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Erotexto é um blogue dedicado ao erotismo que tem por característica uma rica diversidade de estruturas narrativas. Seu objetivo é triplo: entreter, desenvolver o interesse pela escritura e - o principal - motivar a reflexão sobre a libido e a busca do prazer, cujo fundamento biológico acredito ser de caráter essencial e universalmente bissexual.

Erotexto tem formato fixo. A primeira página comporta a última narrativa proposta (não necessariamente a última criação). O material arquivado consiste de contos e relatos classificados por categoria sob a rubrica "EroStock" (coluna à direita), bem como séries, novelas e folhetins. Para conhecer a acepção em que cada estrutura narrativa foi tomada, convido o leitor a clicar em "Pequena Teoria da Narrativa", aqui acima.

Uma comunicação contínua com o leitor faz-se através da rubrica "EroNovas", a primeira da coluna à direita. Meu e-mail está à sua disposição. Para reagir a uma publicação, clique na palavra "comentário", abaixo de cada texto.

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Marc Fauwel

Theo e Lua, Inseparáveis


São onze horas da noite. Paulo e Vera conversam sobre seus filhos, que dormem no quarto maior do apartamento de classe média num bairro tradicional da Zona Sul do Rio de Janeiro.
- Acho que você está sendo alarmista...
- Não, Paulo, eles estão crescendo! É hora de tirar o Theo do quarto da Lua, antes que aconteça alguma bobagem.
- Mas você já viu alguma coisa?
- Ver, ver, não. Mas já ouvi insinuações, convites subreptícios do Theo para que os dois fossem para a cama mais cedo, coisas assim.
- E você acha que isso é sinal de alguma coisa? Quantas vezes eu acelerei a ida para a cama só por estar querendo ficar sozinho com meu irmão, em épocas de rara e grande sintonia. Isso nunca te aconteceu?
- Claro que sim. Sei perfeitamente do que você está falando ao evocar esses momentos únicos; meu irmão e eu éramos exatamente assim, só que...
- "Só que" o que?
- Sei lá... com o Theo e a Lua, estou tendo pressentimentos. Acho que tem alguma coisa a ver com o olhar entre eles, que anda cúmplice demais em relação à "média anual". Fora que... você já reparou que eles ainda saem do banho nus e trocam de roupa um diante do outro sem a menor vergonha?
- Mas por que diabos eles teriam que ter vergonha, Vera?
- Pelo amor de Deus, Paulo, eles têm dezoito anos! Lua é mulher, já transa com os namoradinhos! Do Theo eu não sei, porque ele não conta nada, mas já deve ter tido lá suas experiências.
- É verdade que a Lua está com um corpo divino... E só podia, sendo filha de quem é!
- Bobo! E pára de ficar olhando com malícia para o corpo da tua filha, ouviu! Você pensa que eu não reparo? É normal reconhecer quando os filhos são bonitos e bem feitos, mas só isso.
- Bom, Vera, vamos mudar de assunto porque eu sei da tua opinião sobre as minhas observações a respeito da sexualidade.
- É, vamos mesmo. Você e seu bissexualismo reprimido me assustam um pouco.
- Até aqui, só comentei sobre o corpo da Lua, mas já te disse que acho o bissexualismo a teoria mais perfeita da sexualidade futura; digo sempre e repito.
- Está certo, Paulo, mas feliz ou infelizmente, você não a pôs em prática, então são delírios seus e não convém você projetar fantasias sobre a sexualidade dos seus filhos.
- Mas...
- Ah! Meu Deus, lá vamos nós outra vez. Desde que eles começaram a ter corpinho de gente você entra em considerações sobre o que deveria e não deveria ser o despertar da sexualidade de uma criança. Se você não estimulou esses garotos a fazer sexo no primeiro namorico de doze anos, foi graças a mim! Acho que se eu tivesse tido um câncer e morrido, Lua já seria mãe de três!
- Hahaha! Não precisa exagerar, não é!
- Não é exagero não! Ou você não se lembra daquele menino, o Bruno, que a Lua namorou quando mal tinha completado quatorze anos?
- Me lembro muito bem dele e insisto que era o garoto perfeito para se casar com a minha filha. Se eles tivessem feito amor, teriam se comprometido muito mais e talvez nós já fôssemos até avós de uma criança maravilhosa.
- Você está delirando, Paulo!
- Não! Não! Era um menino bonito, de ótima família, moderna, como as nossas. Depois que a Lua fez quinze anos, não parou mais de sair com punks, grunges e outros selvagens, e talvez a prova de sua insatisfação esteja nos teus pressentimentos freudianos.
- Que nada! Imagina a menina grávida com treze anos, Paulo! Isso não tem cabimento, não é assim que se forma um ser humano. Ela tem muita coisa a descobrir na vida antes de aprender a ser mãe.
- Mas, e o Theo? Acho o Theo sexualmente atrasado em relação à Lua.
- E você acha que mantendo os dois no mesmo quarto ele vai aprender com ela e compensar o atraso, não é, seu pervertido!
- Não é isso, Vera! É que eu acho que a Lua, sendo mais madura, pode explicar coisas a ele, contar suas experiências. Se os separarmos, cada um vai ter sua vida e o Theo pode até mesmo se inibir todo...
- E "virar" gay, não é? Já sei que é isso que você vai dizer. E qual é o problema? Não vai me dizer que você ainda está preocupado com essas coisas, Paulo!
- Bom, preocupado não mas... Ah! sei lá como é ser pai de homossexual, Vera! Bom não deve ser. Já pensou, ele entrando um dia em casa carregando uma bichinha branquela e franzina para dentro do quarto? Me causa um pouco de desconforto, te confesso.
- A mim também, mas logo passa e sei que eu saberia respeitá-lo caso a opção – ou alternativa – dele fosse essa.
- OK, somos um casal resolvido, então! Mas... voltando às vacas frias, como é que você quer separar esses dois? Posso saber?
- Oferecendo ao Theo o escritório, para que ele faça lá o quarto. Ou você pensou que eu fosse exigir outro apartamento?
- Sabia que ia sobrar para mim! Temos escritório há vinte anos, Vera. A biblioteca está lá, ambos estudamos e escrevemos... Você já parou para pensar no que isso vai representar para nossa vida?
- Nossos filhos são quase universitários, Paulo. Quanto tempo mais você acha que a Lua vai ficar conosco? Dois, três anos? Sempre tivemos nosso escritório mas agora estamos com a vida encaminhada, não temos mais tanta necessidade de nos trancar para estudar ou fazer projetos, preparar aulas ou conferências. Isso ficou automático, e ainda bem, você não acha?
- Não, desse ponto de vista, você tem razão. Hum... Estou preso pelo hábito àquele escritório, mas acho que posso me adaptar sem ele.
- Então?
- Então está bem. Se você acha realmente importante, vamos dizer ao Theo que ele pode se mudar para o escritório amanhã mesmo.
- Sabia que você ia entender. E você vai ver: eles vão amadurecer mais rápido de amanhã em diante. Vão ter seus segredos, suas coisas, sua vida privada.
- É, você deve ter razão. Mesmo que essa história de olhares cúmplices e convites subreptícios tenham saído da tua imaginação, a independência vai fazer bem a eles.

Paulo e Vera ainda conversam um pouco sobre outras coisas e, por volta da meia-noite, vão dormir. No quarto maior, dois pares de olhos arregalados de terror estão fixos um no outro, a centímetros de distância.

- O que é que você vai fazer, Theo? diz a menina, com ansiedade na voz.
- Não vou aceitar! Vou dizer não!
- Mas a mamãe está desconfiada! Você ouviu a conversa.
- Ela não tem provas, Lua! Eu não vou me separar de você, não quero, não posso, não consigo!
- Nem eu. Nem imagino o que seja uma noite sem você.
- Tenho uma idéia, Lua.
- Qual?
- Você lembra da conversa deles? Eles se acham prontos até para ter um filho gay, não é? Então vamos contar a eles.
- Você está louco Theo! Eles morrem de desilusão!
- Morrem nada! Levam um susto e vão se adaptando aos poucos. Lua, não quero ter quarto separado.
- Eu sei que você está numa pior. Droga! Depois que o Rodrigo saiu da escola você sofre tanto! Detesto te ver assim. Ficou mesmo difícil de vocês se encontrarem agora?
- Sem chance de ficar com ele mais de quinze minutos. Os pais dele estão em cima depois que nos viram naquele dia.
- A pior coincidência que eu já vi na vida! Como é que eles foram entrar naquela boate, me fala? O pai dele tem quase cinquenta anos!
- Pior é que eles só entraram porque tinha um carro bloqueando o deles e eles queriam que chamassem o dono, lembra que eu te contei?
- Aí viram vocês no maior beijão, foi isso?
- A gente estava com tanta secura que as pessoas estavam fazendo rodinha para nos ver! E o Rodrigo bonito daquele jeito, ninguém acreditava que ele estivesse com um cara. Eu cheguei a ouvir menina dizendo que era o maior desperdício!
- Ele é lindo mesmo. Aliás, vocês são lindos, os dois. Meu irmão é um gatinho e eu enveneno quem disser o contrário!

Theo se aproxima mais e deixa um beijo carinhoso nos lábios de Lua, que acaricia seu rosto claro e tardiamente imberbe.
- Você vai mesmo contar? Vai dizer o que?
- Vou dizer que não quero quarto separado porque senão vou ficar sem a única pessoa no mundo que pode me apoiar num momento difícil, e que a gente conversa muito durante a noite.
- Eles vão te fazer explicar; você sabe como é o papai.
- Tudo vai depender do astral do momento. Se eles estiverem calminhos, eu conto, senão invento alguma coisa, tipo que o escritório vai ser super necessário para nós dois agora porque o vestibular está chegando.
- Essa é uma boa desculpa. Sério!
- Mas a gente está falando só de mim e do Ricardo. Você não quer um quarto só teu?
- Theo, a gente não tem segredos, nunca teve! E não me interessa ter um quarto só para mim agora, depois de todo esse tempo. Eu já quis muito um quarto meu, lembra? Mas eles não entendiam a minha maturidade, só viam minha idade cronológica. Agora não adianta mais e estou tão acostumada a passar para a tua cama que não sei quanto tempo levaria para me acostumar a ficar sozinha. Você para mim é como uma irmã mais nova, Theo, a irmãzinha que eu sempre quis ter. Lembra como a gente brincava de tudo juntos: casinha, aula, médico...
- Claro, minha "megera domadora"! Como é que eu ia esquecer da irmazinha que me fazia de gato e sapato?
- Pára com isso, Theo! Alguém tinha que ter pulso firme, não é? E do jeito que você era, se eu não tomasse cuidado ainda ficava sem namorado. Lembra do que você fez quando eu namorava o Chico?
- Chico... Chico... Não! Ah! Lembrei! Peraí, daquela vez não fui eu não!
- Theo, você quase obrigou o garoto a te beijar!
- Não foi bem assim. Ele me disse que não sabia beijar direito e que estava nervoso. Aí eu me propus a ajudar.
- Foi. E ajudou tão bem que o menino ficou em dúvida e o namoro nem chegou a começar. Aposto que o Chico virou gayzinho de armário, de tão confuso que ele ficou!
- Aaaaaa, Luinha! Você está sendo injusta! O menino estava doido por mim, ficava me olhando sem parar, mesmo quando vocês dois estavam abraçadinhos.
- A gente era criança, Theo, cri-an-ça. Você é que era um degenerado precocemente consciente da tua sexualidade invertida.
- Quanto ao "degenerado", não concordo. Mas é verdade que eu sempre soube que o modelo daquilo que me agradaria eu iria encontrar em mim mesmo.
- Quando é que você se tornou um Narcisinho, Theo?
- Não é narcisismo. Pelo contrário, Narciso é sempre o outro, aquele que eu busco. E sei a data precisa em que tive essa intuição: treze anos. E sei a razão exata: ter assistido a A Morte em Veneza.
- Sério? Como é que você viu isso aos treze e eu só fui ler o livro na escola, no ano passado?
- Também me lembro. Durante uma semana toda eu fiquei vendo a propaganda do filme na televisão. Quando foi chegando o dia, despistei papai e mamãe e voltei para ver o filme, que passava às onze e meia da noite. Me lembro de ter ficado tão deslumbrado com o Tadzio que no dia seguinte me senti outro.
- Eu vi uma fotografia do Bjorn Andersen. Você era mais bonito que ele, sério mesmo. Menino esquálido!
- Nem tanto, Lua. Tem uma hora no filme em que ele aparece de roupa de banho e dá uma voltinha – corpo lindo. Mas na época eu entrei tanto no clima da história que o que menos me interessava era sexo. A paixão do escritor por ele me deixou transtornado, me fez descobrir o que é ser o objeto do amor de alguém e como o amado pode manipular o amante apenas por existir.
- Você descobriu isso com treze anos, Theo?
- Foi. E nem dava para conversar sobre isso com você na época, porque você só pensava em beijar e ficar com todos os meninos de uma vez. Em vez de conversar como a gente faz agora, você só pensava em treinar beijo comigo, me fazer subir em cima de você e me submeter aos teus discursos de namoradinha autoritária.
- Malvado!
- Você nega?
- Não, mas não era bem assim.
- Não? E como era, então?
- Não sei se você lembra, irmãozinho, que o primeiro garoto que quis ficar comigo tinha dezoito anos e eu só tinha doze. Ele era lindo e eu entrava em pânico só de pensar em errar um beijo de língua. Como é que você queria que eu fizesse? Você era o meu único recurso!
- Sei disso: era a minha língua que ficava dormente!
- Não exagera, Theozinho. Você bem que gostava.
- De acordar quatro vezes por noite com uma língua tentando invadir minha boca? Obrigado, meu amor!
- Malvado!
- Você é que era!
- Mas valeu a pena. O Zeca adorava tudo o que a gente treinava juntos.
- Sei. Até o dia fatídico em que ele tentou te...
- Não! Isso não foi o Zeca, foi aquele cretino do Clemente.
- Ah é! Clemente. Eu já tinha esquecido desse cara. Ele fez o que mesmo?
- Ele abriu o zíper da calça quando a gente estava namorando no murinho da quadra de esporte da escola. Fiquei uma fera.
- Mas por dentro adorou, aposto.
- Isso é outra coisa. Gostei quando eu cheguei em casa e pensei no assunto, depois de ter terminado com ele. Fiquei excitada, só isso.
- Mas você nem chegou a ver, não é?
- Claro que não! Ele ficou se esfregando e eu senti que estava tudo duro atrás de mim, só isso.
- Ah, porque a senhora tinha se virado de costas para ficar se esfregando nele que nem namoradinha de subúrbio, não é?
- Todo namorado pede para a menina fazer isso, Theo, deixa de ser falso moralista e preconceituoso!
- É, provoca e depois não aguenta as consequências! Quando você namorou o Clemente estava cansada de saber o que é que acontece com o corpo de um homem. Eu posso dizer isso porque era tua cobaia sexual.
- Até parece que gente já tinha feito alguma coisa, Theo!
- Tinha sim!
- Não senhora!
- Claro que tinha, Lua! Olha só: a primeira vez que eu gozei eu tinha onze anos e foi no banho; quando eu te contei que saia uma gosminha amarelada do pinto você logo quis ver e fazer em mim, não se lembra?
- Não me lembro de nada disso!
- Bom, não importa. Mas com quatorze você sabia perfeitamente o que era um pinto duro, gozar, masturbação, tudo isso. Não era para achar estranho o que o Clemente fez.
- Ele levantou minha saia, Theo! Se você fosse homem, teria me defendido e ido dar uns socos na cara dele.
- Lua, me diz a verdade completa, vai. Ele baixou o zíper, levantou tua saia e o que mais? Tenho certeza de que não ficou por aí, para você estar tão alterada.
- Foi só isso.
- Ahan, sei! Nasci no mesmo dia que você e não foi ontem, lembra?
- (...)
- Não vai contar não?
- Vou. Ele botou o troço dele entre as minhas pernas. Pronto, contei. Está contente agora?
- Foi só isso, Lua? Aposto que tem mais.
- Ele...
- Gozou?
- É.
- Sabia! Te melou toda e foi por isso que você ficou uma fera.
- Não era para menos. Você também ficaria se um cara te deixasse todo lambrecado em público assim. Eu não tinha nem guardanapo de papel, Theo!
- Uau! O casalzinho pornô!
- Detestei ver o primeiro orgasmo masculino da minha vida ser desperdiçado assim. Fora que eu podia ser tudo menos vagabunda. Ter ficado de costas para ele foi só uma experiência e vontade de agradar. Eu não gosto de ficar nessa posição com namorado; isso é coisa de menina burra que, como não tem nada para dizer, prefere ficar de costas.
- Eu acredito, Luinha. Estou de gozação, mas conheço a tua inteligência e as tuas inclinações. O Clemente era um imbecil completo, só tinha uma cara bonita. E por falar em tamanho...
- Que é que tem tamanho a ver (...)? Theo! eu te mato!
- Não, sério, eu queria saber como era o dele; você se lembra?
- Eu não vi, Theo. A gente só ficou se esfregando, eu não peguei nem nada, não toquei nele com a mão. Parecia grande, sim. Mas eu me lembro mesmo é que foi ficando todo molhado, até acontecer.
- Ele começou a espirrar.
- É, foi um desastre, tudo escorrendo pelas minhas coxas e um monte de gente por perto. Acabei tendo que dar um jeito de limpar com a saia mesmo, uma nojeira!
- Eca! Meu império por um lenço de papel!
- Bobo! Vamos mudar de assunto, vai. Já que a gente resolveu falar do passado, aposto que você também tem um monte de coisas para contar, que eu não sei.
- Algumas...
- Pode começar. Eu te ajudo. Aquele garoto dinamarquês que tinha parente aqui e veio passar um tempo, lembra? Não rolou alguma coisa entre você e ele na escola?
- Você se lembra dele, é? Aquele menino era leso!
- O que é que ele fazia?
- Só para te dizer uma: ele me chupava em sala de aula – durante a aula!
- Como?!
- Ele ficava me massageando por fora da calça e, quando sentia que eu estava bem duro, fingia que tinha deixado cair a borracha no chão. Eu já sabia da tática e abria minha calça e botava para fora. Ele chupava durante alguns segundos e tornava a se sentar. Doidinho!
- E ninguém via?
- Todo mundo via! Menos o professor. Mas você conheceu aquela turma: era a galera mais unida que eu já tive.
- Você fez mais o que com aquele menino?
- Quer mesmo saber?
- Estou morrendo de curiosidade!
- Nós transamos um monte de vezes, em tudo que era canto.
- Como? Como é que ele fazia para ficar sempre limpinho?
- Pára com isso, Lua! Essa parte era problema dele, eu só queria poder fazer e pronto. A primeira vez que eu vi o corpo dele foi o máximo, na escola mesmo. Ele queria porque queria me mostrar. A gente combinou de se encontrar no banheiro depois da saída. Eu fiquei encostado na parede e ele subiu no tampo do vaso, baixou a calça até o pé e virou de costas. Eu quase desmaiei quando vi a bunda dele.
- Bonita, é?
- Era perfeita, Lua, perfeita! Parecia... sei lá, parecia m dois gomos de uma fruta maravilhosa, branquinhos, rosados, mas cheinhos, sabe, sem aquela cova horrorosa que garoto magro tem no lado. E ele ali em cima do vaso, olhava para mim e fazia sinal para eu botar a mão, pegar, apalpar, apertar. Ele fazia um monte de trejeitos delicados, super femininos, que me deixavam louco. Naquele dia não rolou nada mas nós nos beijamos muito com ele seminu, eu acariciando aquela bundinha tão gostosa e louco para fazer tudo com ela.
- E quando foi que rolou a primeira transa?
- No dia seguinte, na casa da família dele.
- Caraca!
- Ele preparou tudo. Abriu a porta, me deixou esperando no corredor, entrou no quarto e fechou a porta. Depois me chamou e quando eu entrei, ele estava deitado de costas na cama com a bundinha arrebitada e só de calcinha branca, toda enfiadinha entre aqueles gomos lindos. Fiquei louco e mergulhei na cama por cima dele. A gente deve ter ficado bem umas duas horas brincando antes de transar.
- Quando é que você começou a ter essa tara por bunda de garoto, Theo?
- Eu já pensei muito nisso. Acho que foi numa daquelas colônias de férias, numa vez em que um garoto subiu em cima da cama e baixou a calça do pijama para todo mundo ver. Eu estava a umas quatro camas dele, deitado. Fiquei olhando aquilo e contemplando aquela bunda, que ele mostrava com a convicção de estar agradando a todos. O showzinho não durou mais de um minuto, mas ficou bem marcado em minha memória. Acho que isso foi determinante para a minha sexualidade.
- Legal você saber explicar a origem das tuas preferências sexuais.
- É, isso sempre facilitou as coisas.
- Sabe uma coisa que eu não entendo bem, ainda?
- Não, o que?
- Se você é ativo, o que é que te diferencia de um homem? Só o fato de não procurar meninas?
- Mais ou menos. A explicação mais certa é a de que eu me apaixono por menino e não por menina. Você é gay por causa dos sentimentos, não só por causa do sexo. Quando eu vi o Tadzio pela primeira vez, logo descobri que, como o Aschenbach, eu estava condenado à eterna busca do objeto de contemplação e de amor, à busca de um Narciso...
- Que bonito, Theo! Ah, que droga, de repente lembrei que estão querendo nos separar! Não quero você longe de mim!
- Eles não vão nos separar, Lua. Vou contar tudo sobre mim e isso vai tranquilizá-los a nosso respeito. Uma menina e seu irmão gay no mesmo quarto – o que pode haver de menos arriscado?
- Sei lá, Theo; mesmo sendo um ótimo cara, papai me parece tão conservador, às vezes. Acho que foi por isso que nós o poupamos de tudo.
- Verdade. No fundo, ele sabe bem pouco sobre nossas vidas, não é? Acho que nunca me sentei com ele para contar o que eu faço, quem eu conheço, do que é que eu gosto...
- Nem eu. Com a mamãe eu já falei, já andei contando algumas coisas, mas com ele é impossível, prefiro deixar que ele pense que somos seus filhinhos intelectualizados e abarrotados de leitura, prontos a passar brilhantemente no vestibular e depois fazer pós-graduação em Harvard ou Stanford.
- Engraçado... Você sabia que se ele se esforçasse, se lembraria de um episódio e desconfiaria de que eu sou gay?
- Que episódio?
- Você se lembra da tua festa de quinze anos? Tinha o Daniel, um carinha que você tinha chamado para agradar a Luana porque você queria que ela viesse a todo custo.
- Me lembro dele. Ele ficou por aí e a gente nem se conheceu direito.
- Pois é, assim que eu vi o Daniel percebi alguma coisa. Ele tinha o rosto perfeito, os lábios bem vermelhos e uns olhos que eu nunca vi.
- Eu me lembro que ele era lindo mesmo!
- Agora olha só. Daniel e eu ficamos horas conversando no sofá e isso o papai viu. Depois, eu mostrei a casa para ele e isso o papai também viu. Aí fiquei um tempão aqui no quarto com ele, mostrando tudo. Papai chegou a entrar aqui e perguntar por que é que a gente não ia para a sala onde estava todo mundo. Sabe quando dá aquela emoção de estar sendo observado?
- Hãhã. Conta!
- Quando papai saiu do quarto nós ficamos tão elétricos de estar juntos e sozinhos sem meu pai querer, que a gente se agarrou e deu o maior beijão.
- Uau! Sério?!
- Verdade! Ele estava do meu lado na cama e chegou a se jogar para trás deitado, de tanta emoção. Eu ainda dei uns amassos nele, passei a mão nas coxas e por dentro da camisa, mas a gente logo saiu para não desconfiarem de nada.
- Tá mas, e daí?
- E daí que o papai teve umas duas ou três chances de sacar que eu gostava de garoto, só que não queria ver.
- Duas ou três vezes?
- É, ele já me pegou na cozinha preparando lanche para o Tavinho e outra vez me viu com a mão quase em volta do pescoço do Mário vendo tevê.
- Uau! Conta essa do Mário!
- Eu te contei na época. Você não está lembrando.
- Ah! Foi o tal dia em que o papai tinha dado uma saída, acabou a luz e quando ele voltou quase te pegou agarrando o menino?
- É, esse dia mesmo. Papai passou pela sala quando eu estava tirando o braço do ombro do Mário. Pô Lua, ele não quer é ver, ponto final!
- Isso faz sentido, Theo, pensa bem. É a mamãe que está querendo separar a gente, não o papai. Para ele está tudo bem. Talvez seja porque ele já sabe. Durante o papo deles ele bem falou de poder ter um filho gay.
- É, mas falou não gostando nada disso.
- Pode ter sido para disfarçar, Theo.
- É, pode ser. Bom, mas isso não tem mais importância porque ele acabou topando me tirar daqui.
- Pô, que dupla nós somos, hein? Nossa mãe pensa que somos incestuosos. Nosso pai não concorda com ela, mas não porque considere o filho homem e sim porque desconfia de que ele seja gay!
- Hahahaha!
- Hum, Theo, que delícia de bundinha que você tem! Me deixa ficar com a mão aqui, vai? Está tão fofinho!
- Pode ir tirando!
- Por que?
- O único que tem direitos sobre ela é o Ricardo.
- Mas ele não faz nada com ela! Ele não é passivona?
- Nem sempre, né!
- Poxa, Theo, você não me conta mais nada!
- Como assim, não te conto mais nada?
- Para mim, você era só ativo e agora vem com essa.
- Comecei com o Ricardo.
- E gostou?
- Com ele é demais. Mas ele prefere ser passivo. A gente fez umas duas vezes só assim.
- Conta, vai!
- Nada disso! A senhora está me devendo historinhas também. Sou só eu que conto a minha vida, é?
- Mas você sabe tudo de mim!
-  Quase tive que te enforcar para saber sobre o Clemente!
- Bah! Aquilo não tem importância nenhuma.
- Então me conta uma bem legal.
- Pera, me deixa ver a hora. Caramba, Theo, são 3 da manhã!
- Só mais essa, vai Luinha!
(...)
- Sabia que o Dudu e eu, a gente fez bem aqui?
- Aqui aonde? Nessa cama?
- Foi.
- Quando foi isso, Lua?!
- Tem uns dois meses.
- Mole para ele, não é? Comeu a vizinha que ele sempre quis!
- Pára com isso, Theo!
- Mas é mesmo! Ele sempre deu em cima de você, desde que se mudou para cá.
- Isso é, mas a gente nunca tinha ficado.
- E como é que chegaram a transar?
- Isso é que foi incrível!
- Conta!
- Um dia ele veio aqui com uma conversa de que tinha que falar comigo de qualquer jeito. Deixei ele entrar e a gente veio para o quarto.
- Hum. E o que é que ele queria?
- Olha só. Ele veio dizendo que, na véspera, tinha ficado com uma menina numa festa, que eles tinham ido para um quarto, tirado a roupa e ficado só de cueca e calcinha se agarrando um tempão, mas quando chegou a hora de tirar tudo e transar, a menina não quis porque achou que ele tinha um pau grande demais.
- E ele vem aqui para te contar isso? Nada a ver!
- Tudo a ver, Theo, espera! Ele queria me mostrar o pau dele para eu dar minha opinião. Se eu achasse que não era grande demais, ele ia ligar para a menina e falar todas para ela.
- E você caiu nessa?
- Ele estava todo sério, Theo, você precisava ver!
- Hãhã!
- Bom, isso não interessa agora. O que interessa é que eu topei. Sentei na beira da cama, ele ficou em pé, abriu a calça, baixou a cueca e mostrou. Não tinha nada de mais mas não era um pinto pequeno, só isso.
- Aí você falou isso para ele e ele pulou em cima de você para te comer, foi assim?
- Haha! Não! Eu falei que não dava para eu dizer nada vendo mole. Aí ele endureceu para eu ver.
- Caramba!
- Aí puxei o Dudu pela mão, ele se jogou na cama e rolou. Primeiro eu segurei com a mão, ele foi ficando todo arrepiado, com tesão, comecei a mexer, a puxar a pele para trás...
- Ele tem aquela pele horrorosa, é? Detesto!
- Então você não ia gostar do Dudu. Mas escuta! Fiquei pegando e ele todo dengoso. Daí fui chegando perto e botei na boca.
- Putinha!
- Nessas horas, sou mesmo. Enquanto eu chupava ele foi tirando a calça toda, a camiseta, eu fui tirando a roupa também e começou a rolar. Foi bem gostoso. Eu bem vi a bundinha dele pelo espelho pulando em cima de mim.
- E aí?
- Linda! Você ia adorar.
- Sádica! Duvido que o Dudu transe com homem; careta demais.
- É mesmo, sem chance Theo!
- Ele transa bem?
- E como!
- E afinal, o pau dele é grande ou não?
- É bem grande sim, mas a garota estava de frescura com ele quando não quis transar.
- Vai ver que ele estava com cheiro, hahaha!
- Pára com isso, Theo! Eca!
- A gente fez em um monte de lugares do quarto: no chão, na cadeira, nessa cama, na mesa, debruçada na janela...
- Na janela? Haha!
- Mas de fora, só dava para me ver debruçada, não ele por trás.
- Ele meteu atrás?
- Ele veio por trás mas não botou atrás.
- Ele te fez gozar?
- Claro que não! Você sabe que para me fazer gozar tem que me lamber muito primeiro.
- E isso ele não fez?
- Não. Que é que tem?
- Tem que ele é egoista, só isso.
- Nada Theo! Ninguém é obrigado. Fora que eu não tinha tomado banho.
- E ele, tinha?
- Ele tinha. Ele apareceu aqui todo perfumado de banho.
- Hum! Pelo menos isso!
- Ciúmes da irmãzinha, é?
- Não é isso. Não vou muito com a cara dele.
- Acho que não é bem isso, irmãozinho. Acho que você queria estar no meu lugar.
- Para dar bandeira aqui no prédio? Nem morta, querida!
- Humm, mas imagina só nós três aqui no quarto, que delícia. Ele todo dentro de mim e você dentro dele, naquela bundinha linda que só eu vi...
- Pára Lua! Você está ficando sádica.
- Vocês podiam fazer DP comigo!
- Não quero comer você não, Lua!
- Ah! Ia ser só para satisfazer essa minha curiosidade. Você deitava na cama com as pernas para fora. Eu vinha, sentava no teu colo para você enfiar por trás (claro que eu não ia dar o meu cuzinho para ele). Daí o Dudu vinha, empurrava minhas pernas bem para cima e vinha pela frente. Hummm!
- Tarada!
- Sou mesmo! Quero fazer tudo em matéria de sexo, e tudo bem cedo, senão não tem graça.
- Que mais vocês fizeram?
- Deixa eu ver... Ah! Eu botei mini-saia sem calcinha para ele, coloquei shortinho de ginástica e uns biquínis. A gente ficou aqui umas cinco horas brincando. Papai e mamãe não estavam, você tinha ido dormir na cada de um amigo, acho, não lembro bem...
- Poxa, você podia ter combinado outra como Dado, para me chamar.
- Ele jamais teria topado, Theo! E mesmo que topasse, você acha que ele ia te dar?
- Não!
- Então! Você só queria ficar olhando para ele transando comigo? Virou voyeur agora?!
- Não é nada disso! Eu...
- Eu o que?
- Ah! Deixa para lá.
- Ahá! Tem alguém com vergonha de dizer que está virando viadinho e queria dar para o Dado? Você era tão tarado por bunda e agora quer dar a sua! O que é que está te acontecendo, Theozinho?
- Sei lá. Depois que eu experimentei com o Ricardo, fico pensando nisso, lembrando... Eu achei bom demais. Você já fez, sabe como é.
- Forte, intenso, emocionante! Fora a sensação de estar sendo completamente dominado, coisa que, pelo menos para uma mulher, é o máximo!
- Isso! E o Dudu é hétero, deve ser bom demais fazer com ele.
- Bom demais e impossível, né?
- De repente não.
- Acorda, Theo! (...) Theo, essa história está mal contada.
- Que história?
- Essa história de ter começado com o Ricardo. Ele não tem o menor perfil de ativo.
- Não tem, mas comigo foi, pronto!
- Hum... aí tem coisa.
- Que coisa, Lua? Deixa de ser desconfiada!
- Eu te conheço, Theozinho! Me conta direitinho o que aconteceu!
- Não tem nada para contar. A gente tinha transado e eu pedi pra experimentar, foi só isso.
- Não cola, Theo! Não dá para engolir! Conta outra! Quem foi o cara?
- (...)
- Não vai responder?
- (...)
- Vai ficar mudo agora, é?
- (...)
- Theo, fala, anda!
- (soluços)
- Theo! Que foi? Você está chorando?
- T-t-t-ô, e d-daí?
- Me conta, Theozinho, o que foi?
- Ah! D-deixa prá lá; vamos falar d-de outra coisa, vai.
- Não! Você tem que me contar se tiver acontecido alguma coisa de grave.
- Nunca, Lua! Melhor você nunca ficar sabendo.
- Sabendo de que, Theo? Pelo amor de deus, me conta!
- Deixa, Lua, deixa...
- Tá bem, não me diz quem, mas me conta como foi, direitinho, para eu saber se te fizeram mal.
- Eu tô legal, Lua, foi só a lembrança.
- Mas conta, vai, por favor!
- Tá, vou tentar. Vou contar tudo.
- Então começa, anda.
- Você se lembra de quando eu tive uma prisão de ventre super forte, que eu ia ao banheiro, ficava horas mas não saía nada?
- Lembro, todo mundo ficou super preocupado.
- Lembra que todo mundo tentou me ajudar a fazer força, mamãe botou supositório, tentaram até pegar o cocô com pinça para fazer descer?
- Lembro disso tudo, nada adiantava. Só me lembro de você saindo do banheiro, horas depois, dizendo que tinha feito. Você veio para o quarto e fechou a porta e dormiu direto até o dia seguinte.
- Foi.
- Então! Não estou entendendo, Theo.
- Olha só, Lua. Vou te contar tudo, mas não quero mais falar sobre isso, nunca mais. Vai ser a última vez que eu vou tocar nesse assunto, está bem? Você promete?
- Prometo. Agora conta, que você está me matando de ansiedade.
- Quem conseguiu me fazer soltar tudo foi o papai.
- Disso eu desconfiava porque foi ele o último a ficar no banheiro com você.
- Pois é. Estava tudo muito duro lá dentro e ele resolveu me massagear para me fazer relaxar. Eu fiquei sentado no vaso, ele passou a mão por baixo de mim e ficou massageando, entrando e saindo, apertando o cocô duro preso lá e soltando. Eu estava muito nervoso no início, por isso dificultei a passagem. Com a massagem, relaxei e acabei conseguindo fazer vir aos pouquinhos.
- Então foi legal para você!
- É, até aí foi. Eu conseguia fazer o cocô descer até a metade, que o papai quebrava, jogava no vaso, dava a descarga e continava a fazer massagem, até que eu acabei conseguindo botar o resto para fora. Não sei se você notou mas a gente ficou mais de duas horas no banheiro.
- Claro que eu me lembro. Mamãe entrava de vez em quando mas não me deixava entrar. Ela estava louca de preocupação e nervosismo.
- Pois é, ela entrava, chegou a ajudar, mas estava tão nervosa que não conseguia esperar. Aí o papai botou todo mundo para fora, inclusive ela, e não deixou mais ninguém entrar; acho que ele até trancou a porta.
- É, acho que foi, porque ela ainda tentou entrar e ele gritava lá de dentro para ela se acalmar. O que é que aconteceu depois?
- Quando saiu o que parecia ser o último pedaço, papai ficou todo contente mas, para não ter dúvidas, me fez fazer bastante força para ver se saía mais alguma coisa. Cada vez que eu fazia força saía um pedacinho, mas não era mais como das primeiras vezes, era um pouco mais mole. Eu tinha ficado uns três dias sem fazer cocô antes daquele dia; devia ter um monte para fazer. Mas ele ficou todo preocupado com isso e resolveu continuar a me massagear para fazer sair.
- Daí?
- Daí que eu comecei a perceber que ele tinha parado de fazer só massagem e, de vez em quando, enfiava o dedo em mim. Ele enfiava o dedo cada vez mais fundo e mexia, mexia em círculos para procurar lá por dentro. De vez em quando me dava vontade e eu fazia mais um pedaço. Ele voltava a enfiar o dedo e mexer e eu fazia mais um pouqinho. Até que parei mesmo de fazer porque não tinha mais nada. Ele se levantou, me disse que eu podia me limpar e foi lavar bem as mãos.
- Foi um pouco antes de você sair e ir para o quarto?
- Não, Lua; espera que eu vou terminar.
- Tem mais?
- Depois que eu me limpei e dei a descarga, fui para a pia lavar as mãos junto com o papai. Ele estava todo sério, com aquela cara que ele faz quando está matutando alguma coisa.
- Sei.
- De repente, ele me disse para baixar a calça porque ele ia fazer uma última coisa para ficar seguro de que tudo estava limpo. Fiz o que ele mandou mas não podia ser ali. Ele me ajudou a andar, de calça no pé, até aquele movelzinho baixo que tem no banheiro e me fez debruçar nele. Eu já imaginava o que era mas, sabendo como é o papai, fiquei esperando o dedo entrar pela última vez e ele se acalmar. Ele enfiou um dedo, mexeu de novo, enfiou e tirou algumas vezes e foi até a pia, me mandando não sair da posição. Aí ele voltou. Eu estava tão cansado que tinha ficado de cabeça em cima dos braços cruzados e fechado os olhos esperando pacientemente o coroa se decidir. De repente eu senti a mão dele inteira na minha bunda e o dedo entrar facilmente em mim. Estranhei, perguntei o que ele tinha feito e ele respondeu que tinha passado uma coisa no dedo para não irritar, que ia ser melhor para mim e que já estava acabando. Notei a voz dele bem mais nervosa, crispada mesmo. Assim que ele tirou o dedo senti outra coisa começar a entrar, bem mais grossa, lisa e quente.
- O que é que era? Conta, pelo amor de Deus, menino!
- (...)
- Ele te estuprou! Foi isso? Fala, Theo!
- (...)
- Fala, conta para mim, eu posso te ajudar!
- F-foi Lua! Foi isso! Era o papai metendo em mim. Quando eu senti que o que estava entrando era muit mais grosso, logo percebi que não era mais o dedo mas não podia imaginar o que era, achei que ele tivesse enfiado alguma outra coisa, um cabo de escova ou algo assim, por algum motivo, talvez porque fosse mais comprido que o dedo. Ele tinha ficado tanto tempo colado comigo mexendo em mim que era impossível desconfiar. Só percebi não era mais o dedo porque ficou grosso e ele começou a me puxar pela cintura. Tudo foi muito lento, com ele me dizendo o tempo todo que era para ver se tinha mais alguma coisa bem no fundo. Eu já tinha aprontado mil e uma com meninos, mas fiquei embasbacado ali, sentindo o nosso pai me comer.
- Claro! Ele te estuprou Theo!
- Eu não vejo como estupro, Lua. Vejo mais como uma tara que rolou na cabeça dele, depois de ter visto e mexido tanto no meu corpo, na minha bunda. Eu fico abalado porque, quando me lembro, sei que não é essa a lembrança que a gente deve ter de uma primeira experiência de passivo. Por isso eu fiquei todo amuado na hora de falar do Dudu; porque o primeiro já não seria ele, nem tinha sido o Ricardo. É uma sensação estranha, saber que foi o teu pai, porque você sabe que ele te ama, que não quer teu mal. Ele só tem uma coisa que os outros não têm, talvez uma alavanquinha no cérebro que tenha ficado no contato em vez de ser abaixada: a capacidade de ter tesão por filho. Porque a gente sabe que é duro sonhar com mãe pelada e muito mais duro ainda sonhar que transa com mãe ou pai. Dá imediatamente um asco, um nojo, quase ânsia de vômito. Isso é porque, na hora da formação, no útero, cada ser humano deve ser "desprogramada" a transar com família próxima. É assim que a espécie garante sua sobrevivência, eu acho. Todo mundo sabe qual é o resultado de filho nascido de incesto: sai torto e doente, morre logo ou fica inútil para o resto da vida, debilóide. O papai não deve ter sido desprogramado e, além disso, deve ter tido a homossexualidade reprimida, como quase todo homem. Então ele olha para mim e me vê como qualquer garoto de feições delicadas e bundinha gostosa que dá tesão a homens que gostam de homens.
- Mas ele tem que pagar, Theo!
- Lua, se eu fosse criança na época, eu até diria que sim, que ele teria que pagar. Mas eu não era, já tinha feito com outros a mesma coisa que ele fez comigo. Eu só não podia imaginar que o primeiro a me penetrar fosse ser o meu pai, por isso fiquei tão chocado e ainda choro quando me lembro.
- Agora tudo faz sentido para mim, Theo! Ele tentou tudo o que pôde com a mamãe para evitar que você mudasse de quarto; uma: porque ele sabe muito bem que você gosta de menino; duas: porque ele sabe que isso vai dar discussão e que se ele tiver que usar de autoridade para te tirar daqui, você vai olhar para ele direto nos olhos e ele vai ver que não tem mais nenhum direito de interferir na tua vida.

- É isso, Lua. Quando eles vierem falar com a gente amanhã, me pedindo para mudar para o escritório, só vou precisar dar uma encarada rápida no papai e, com um sorrisinho cínico, continuar a fazer o que eu estiver fazendo. Agora vamos dormir, anda. Ninguém vai nos separar.

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