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Erotexto é um blogue dedicado ao erotismo que tem por característica uma rica diversidade de estruturas narrativas. Seu objetivo é triplo: entreter, desenvolver o interesse pela escritura e - o principal - motivar a reflexão sobre a libido e a busca do prazer, cujo fundamento biológico acredito ser de caráter essencial e universalmente bissexual.

Erotexto tem formato fixo. A primeira página comporta a última narrativa proposta (não necessariamente a última criação). O material arquivado consiste de contos e relatos classificados por categoria sob a rubrica "EroStock" (coluna à direita), bem como séries, novelas e folhetins. Para conhecer a acepção em que cada estrutura narrativa foi tomada, convido o leitor a clicar em "Pequena Teoria da Narrativa", aqui acima.

Uma comunicação contínua com o leitor faz-se através da rubrica "EroNovas", a primeira da coluna à direita. Meu e-mail está à sua disposição. Para reagir a uma publicação, clique na palavra "comentário", abaixo de cada texto.

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Que Erotexto possa excitar de modo agradável, são e prazeroso, inspirar o leitor a escrever suas próprias histórias e principalmente, motivar a reflexão.

Marc Fauwel

Entre Mar e Montanha (folhetim, episódio XVII)

17. O homem da barba por fazer

Marta foi a primeira a acordar, precipitando-se da cama quase a uma da tarde, gritando que tinha lembrado que precisava dar um pulo no Rio e perguntando se queríamos ir junto. Tomás concordou, eu preferi ficar. Eles tomaram café de pé na cozinha e antes das 2h estavam na estrada. A noitada da véspera tinha sido intensa. Ainda cansado e com sono, continuei deitado, mas não dormi porque meu pensamento logo foi invadido pela imagem do homem grande e mal barbeado me empurrando contra a parede do banheiro e me perguntando "Curte o quê, garoto?" Tomei café sentindo meu cérebro ocupado pela idéia de rever aquele homem, nem que fosse para saber o que é que ele curtia, coisa que afinal não fiquei sabendo porque só o vi na saída do banheiro. A região é de sítios, pouco povoada, não me pareceu improvável reencontrar alguém. Eu estava sozinho e tinha o dia pela frente. Resolvi me vestir e sair andando na direção da estrada e do tal forró. Como a direção geral seria a da praia e nunca se sabe o que o dia nos reserva, coloquei uma sunga e vesti bermuda, camiseta e  sandália.

Até a estrada, devo ter passado por cerca de vinte pessoas, algumas carroças de tração animal, gente a cavalo, crianças brincando e mulheres conversando na porta. A estrada é movimentada, mas sem passarelas e é preciso tomar cuidado para atravessar. Chegando ao outro lado, tomei uma das transversais paralelas à rua do forró. Andei à esmo por cerca de meia hora e quando estava para entrar num bar e matar a sede, notei uma moreninha muito bonita, de menos de 25 anos e longos cabelos castanhos, encostada num velho Jeep. Olhei sorrindo, mas logo ouvi uma voz de homem mandando que ela entrasse no carro para irem embora. Assim que ele se acomodou e virou a chave na ignição, deu uma olhada para a esquerda e me viu passando ao lado dele, na calçada. O reconhecimento foi recíproco e imediato.
- O moço está morando por aqui? perguntou ele, segurando-me firmemente pelo braço.
- Não, estou só passando uns dias, respondi, nervoso e titubeante, olhando para a moreninha que observava sem entender nada.
- Mas está à toa hoje?
- É, hoje estou.
- Então vamos lá para casa que tem churrasco. Suba aí! comandou ele indicando o banco de trás com os olhos.

Toneladas de livros se detêm na justificação dessas coincidências e dessas ordens surdamente obedecidas, portanto vou assumir que o leitor tenha lido algum deles e simplesmente aceite as presentes como verdades. O fato é que entrei sem fazer perguntas no Jeep do tal homem grande, de traços firmes e barba por fazer, e me deixei levar até a casa dele, espremido entre caixas e mais caixas de latas de cerveja. Mais uma coincidência: ele praticamente refez no sentido inverso o caminho que eu tomara; ele morava a poucas centenas de metros da Casa Grande e não só conhecia a Marta e o pai, mas já tinha até feito uns trabalhos para eles. Portanto, eu estaria perto de casa e isso me tranquilizou.

Não vou me estender sobre o churrasco. Cerca de trinta pessoas estavam distribuídas em pequenos grupos entre a churrasqueira, uma mangueira, uma picina Tone, algumas cadeiras de plástico e – a maioria dos homens – uma bola de futebol. Como o homem do forró me largou no quintal sem me apresentar a ninguém, "grudei" na moreninha que estava com ele, que àquela altura eu já sabia ter vinte e três anos, ter três filhos e estar casada com ele há três anos. Ela tinha o que eu chamo de "olheiras de sexo" e parecia cansada. Três ou quatro vezes, durante a tarde, ele veio buscá-la e a levava para dentro da casa, onde permaneciam por cerca de vinte minutos. A cada vez que ela voltava, eu discernia um olhar embaraçado e a sentia mais cansada. Não havia dúvida de que a dieta do tal homem incluía várias "rapidinhas" por dia. Por volta das 7h da noite, a maioria das pessoas tinha ido embora, estávamos conversando sozinhos e quando ela voltou da casa pela quarta vez, ajustando a saínha curta na cintura, resolvi jogar verde para ver se colhia alguma coisa.
- Acho que ele gosta muito de você. Acertei?
- O homem é fogo!
- Haha! Como assim, "fogo"? Ele é mandão?
- Ah, ele não sossega! Eu já estou esperando o quarto e desse jeito, a gente vai ter vinte, desabafou ela, com ar desanimado.

Entendi que o homem era uma verdadeira máquina sexual, e como corpo dela não dava o menor indício de gravidez, ele continuava a solicitá-la várias vezes por dia como se nada fosse. Ela gostava dele, gostava da energia dele, mas como ele vivia inventando jogos e novidades, ela ficava ansiosa tentando antecipar o que estava por vir, sobretudo em dias de festa, que o deixavam muito aceso por causa da cerveja e da presença das moças de biquíni ou roupa curta. Cassia – era o nome da jovem esposa – era da região e sabia que o marido tinha levado para a cama a maioria das mulheres que estiveram no churrasco. Estranhei que uma jovem casada do interior aceitasse tão bem estar com um homem com o perfil dele.

A partir das oito da noite, comecei a querer me despedir, mas a cada vez, o Hércules – o nome do homem era esse, vejam só – me impedia de ir, prometendo me levar de carro. Por volta das nove, Cassia pôs as crianças na cama e ficamos os três sentados no quintal, tentando aproveitar um pouco da brisa noturna. O homem tinha bebido a tarde inteira, mas não dava o menor sinal de exaltação ou agressividade. Ele tinha apenas uma obsessão e ela estava sempre à tona. Quando ele abriu a boca, foi para me surpreender.
- E o que é que o moço achou da minha Cassia? disse ele, alisando lascivamente a cocha da esposa até o alto, certamente resvalando os dedos na calcinha.
- Foi ela que me "salvou", Hércules. Eu não conhecia ninguém, respondi, desconversando.
- Pode botar a mão, moço, não morde não! insistiu ele, me indicando com o olhar a coxa "desocupada" e dando um beijo na boca da mulher, totalmente passiva.

Desorientado, olhei para Cassia e ela sorriu de volta, pegando minha mão e pondo-a espalmada sobre a outra coxa.
- Pode botar, ele gosta, disse ela, paciente, enquanto o marido a acariciava agora diretamente entre as coxas e já arfando como um cachorro em época de cio.
- Estou ficando nervoso, seu moço, disse ele. Vamos lá para dentro que é mais confortável.

Eu estava literalmente dividido entre a empatia por aquela mulher e a excitação pela situação. Cassia era um objeto que o marido demonstrava gostar não só de exibir mas de compartilhar, e ela parecia assumir perfeitamente isso. Chegando à pequena sala mobiliada com um um sofá, uma poltrona, uma velha cristaleira e a mesinha da televisão, diante dos retratos de família pendurados aqui e ali em cada parede, e de uma imagem de Jesus, Hercules me indicou a poltrona e ordenou que Cassia ficasse de pé na minha frente.
- O que é que o moço tem vontade de fazer com um mulherão desses? Pode falar!

Dois pares de coxas nuas até o alto e uma saia extremamente curta que, devido ao ângulo, não me ocultava a calcinha, uma camiseta justa e o rosto despojado de alguém completamente disponível era o que eu via a centímetros à minha frente. Devo ter feito uma expressão de total falta de jeito e Hércules, meio impaciente, avançou-se e a abraçou por trás, colando-se todo nela e passando mais uma vez a mão em cheio entre as coxas enquanto acariciava os seios com a outra e a beijava no pescoço. Vendo a passividade da moça, decidi me levantar apenas para ficar na mesma altura e mais perto dela. Hércules então cochichou algo em seu ouvido e ela imediatamente levou as mãos à minha bermuda e começou a abri-la, olhando-me nos olhos e sorrindo gentilmente enquanto ele continuava a esfregar-se nela por trás. Como eu disse antes, tinha posto uma sunga, pensando na eventualidade de ir parar no mar. Não foi o que aconteceu, mas a sunga veio a calhar porque me senti mais à vontade do que se estivesse de cueca.
- Anda, Cassia, acorda o boneco, ordenou o marido, empurrando-a para mim.
- Calma, Hércules! pediu ela, já envolvendo minha sunga com a mão.
- Pode beijar, moço! Já falei que não morde, fez ele, olhando-me meio impaciente, como se me cobrasse a entrada em ação.

Cassia respondeu ao toque dos meus lábios como uma namorada apaixonada, abrindo logo a boca e solicitando a minha língua. A ereção foi imediata e, pela primeira vez naqueles longos quase quarenta minutos desde as primeiras insinuações no quintal, me senti embarcando às cegas, mas de cabeça, numa aventura cujo desenrolar eu desconhecia absolutamente.

2 comentários:

  1. sempre bem, caro Marc...aí curit ver a opção de pode ser melhorado...sim, a vida pode, deve, vai a seu modo melhorando...as histórias, os sonhos, as coisas, os estares e fazeres......já vamos abrindo a Boca doce ad bela morena...que já nos acaricia...e compartilhhamos da delícia toda de ser livre a fantasia...é carnaval...o desfile de ilusões seja infinito...e seja intenso o retorno dos folhetins...aquela coisa de sentir de novo...o que foi e o que sempre pode vir...óii que a moçada da serra, nesse mundo pequeno ainda tão perto de arraial...uma mais deliciosa que a outra...nossa língua em frenesi encharcada bailando em todas elas...
    depois de tudo sorvir...calma esperar nova festa...
    o melhor da safra pra todo mundo, amor
    alegrias e paz !
    mou < : )

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    Respostas
    1. Obrigado pela presença no Erotexto, Mou. Você é a exceção à regra personificada e é sempre um prazer tê-lo aqui. Um grande abraço.
      Marc

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