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Erotexto é um blogue dedicado ao erotismo que tem por característica uma rica diversidade de estruturas narrativas. Seu objetivo é triplo: entreter, desenvolver o interesse pela escritura e - o principal - motivar a reflexão sobre a libido e a busca do prazer, cujo fundamento biológico acredito ser de caráter essencial e universalmente bissexual.

Erotexto tem formato fixo. A primeira página comporta a última narrativa proposta (não necessariamente a última criação). O material arquivado consiste de contos e relatos classificados por categoria sob a rubrica "EroStock" (coluna à direita), bem como séries, novelas e folhetins. Para conhecer a acepção em que cada estrutura narrativa foi tomada, convido o leitor a clicar em "Pequena Teoria da Narrativa", aqui acima.

Uma comunicação contínua com o leitor faz-se através da rubrica "EroNovas", a primeira da coluna à direita. Meu e-mail está à sua disposição. Para reagir a uma publicação, clique na palavra "comentário", abaixo de cada texto.

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Que Erotexto possa excitar de modo agradável, são e prazeroso, inspirar o leitor a escrever suas próprias histórias e principalmente, motivar a reflexão.

Marc Fauwel

Tatiana e Walter (série, episódio I)

1. Final de Expediente

Eu trabalho até tarde num serviço de atendimento telefônico à clientela para várias empresas. Como somos muitos, custei a reparar que sempre sou o último a sair, por volta da meia-noite, ao mesmo tempo que uma das atendentes mais atraentes do meu turno, constituído na maioria de mulheres. Tatiana exala sensualidade. Todos reparam em suas roupas justas, curtas, transparentes, decotadas, em seu batom vermelho e brilhante, e no fato de que ela está pouco ligando se isso incomoda as outras mulheres e deixa os homens "acesos". Consciente ou não desse sex appeal, ela chega diariamente com uma roupa diferente e mais sexy que a da véspera, senta diante do computador, não dá a menor trela para ninguém nos intervalos e vai embora tão calada quanto chegou.

Considero-me um cara concentrado e, por experiência, aprendi a não me envolver afetivamente com colegas de trabalho, mas, há cerca de dois meses, aquela única presença tão brutalmente feminina no fim de cada expediente começou a me chamar a atenção. Tatiana é uma verdadeira loura de pele muito clara, olhos azuis e – exceção à regra – tem curvas de morena e lábios carnudos supersensuais. Durante um mês, observei do meu cubículo, no canto oposto da enorme sala retangular, o ritual da sua preparação para sair do trabalho: o ajuste da roupa, do cabelo, o retocar da maquiagem, a olhadinha final para dentro da blusa... Aquilo foi me trabalhando até o ponto de me exasperar ao vê-la passar por mim dizendo um lacônico "tchau". É óbvio que ela tinha direito, pensava eu, de se vestir como bem quisesse e de não dar a mínima para ninguém. Talvez ela tivesse um namorado, um noivo ou até um marido esperando num carro ou em casa. Ela tinha esse direito, mas eu também tinha direito de manifestar reações. E foi com essa disposição de espírito, há precisamente um mês, um mês tão excepcional na minha vida rotineira, que comecei a viver uma experiência digna de ser compartilhada. Como estou de férias e com tempo para escrever, resolvi tentar reproduzir esses episódios da maneira mais detalhada e possível, tentando inclusive reconstituir fielmente os diálogos que os animaram e que não me saem da memória.


Há um mês atrás, 11h55

"Engraçado, acho que a Tatiana e eu somos sempre os últimos a sair, mas só reparei isso hoje. Como é que ela sai por aí, à meia-noite, com essas roupas? (...)"

Eu estava imerso em pensamentos dessa natureza enquanto arrumava minhas coisas na mochila e me preparava para ir embora depois de mais um dia exaustivo de atendimento à clientela chata de uma empresa de informática. De repente, vejo Tatiana sair do seu compartimento e caminhar pelo longo corredor entre o mar de mesas, até parar em frente à minha fileira, no canto oposto da sala, perto da porta de saída. Imaginei que ela faria como todo dia, limitando-se a dizer um "tchau" muito seco e desaparecer porta afora, mas para espanto meu, ela estava sem suas coisas e, com uma voz gentilíssima, dignou-se a dirigir-me a palavra.
- Oi Walter, você vai para onde, saindo daqui?

Em questão de milisegundos, tirei um instantâneo da Tatiana: por cima do corpo bronzeado, um vestido esvoaçante, estampado em tons de azul e violeta, curtíssimo, deixando expostas as coxas mais lindas do mundo, assim como metade dos seios, dois globos, parcialmente cobertos pelo cabelo de ouro. Uma bonita sandália conferia-lhe uma simplicidade sensual. O rosto discretamente maquiado exceto pelo espetacular baton perfeitamente adequado à cor da pele a tornavam naquele instante o ser mais desejável do mundo. Pela primeira vez pude constatar de perto o quanto Tatiana era bonita.
- Vou para Laranjeiras, Tatiana. Por quê?
- Você vem de carro, não vem?
- Nem sempre, mas hoje estou de carro, sim. Você quer carona?
- É, eu... estou sem ter como ir para casa, hoje. O problema é que, bom... Eu moro na Tijuca. Se ficar ruim para você, pode me deixar num ponto de ônibus. Só peço para você esperar até o ônibus chegar.
- Que é isso, Tatiana! Eu levo você. Faço questão. Me dê só um tempinho de guardar minhas coisas, dar um pulo no banheiro e a gente vai embora.
- Não tem pressa nenhuma. Eu também vou passar no banheiro.
- Então vá indo na frente e a gente se encontra no estacionamento, ao lado da guarita do seu Jorge.
- Tudo bem. Até já.

Já no carro, tive a felicidade de constatar que o cinto de segurança fazia com que o vestido da Tatiana subisse.
- Ups! Ficou meio indecente.
- Não ligue para isso! Você já deve ter ouvido mil vezes que o que é bonito é para se mostrar.

Ela deu um risinho e tentou inutilmente puxar um pouco a extremidade do vestido.
- Você usa roupas muito sensuais. E isso é elogio, ouviu?
- Obrigada! Nosso trabalho é tão desvalorizado que eu tento botar uma cor para não me sentir murchando naquela sala de gente desanimada.
- É, não é nada agradável saber que se presta um serviço tão importante para clientes que nos tratam às vezes como lixo. Mas você já está na empresa há um tempinho. Desde quando, mesmo?
- Digamos que foi um "presente" pelos meus dezoito anos; estou para completar vinte. Um dia, minha mãe se virou para mim e disse que se eu não trabalhasse, teríamos que mudar para um sala e quarto, meu irmão menor, ela e eu. Imagine se eu podia continuar levando vida de estudante de Zona Sul!

Concentrada no diálogo, Tatiana se desligou um pouco e deixou seus braços penderem ao lado do corpo, deixando-me ver de canto de olho as suas coxas incríveis.
- É, respondi, a vida não é fácil para a maioria, mas despertar do sonho de adolescente é uma etapa dura da vida.
- Se é! Terminei o segundo grau e estou me matando de estudar para o vestibular antes de ir trabalhar. Tentei uma vez sem fazer cursinho, mas não deu nem para a saída.
- Entendo... Você passa os dias em casa estudando, então?
- Das nove às três estou enfiada nas apostilas.
- Mas tem um lugarzinho para os namorados nessa vida ocupada?
- Pois é, tinha até ontem. Foi por isso que pedi carona, disse ela fazendo um muxoxo e já ficando tristinha.
- Ah! Não fique assim. Você não queria arrumar marido aos dezenove, queria? Eu só vou pensar em casamento depois dos trinta. Falta pouco, mas quero aproveitar cada instante até lá.

Isso a fez rir e relaxar. Percebi que ela afrouxou um pouco o cinto de segurança e se virou mais para o meu lado, ficando com uma perna sobre a outra, o que descobriu muito a coxa direita. Senti uma ereção discreta empurrar-me a calça.
- Então o seu namorado vinha pegar você todo dia de carro?
- Todo dia! Ele fazia questão.
- Eu bem que me peguntava como você tinha coragem de sair por aí sozinha, à noite, com roupas tão curtas!
- Sério? Você acha que eu me visto sexy demais?
- Você deixa os caras do trabalho indóceis, nunca reparou?
- Não! fez ela, rindo da própria inocência fingida.
- Posso ser grosseiro uma vezinha só?
- Pode! respondeu ela, iluminada.
- Todo mundo quer levar você para a cama, naquela empresa.
- Nossa, Walter! Chega a esse ponto? Eu sempre me vesti assim e nunca pensei em provocar ninguém. Se eu me visto sexy é porque o meu namorado adora.
- Bah! Você está certa. Eu só me perguntava como você tinha coragem de sair sozinha tão tarde por aí, tomando ônibus. Mas está explicado: você não toma ônibus.
- Não tomava! Acabou a festa, disse ela, entre o choro e o riso.
- Você gostava muito dele?
- Ele tinha quarenta e três anos e era casado e pai de três filhos. Nós estávamos saindo há oito meses, mas ele não aguentou a barra de ter amante. E eu confesso que já estava enjoando de tanta complicação. Ele mudou de turno para poder me pegar à noite, mas com isso, a gente nunca fazia nada. Ele ia lá em casa me buscar para me levar para um motel e eu tinha que voar para o trabalho porque ele não tinha como me dar carona. Eu ficava exausta depois. Aí foi complicando até que ele terminou. Foi a melhor coisa. Eu fico um pouco triste, mas não me arrependo e estou legal. Mas fala de você um pouco.
- Bom, eu tenho 28 anos optei por esse emprego porque estou estudando alemão no Goethe para ir morar na Alemanha, que é o meu sonho. Como você, eu passo o dia estudando.
- Que legal! A Alemanha deve ser linda!
- Estive lá como turista. Parece um país legal de se viver e eu adoro o jeitão da Alemanha, com a Angela Merkel na cabeça.
- Xi, não entendo nada de política Walter! Ha! Ha! "Walter". Só agora reparei que você tem um nome alemão.
- Pura coincidência! Sou brasileiro até a raiz do cabelo.

Estávamos chegando à Pça. da Bandeira. Tatiana baixou o para-sol para se olhar no espelhinho e empinou-se toda. Pude ver a curvatura pronunciada das costas e os peitinhos firmes empurrando o tecido leve do vestido.
- Eu sempre olho no espelho para ver se estou com uma cara boa para chegar em casa. Minha mãe me espera chegar e repara cada detalhe em mim.
- Relaxe, você está uma delícia! exlamei.
- Walter!
- Se ofendeu?
- Não mas...
- Mas é verdade, não vou mentir que você também mexe comigo e...
- Agora você pega a Conde de Bonfim, interrompeu ela, ostensivamente, soltando o cinto para pegar sua bolsa de mão e uma sacola que ela jogara no banco de trás.
- A senhora é que manda! brinquei, encabulado.
- Droga! A sacola abriu!

De joelhos e debruçada no encosto do assento, Tatiana deu um jeito de repor na sacola as coisas que tinham saído por causa da trepidação. A visão periférica não era suficiente; trêmulo de excitação, direcionei o retrovisor até poder vê-la de costas. O microvestido escalava as coxas deixando a bunda praticamente descoberta a cada vez que subia. Uma calcinha azul, extremamente cavada cobria unicamente a separação das duas bandas carnudas e brancas do bumbum perfeito. Meu coração disparou e minha respiração se tornou ofegante, tive ímpetos de tirar uma mão do volante e acariciá-la, mas achei que poria tudo a perder. Uma ereção de aço se armou em minha calça e tentei contrabalançar a atenção à rua com a observação da cena pelo retrovisor. Tatiana, indiferente ao suplício que seu corpo me infligia, custou a repor tudo na sacola e poder finalmente trazer suas coisas para a frente.
- Ufa! As coisas tinham ido dar um passeio pelo banco de trás! disse ela, novamente bem-humorada.
- E enquanto isso, eu tive a visão mais maravilhosa do mundo.
- Hã? Não entendi, disse ela, olhando para mim, inocente.
- Posso dizer uma coisa que talvez você não vá gostar, Tatiana?
- Claro! respondeu ela me olhando nos olhos, intrigada.
- Enquanto você estava de costas, eu olhei pelo retrovisor... Eu vi até a sua calcinha.
- Nossa! Nem percebi que você estava me olhando. Mas apareceu tanto assim?
- Você tem o corpo mais delicioso que eu já vi na vida.
- Sério? Obrigada! fez ela, tentando mais uma vez inutilmente puxar um pouco a borda do vestido e já apontando para a rua José Higino, onde eu teria que deixá-la.
- Chegamos? perguntei, ainda sentindo a taquicardia.
- É logo ali. Não é tão longe, mas você viu como as ruas estão todas vazias? Só tem marginal, a essa hora.
- Deu quinze minutos. Se você quiser, posso te trazer sempre.

Reparei que Tatiana havia notado a modificação em mim e inferi que ela devia também ter reparado que meus olhos saltavam violentamente de um ponto a outro do seu corpo, que eles iam deixar de contemplar em instantes. Ela se despediu gentilmente, com um beijinho no rosto, porém menos caloroso do que eu esperaria, não fosse pelo incidente do retrovisor.
- De repente, Walter. Mas vou tentar dar um jeito de me virar sozinha. Eu tenho um amigo taxista.
- Pode contar comigo, viu, Tatiana? Eu vou direto para casa todo dia, moro sozinho e não tenho nenhuma pressa.
- Tá legal, a gente vê. Boa noite e obrigada.
- Foi um prazer, Tatiana. Até amanhã!
- Até amanhã.

Pela última vez, vi o vestido azul flutuar pelas suas coxas enquanto ela saltava do carro. Fiquei esperando de motor ligado até vê-la desaparecer pela portaria de um velho prédio de pastilhas.

Meu caminho para casa seria um pouco mais longo, era meia-noite e meia e minha excitação era incontrolável. Assim que pus o carro em marcha, abri o zíper e, sem baixar a cueca, me masturbei lentamente, recordando o que eu vira minutos antes pelo retrovisor. Aproveitei um sinal vermelho para chegar ao orgasmo, acompanhado de uma ejaculação intensa e farta. Isso me acalmou um pouco, mas não aplacou meu desejo; muito pelo contrário: se a Tatiana tivesse podido sentir por telepatia a noite de sonhos que tive com ela, teria fugido de mim no dia seguinte!

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