do percurso dos lábios que premem seu membro de diâmetro privilegiado. Stéphanie, impressionada, tenta acolher o mais possível do tronco em sua boca, já sabendo que chegará no máximo a meio comprimento, mas o prazer é imenso e ela se sente como a menina gulosa que ela foi quando tentava enfiar um punhado de balas na boca e não conseguia mais fechá-la, de tão cheia. Isso associado à sensação provocada pela língua de Gabriel percorrendo a sua fenda e massageando com o polegar o orifício pulsante do cu levam seu corpo a um estado de excitação quase histérico. Ela sente que não vai resistir por muito tempo sem implorar-lhe que a penetre novamente e a faça gozar como só ele sabe. A noite está silenciosa, o comércio todo está fechado, só se ouvem os ruídos molhados do sexo entre as caixas de roupas e acessórios para banhistas da butique mais sensual da cidade. Stéphanie e Gabriel tem a noite toda diante deles.

Um comentário:

  1. Foi um prazer encontar a parte 20. Gostei, o final foi mesmo surpreendente e me deixou com muita vontade de ler mais. Gostei!
    Oswaldo

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