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Erotexto é um blogue dedicado ao erotismo que tem por característica uma rica diversidade de estruturas narrativas. Seu objetivo é triplo: entreter, desenvolver o interesse pela escritura e - o principal - motivar a reflexão sobre a libido e a busca do prazer, cujo fundamento biológico acredito ser de caráter essencial e universalmente bissexual.

Erotexto tem formato fixo. A primeira página comporta a última narrativa proposta (não necessariamente a última criação). O material arquivado consiste de contos e relatos classificados por categoria sob a rubrica "EroStock" (coluna à direita), bem como séries, novelas e folhetins. Para conhecer a acepção em que cada estrutura narrativa foi tomada, convido o leitor a clicar em "Pequena Teoria da Narrativa", aqui acima.

Uma comunicação contínua com o leitor faz-se através da rubrica "EroNovas", a primeira da coluna à direita. Meu e-mail está à sua disposição. Para reagir a uma publicação, clique na palavra "comentário", abaixo de cada texto.

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Que Erotexto possa excitar de modo agradável, são e prazeroso, inspirar o leitor a escrever suas próprias histórias e principalmente, motivar a reflexão.

Marc Fauwel

O E-mail Misterioso

Ontem, antes da ceia de Natal que decidimos fazer só entre nós, um grupo de cinco amigas de infância, resolvemos fazer um Jogo da Verdade que enfocasse episódios altamente eróticos que nunca tivéssemos revelado a ninguém. O que vou contar é o relato de uma das minhas amigas, que nos deixou pasmas, sentindo um misto de surpresa e inveja. Como eu sei que o relato em primeira pessoa é mais convincente, vou assumir a posição da narradora e fingir que fui eu a protagonista da história. Sei que nada se compara ao relato da própria pessoa que viveu a experiência, mas minha amiga não quis escrevê-lo. Espero que apreciem meu modo de contar.

Ana Maria W.
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É tempo de festas e uma boa época para tentar refazer contatos rompidos às vezes há anos. Alguns dias antes do Natal, resolvi sentar ao computador e sair catando tudo quanto é "ex" da minha vida: ex-vizinho, ex-amigo, ex-colega, ex-namorado. Enviei cerca de trinta emails contendo um textinho, alguma foto que cada um reconheceria facilmente, uma foto atual minha e um convite para integrar minha rede no Facebook. Isso me ocupou por vários dias e, quando terminei, comecei a viver dias de graça, ligando o computador ansiosa para ver se havia respostas e logo encontrando as primeiras. Quase todos me enviavam também suas fotos atuais e alguma foto que me lembrasse o tempo em que estávamos em relação. Logo nos primeiros dias, devo ter recebido umas oito respostas desse tipo. Ao todo, eu receberia resposta de umas dezoito pessoas.

Exatamente no dia vinte de dezembro, quinta-feira, recebi um email do Gustavo, um ex-vizinho, que dizia o seguinte:

"Oi, Aninha! Há quanto tempo, hein? O que você anda fazendo? Eu estou com 25 anos, terminei engenharia na Federal e acabei de ser contratado pela Petrobrás depois de dois anos de estágio. Te achei linda na foto e aposto que ainda está do jeitinho que eu te conheci no prédio da Laranjeiras. (...) Não deixa de dar uma olhada aí nas fotos que eu anexei, mas não repara a baixa qualidade porque são escaneadas. Vamos ver se a gente se encontra qualquer dia desses. Um beijão.  Gustavo."

Imediatamente após o texto, as fotos estavam abertas na própria página do correio eletrônico. Para espanto meu, eram seis fotos de um casal de adolescentes transando, nas quais não se via o rosto dele, mas as feições e o corpo da menina não deixavam nenhuma dúvida: era eu. Fiquei branca, gelada, olhando as fotos e sentindo meu coração bater a mil por hora, pensando em alguma brincadeira de mau gosto ou até chantagem. Como não posso pô-las aqui, vou tentar descrevê-las da melhor maneira.

Na primeira foto, eu apareço nua, deitada numa cama estreita, com a cabeça no peito dele, olhando sorridente para a mão com a qual eu estou segurando o sexo dele em plena ereção. O rosto dele está encoberta pelo meu corpo, mas o corpo é de um menino moreno, magrinho, de cabelos castanhos revoltos e, pelo pedaço de queixo que aparece na foto, tão jovem quanto eu, que devia estar com uns dezoito anos.

Na segunda foto, eu apareço ajoelhada na cama ao lado dele, que está deitado de costas, aparentemente com as mãos atrás da cabeça. O tronco e a cabeça dele estão encobertos pelo meu corpo. Minha mão esquerda aparece envolvendo a base do sexo dele, enquanto a outra mão está segurando o cabelo para trás, talvez para que ele pudesse ver. Meio sexo dele está na minha boca e eu estou de olhos fechados.

Na terceira foto, eu apareço de lado e de costas, sentada nas coxas dele, que continua deitado de costas. A qualidade da foto escaneada não permite ver nitidamente, mas eu estou ligeiramente erguida, com a coluna muito ereta e, sob o meu corpo aparece uma parte do sexo duro desse meu misterioso conquistador.

Na quarta foto, sou eu que apareço deitada de costas, com as pernas erguidas, os joelhos flexionados sobre o peito e ele entre as minhas pernas, apoiado nos braços tensionados. As nádegas brancas dele aparecem bem abertas e entre elas os testículos. Não se vê o sexo, mas não é difícil concluir que ele está dentro do meu.

Na quinta foto, eu apareço de bruços, com a cabeça numa almofada, mas virada para o lado oposto à objetiva da câmera. Estou de joelhos na cama e o menino aparece de costas, também de joelhos, me segurando pela cintura em clara atitude de esforço para frente; sua bunda - muito bonitinha nas demais fotos - aparece com as dobras exageradas e uma concavidade que deforma a nádega direita.

Na sexta e última foto, eu apareço sozinha na cama, numa atitude descontraída, rindo bastante, deitada de costas com as pernas abertas e joelhos flexionados, olhando desta vez para o lado em que se encontra a objetiva dessa câmera-fantasma. Vê-se parcialmente o corpo dele do ombro para baixo, de pé, ao lado da cama, segurando meu braço esquerdo com as duas mãos, como se o forçasse para me fazer pegar em seu sexo, que aparece em semi-ereção. Vê-se mais nitidamente o seu corpo moreno e esguio.

Vi e revi as fotos dezenas de vezes, mas não consegui identificar o quarto no qual foram tiradas e - o que parece mais incrível - nem o menino com quem eu apareço transando, que, diga-se de passagem, não é o Gustavo, remetente do email com as fotos. Revi a lista de todos os ex-namorados, ex-colegas, ex-amigos e ex-vizinhos com quem tive breves episódios sexuais, mas foi inútil. A bem da verdade, eu não sabia nem em que lugar aquelas fotos tinham sido tomadas! Pode parecer exagero meu, mas dos treze aos dezoito anos, não havia uma semana sem que algum "programinha" acontecesse me incluindo. Começou com beijos e apalpadelas, mas logo vieram as chupadinhas rápidas e sem maiores conseqüências, até que, dos dezesseis em diante, não se passava uma semana sem que eu recebesse várias propostas. Eu tinha vários amigos com as características do menino das fotos e, como eu apareço completamente nua, não há uma peça de roupa que me permita datar melhor o evento. Entrei num estado de apreensão dos mais estranhos, esperando o desfecho daquela situação, mas como nada acontecia, resolvi escrever ao Gustavo pedindo a ele que explicasse melhor aquilo. Na resposta, Gustavo dizia saber que eu ia ficar intrigada e propunha um encontro para colocarmos o papo em dia e esclarecer tudo. Concordei e ficamos de nos ver no domingo, antevéspera do Natal.

Assim que cheguei ao local do encontro, numa sorveteria perto da praça Barão de Ipanema, avistei Gustavo na calçada. Não nos víamos há dez anos, mas aparentemente, nenhum dos dois mudou muito. Nos cumprimentamos com um grande abraço, beijinhos, mas nem entramos na sorveteria; Gustavo estava de carro e queria que fôssemos a um outro lugar, a casa de alguém. Hesitei um pouco, mas, ansiosa, concordei. Assim que eu pus o cinto e Gustavo deu a partida, ele jogou nos meus joelhos um envelope de papel pardo. Dentro dele estavam as seis fotos que ele me mandou por email, mais umas trinta fotos da mesma ocasião. Fui olhando foto por foto, mais intrigada do que propriamente encabulada. Gustavo tinha sido um namorado-vizinho com quem eu pratiquei todo tipo de sexo adolescente. Nós descobrimos o sexo juntos e  conhecemos centímetro por centímetro do corpo um do outro. Eu estava bem mais inquieta porque alguém tinha fotografado uma transa completa entre mim e aquele menino moreno que eu não conseguia identificar.
- E aí? Não reconhece?
- Não mesmo, Gustavo. Já vasculhei a memória e não encontro!
- E pelo visto vocês se divertiram bem!
- Pelo visto! Mas aonde estamos indo?
- Calma! E confie em mim, ouviu? Depois você vai rir disso tudo.
- Espero! E é claro que confio em você.

E lá fomos nós, em direção à Barra da Tijuca, que eu conheço muito mal porque não tenho carro. Paramos numa daquelas ruinhas bem arborizadas, saímos do carro, atravessamos a rua e entramos num prédio de três ou quatro andares e varandas amplas. Diante da porta, Gustavo me percebeu nervosa e me tranqüilizou, dizendo que eu não tinha nada ("mas nada mesmo!") a temer. Ele tocou e, para segunda grande surpresa minha, quem atendeu foi o Fábio, outro ex-vizinho do mesmo prédio em que o Gustavo e eu passamos a infância e adolescência. Quando nos vimos, pulamos nos braços um do outro como se estivéssemos há décadas sem nos ver. Eu tinha enviado a ele um email para tentar restabelecer contato, mas ele ainda não tinha respondido. Fabio tinha se transformado, de menino lourinho sem graça, espinhento e branquelo, num homem bonito, de rosto fino, cabelo curto espetadinho para cima, aspecto tranqüilo, seguro e sorridente. Ele e Gustavo se cumprimentaram e nós fomos convidados a ir até a sala de estar. Fábio serviu cervejas e nos preparamos para atacar o assunto que tinha nos levado lá.
- A Aninha pirou com as fotos, Fábio. Você acredita que ela não reconhece o cara que está com ela de jeito nenhum?
- Não brinca! Achei que ela fosse reconhecer de estalo!
- Que nada! Estou me roendo de curiosidade!, interferi, já tirando as fotos do envelope pardo e colocando o maço na mesa de centro.

Fábio pegou as fotos, passou uma por uma, fazendo comentários picantes sobre o meu corpo. Eu reagia fazendo caretas e passava as fotos adiante. Nós também tínhamos tido alguns episódios de sexo, aqui e ali, ora na casa dele, ora na minha, quando nossos pais não estavam, mas logo paramos porque ele se apaixonou e eu só queria aproveitar a vida. Mas não era ele nas fotos. Ao contrário do menino das fotos, Fábio era louro, sempre teve cabelo curto e era mais para cheinho. Eu continuava intrigadíssima e cada vez mais curiosa para ter a explicação que me faria entender tudo.
- Olha bem para esse quarto e essa cama, Aninha, começou Gustavo.
- Já olhei mil vezes, mas não me lembro!
- Olha de novo. Eu ajudo você a "ver".

Fui pegando as fotos novas e, quando ia passar uma delas, senti a mão do Gustavo me impedir de continuar.
- O que você vê nessa foto?
- Uma cama, a mesinha de cabeceira e o chão de cerâmica vermelho.
- Que aparece pela primeira vez nas fotos. Onde é que você viu esse chão, Aninha? Tenta lembrar.

Parei, olhando fixamente para a foto, depois para o teto, tentando encontrar uma tela para a memória.
- Chão de lajotas, móveis velhos, trazidos de outra casa, pintura meio descuidada... Isso não te lembra nada?, continuou Gustavo.
- É, Aninha... Tente se lembrar!, disse o Fábio. Vou dar uma dica com uma pergunta: é na cidade? É aqui no Rio?

Olhei outras fotos, espalhei várias na mesa, olhei, olhei e...
- Já sei! Lembrei! Isso é na casa da praia do Juninho!
- Acertou!, disse Gustavo abrindo um largo sorriso.
- E na casa de praia do Juninho, eu...
- Transou com o Gabriel - o "Biel Lhama" -, completou Fábio.
- O Lhama! Caramba! Eu fiquei com esse menino uma vez! Vocês armaram de fotografar a gente? Foi o Lhama que armou tudo?
 - Não, não. Nem ele nem você sabiam de nada. E ainda bem que não tinha internet, porque do jeito que a gente era, vocês estariam num site a essa hora!
- Que canalhas!, exclamei, achando graça. Mas quando eu olho para isso, lembro com saudades daquela turma tão unida.
- E tão aberta!, acrescentou o Gustavo. A gente já se divertia com sexo, não tinha pudor uns com os outros. Você se lembra como todo mundo da turma trocava de roupa numa boa na frente dos outros?
- Se lembro! Era bom demais. Tudo começou porque a gente fazia teatro e nunca tinha lugar para trocar de roupa. O teatro soltou a gente.
- É mesmo. Eu, que era tímido, fiquei um desavergonhado exibicionista!, brincou Fábio.
- Quem diria, hein, Fábio!, implicou o Gustavo. Aquele lourinho todo tímido, abrindo o sobretudo para as menininhas na rua, hahahah!
- Que nada... Vocês sabem que não sou nenhum Spike, confessou ele, sorrindo discretamente.
- Mas gente, que fim levou o Lhama?, perguntei, louca para juntar as peças do quebra-cabeça.
- Sumiu!

Essa voz era diferente das outras e vinha de alguém se aproximando pelo corredor. Quando me virei para olhar, perdi a fala, fiquei de olho arregalado por uns segundos e por fim soltei, ainda incerta:
- Lhama?!

Os três meninos se entreolharam e se voltaram todos para mim, que mal conseguia esconder a alegria sob a expressão de surpresa. O recém-chegado se aproximou e me puxou do sofá, me apertando nos braços e cobrindo meu rosto de beijos. Nós não nos víamos há mais de dez anos e eu nunca poderia imaginar revê-lo.
- Eu mesmo, Aninha, o Lhama. Eu também fiquei surpreso quando eles me mandaram as fotos pelo email...
- Pois é, Ana, interrompeu o Gustavo. Assim que você entrou em contato comigo e com o Fábio, nós articulamos a vinda do Lhama, que é de Búzios e mora na casa vizinha daquela que aparece nas fotos.
- E aí, Ana? Está começando a lembrar das férias que nós passamos todos juntos em Búzios?, indagou o Fábio.
- Claro! Claro! Agora estou me lembrando de tudo! Eu só conheci o Lhama em Búzios porque... sei lá, era um amigo do Gustavo, não é?
- Exatamente. O Lhama era um vizinho do Juninho que eu fiquei conhecendo da primeira vez que eu fui passar férias lá.
- E foi lá que eu vi a Ana pela primeira vez e nós tivemos "tesão à primeira vista", se lembra, Aninha?, perguntou o Lhama, com ar maroto.
- E como! Assim que eu vi aquele menino moreno lindo de cabelo desgrenhado, só de sunga, corpinho dourado e jeitão largado, comecei a pensar "naquilo" sem parar! Acho que a gente transou no mesmo dia ou no dia seguinte ao da chegada, não foi?
- É, no dia seguinte à tardinha, na volta da praia, respondeu o Lhama, todo animado e feliz com o reencontro.

Já me era possível imaginar como tinham sido feitas as fotos, mas eu queria ouvir a explicação. O grupo estava completo, em torno da mesinha cheia de fotos da minha transa com o Lhama. Quando eu parava para olhar a cena de fora, me enchia de satisfação por ter entrado em contato com os meus ex e por estar tendo aquele reencontro tão sensual e amistoso com eles. Gustavo começou a contar.

- Assim que o Lhama teve a certeza de que vocês iam transar, me contou e eu me articulei com o Fábio. Da janela de um dos quartos da casa do Lhama dava para ver o quarto do Juninho onde a galera dormia, alguns na cama e outros em colchonetes. A máquina do Juninho tinha uma teleobjetiva 200mm e quem tirou as fotos foi o Fábio.
- Mas que miserável!, exclamei, fingindo zanga.
- Calma!, interrompeu o "fotógrafo". Me deixem contar! A gente combinou com o Lhama que ele ia fazer tudo para deixar a janela aberta. Como o quarto era no segundo andar, ninguém ia ver, coisa e tal... Não sei se você se lembra, Aninha, mas você chegou a encostar as venezianas e o Lhama foi lá abrir de novo.
- Eu dei a desculpa de que eu queria ver o corpo dela. Pior que era verdade!, disse o Lhama em tom brincalhão.
- Não me lembro de nada disso!, interferi. Eu estava tão doida pelo teu corpo que eu só devia estar pensando na transa.
- Bom, mas foi isso, continuou o Fábio. Quando o Lhama reabriu a janela e foi para a cama com você, eu comecei a fotografar e não parei mais até a trigésima sexta foto. Não me perguntem em que estado eu fiquei, porque mesmo que vocês tenham sido bem caretinhas, não saí do banheiro durante uns 15 dias!

Todos rimos muito enquanto o Fábio tentava se lembrar das peripécias da sua ação de "fotógrafo pornô por um dia". De vez em quando, Gustavo, Lhama e eu nos olhávamos e eu podia sentir que a amizade é coisa sem fim e a intimidade volta num instante. Em especial, quando meus olhos cruzavam os do Lhama, um leve arrepio me percorria o corpo, talvez como o que eu devo ter sentido na praia, ao ser apresentada a ele há mais de dez anos. Quando o Fábio terminou, nós tínhamos voltado no tempo, estávamos com dezessete, dezoito anos e, de certa forma, também no espaço, de volta a uma casa de praia só nossa. Gustavo, o mais atirado, aproximou-se e me deu um beijo na boca, longo, molhado, fazendo-me sentir o calor da sua língua e o desejo de reproduzir a quatro o que eu tinha concedido apenas a um deles. Retribuí e não ofereci nenhuma resistência quando ele tirou minha blusa sem manga e desabotoou meu sutiã, fazendo-me expor os seios aos meus ex-amantes de adolescência. Fábio saiu da sua poltrona e também veio para o sofá, sentando-se do lado oposto ao do Gustavo. Em seguida, o Llhama veio ficar de joelhos na minha frente, desabotoou minha calça jeans, tirou-a, depois tirou minha calcinha e a jogou sobre as fotos na mesinha de centro, deixando-me completamente nua. Logo comecei a me sentir quente e molhada, cheia de expectativas sobre o que estava por vir.

Olhando bem nos meus olhos com o mesmo rosto sorridente que eu conhecera tantos anos antes, o Lhama me fez avançar até ficar sentada quase na beira do sofá. Depois, colocou gentilmente cada uma das minhas coxas bem abertas por cima das pernas do Gustavo e do Fábio, que começaram a acariciá-las enquanto lambiam e chupavam meus seios, mordiscando os biquinhos já entumescidos e me fazendo gemer. Gustavo logo se livrou da calça e da cueca e levou minha mão ao pau longo e curvo de que eu ainda me lembrava bem, sendo imitado pelo Fábio, sempre mais retraído, mas dono de um encanto que sempre me excitou, talvez exatamente por causa dessa timidez. Enquanto isso, o Lhama começou a lamber minha barriga, enfiar a língua no meu umbigo, descer até os pelinhos curtos e encharcá-los de saliva quente, até chegar à longa fenda do meu sexo generoso e carnudo de mulher grande.  Assim que a saliva penetrou quente na fenda, senti meus líquidos ferverem em meu interior e o processo de lubrificação ser desencadeado. Abri completamente as pernas, oferecendo-as às mãos que as acariciavam e franqueei ao Lhama todo o acesso ao meu sexo em chamas, abrindo eu mesma a fenda com uma das mãos e liberando os lábios internos que atraíram a sua língua alucinada. Ele começou a me lamber de alto a baixo, detendo-se no meu clitóris bem saliente para estimulá-lo com toques repetidos de língua, levando-me às estrelas. A cada vez que ele sentia que eu ia gozar, descia e para ir lamber o períneo e o outro orifício, logo abaixo, só voltando quando minha respiração menos ofegante lhe indicava que o desejo de gozar tinha se amortecido um pouco. Então ele recomeçava a cutucar meu clitóris com a língua e a introduzir dois dedos no meu sexo, me excitando novamente até quase o orgasmo, e assim por diante. Logo percebi que os meus três ex iam me dar preliminares de rainha.

Foi a vez de Gustavo ficar de joelhos na minha frente. O Lhama tomou o seu lugar no sofá, entregando-me seu pau grosso e carnudo e começando imediatamente a me beijar com paixão, introduzindo sua língua lá no fundo, chupando a minha, colhendo e engolindo a minha saliva, afagando meu rosto e meu cabelo. Em dado momento, talvez após um sinal do Gustavo, ele e Fábio levantaram minhas coxas até esmagar meus seios com elas, deixando-me quase deitada no sofá, com os pés acima da cabeça e meu sexo e ânus totalmente exposto ao Gustavo, que só teve que abrir meus grandes lábios para desfrutar do meu corpo e do meu suco. Foi sua vez de começar a lamber vorazmente o meu clitóris e a introduzir dedos no meu sexo encharcado. Eu me agitava, beijava ora o Lhama ora o Fábio, masturbava seus dois sexos tão diferentes, olhava para eles tentando reconhecê-los do tempo em que "brincávamos" e gemia, gemia, gemia... Gustavo também não me levava ao orgasmo e a excitação começou a fazer-me entrar em descontrole total.

Foi a vez de Fábio sair do sofá. Gustavo e Lhama me pediram para virar de costas para ele, com os joelhos entre as pernas deles, que ficaram cada um com um seio meu à altura da boca. De joelhos no sofá, Fábio me segurou pela barriga e começou a roçar seu sexo quente em minha bunda, depois a esfregá-lo entre as minhas coxas, novamente entre as minhas nádegas, distraindo-me um pouco dos quase-orgasmos a que eu tinha sido submetida e que já haviam me transtornado tanto. Aproveitei aquele momento de trégua para sentir meus seios sendo sorvidos pelos meus dois ex, mas momentos depois, senti Gustavo puxar-me para si, obrigando-me a passar completamente para o seu lado, ficando de frente para ele e com suas coxas entre as minhas. Ele me fez sentar em suas coxas e começou a me beijar na boca, apertar e acariciar minhas nádegas, enquanto o Lhama, que foi se ajoelhar no chão, lambia meu ânus - que eu sentia totalmente repuxado devido à minha posição. Fui ficando muito quente e molhada, desejando desesperadamente ser penetrada por aqueles homens tão diferentes e ardentes, mas percebendo que estava sendo conduzida por eles e que naquele dia, ao contrário do que sempre tinha sido, eles estavam no comando.

Não vi Fábio ir para trás do sofá. Só percebi que ele estava lá quando senti meu rosto acariciado por cima. Sentada nas coxas do Gustavo e estimulada pela língua ávida do Lhama, eu estava suficientemente elevada para repousar a cabeça no encosto do sofá. Abri os olhos e vi o rosto do Fábio bem acima da minha cabeça. O carinho vinha do seu membro, duro e roliço no meu rosto. Ergui a cabeça, um pouco entorpecida porque o Gustavo não parava de chupar e acariciar meus seios, lambi os lábios e os deixei invadir pelo delicioso pau do Fábio, que, totalmente encharcado do seu próprio suco, deslizou por eles e pela minha língua indo instalar-se bem no meio dela, contra o céu da boca. Fábio tem um pau reto e bem feito, perfeitamente proporcional à glande volumosa e bem formada. Quando nós brincávamos, na adolescência, era eu que tinha que tirá-lo da calça jeans e da cueca do menino tímido e calado para enfim poder pegá-lo e - quantas vezes! - pô-lo na boca e chupá-lo até fazer o menino tímido e calado gozar suspirando sem nunca dar um gemido. Agora, do mesmo modo, era eu que o convidava a invadir minha boca entreaberta e ir deitar-se na língua quente e molhada que ele conhecera há mais de uma década. Minha língua e lábios reconheceram o diâmetro, a dureza e o sabor daquele corpo querido, que só desejava ficar lá, como se tivesse retornado a algum lugar de predileção, enquanto os dedos do Fábio apertavam nervosos o encosto do sofá.

Enquanto eu rememorava sensações pretéritas com o Fábio, senti Gustavo parar de chupar meus seios e começar a acariciá-los com as duas mãos, espremendo e torcendo os dois mamilos, reativando minha excitação e fazendo-me começar a chupar com vontade o que eu tinha na boca. De repente, senti uma terceira mão invadir-me por baixo e quando olhei, vi que ela empunhava o membro duro e curvo do Gustavo para puxá-lo para trás e introduzi-lo em mim. Escondi o espanto, mas concluí que a intimidade entre o Gustavo e o Lhama era bem maior do que eu poderia supor, porque, embora me considerasse experiente, tendo feito várias vezes sexo com mais de uma pessoa, eu ainda não tinha visto um amigo ajudar o outro a me penetrar ou a outra mulher.

Mas a coisa é muito excitante para os três, ao que parece. Ao perceber a intenção do gesto, ergui-me um pouco nos joelhos e, quando senti o contato com a glande do Gustavo, soltei o peso e deixei entrar o corpo grosso e curvo, sentindo o atrito mais pronunciado de um lado da entrada. Quando a mão fechada do Lhama saiu, pude deixar o resto do tronco longo e roliço me penetrar até o fim, pondo-me em contato com a temperatura um pouco mais fria do saco. Dois dos meus orifícios estavam sendo alargados e os corpos que os alargavam começaram a se mover, um entrando no sexo quando outro saía da boca, produzindo um ritmo que me causava um prazer indescritível. Pouco depois, o Lhama voltou a lamber meu ânus, ainda mais dilatado e exposto depois que o Gustavo começou a me penetrar. Vez ou outra, eu sentia Gustavo calorosamente aconchegado dentro de mim enquanto eu sorvia o líquido espesso e liso que brotava da glande morna em minha boca. De fato, nossa adolescência tinha voltado com tudo, inclusive seus trejeitos ambígüos, e meus amantes estavam dispostos a comemorar de maneira inesquecível o reencontro provocado por mim.

Gustavo e Fábio passaram bons minutos me penetrando por baixo e por cima, como se seus corpos tivessem que se encontrar a meio-caminho dentro do meu. Eu cavalgava Gustavo como se estivéssemos trotando e o deslizar macio do membro dele me estimulava a deixar que o do Fábio fizesse o mesmo, indo bater no fundo da minha garganta fazendo-me devolvê-lo encharcado de uma baba espessa que o ligava a mim até quando ele saía completamente da minha boca. Nesses momentos, eu olhava para o Fábio nos olhos e ele retribuía com o velho sorriso suave e tímido, mas divertido, que tanto me agradava ver anos antes. Subitamente, senti meu ânus sendo solicitado por Lhama, que, depois de lambê-lo e molhá-lo copiosamente, de estimulá-lo e relaxá-lo com o polegar, pôs-se a forçá-lo com outra ferramenta, mais possante e volumosa. Essa variante sempre desvia a atenção da mulher. Tive que abandonar o Fábio e olhar para trás. Lhama estava de pé por trás de mim, forçando levemente com seu membro em riste a entrada ainda não autorizada do meu corpo. Fiz que sim, mas minha expressão dizia claramente que ele deveria tomar cuidado. Lhama piscou um olho para me agradecer e tranqïlizar, mas a expectativa não me permitiu voltar logo aos meus afazeres com o Fábio. Parando também de cavalgar Gustavo, empinando-me ao máximo, me senti como uma felina que o macho imobiliza ao morder-lhe o cangote. Por baixo de mim, senti Gustavo se acomodar da melhor maneira e me ergui um pouco mais, deixando seu pau pela metade pulsando dentro de mim. Lhama agarrou-me pelos flancos e me fez sentir a pressão em toda a circunferência do ânus, expandindo-o, dilatando-o para permitir a passagem do corpo duro e grosso do meu terceiro homem.

Nenhuma penetração anal é fácil, suave e imediatamente prazerosa como a penetração vaginal. A conquista do prazer pela penetração anal é sofrida, daí ser tão cobiçada. A fêmea sofre, se contorce, grita, às vezes chora. O macho sente a constrição do seu membro, o repuxar do prepúcio e às vezes, também, dor no "freio" da glande. Esse desconforto é condição sine qua non ao prazer que se seguirá logo depois. A fêmea custa um pouco mais a chegar ao prazer; algumas não o atingem. O macho tem o duplo prazer de estar alargando, arreganhando, arrombando, dilacerando, o que lhe dá a impressão de estar deflorando ou desvirginando toda mulher, não importa qual, até uma puta. Aprendi que a mulher tem que saber dar ao homem esse prazer na forma mais plena, isto é, tem que fazer com que ele se sinta estar tirando sua virgindade, deflorando-a. Muitas mulheres não sabem disso, mas a mulher sempre tem um hímem à sua disposição e o homem sempre quer esse hímem. Ao olhar para o Lhama com verdadeira apreensão, eu transmiti a ele a convicção - legítima - de que ele ia me deflorar, desvirginar. De posse dessa convicção, ele investiu com renovado ânimo e arremeteu repetidamente na porta circular, até fazê-la ceder e abrir em toda a circunferência. Senti a cabeça ocupar toda a entrada, fazendo-a atingir o seu máximo diâmetro e provocando em mim uma dor aguda, que seria quase insuportável se eu não tivesse memória para me lembrar do prazer incomparável que isso prenunciava. Com a mão para trás, empurrando sua barriga, impedi o Lhama de prosseguir. Eu queria me acostumar ao diâmetro máximo antes que a glande fosse absorvida e o diâmetro do tronco prevalecesse. Senti-la encaixada em mim, grande, dilatada, pulsante, até que a dor aguda passasse, era um ponto de honra. Lhama entendeu logo e parou, enquanto Gustavo fazia alguns movimentos para me dar algum estímulo puramente prazeroso. Minha vagina respondeu bem ao estímulo. E eu também, porque logo tive vontade de repor na boca o membro do Fábio, que observava excitado a minha sodomização. Tirei a mão da barriga do Lhama, em sinal de que ele podia prosseguir. Bastava uma última pressão para que o cu tragasse o pau grosso e carnudo e o fizesse percorrer, deslizando, o meu reto, até que o saco frio roçasse a pele sensível da minha bunda. Ouvi um longo gemido e, como uma locomotiva que se repusesse em movimento, cada um retomou suas ações e nos transformamos numa só máquina sexual.

Eu não costumo usar o verbo "socar" nas minhas descrições, mas vou usá-lo nesta porque foi assim que eu senti a ação do Gustavo, do Lhama e do Fábio naquele sofá. Assim que o Lhama me penetrou, os três começaram a "socar" com seus paus, suas picas, seus cacetes, suas rolas, nos orifícios que eu lhes franqueava incondicionalmente. O jogo de palavras "socar + alho" me veio logo à mente, fazendo-me ver o Lhama e seus dois amigos como três imensos caralhos socando como pilões nesse receptáculo em que o meu corpo tinha se transformado. Com a boca ocupada, eu gemia quase aos soluços, quase engasgando, quando fui passando ao galope com o Gustavo e pedi ao Lhama para socar com violência. Ele se agarrou à minha cintura e acelerou seus movimentos. Pude sentir os paus quase se esfregando um no outro, me alucinando de prazer, separados apenas pela fina parede entre minha vagina e meu reto. Eles me disseram que também se sentiam mutuamente. Gustavo começou também a socar freneticamente seu longo pau curvo, indo bater a cabeça sabe-se lá onde no fundo das minhas entranhas.

Foi então que senti a onda do orgasmo se aproximando. Meu corpo foi sendo inteiramente tomado por aquele arrepio, aquele "nervoso" que eu conheço desde o fim da puberdade, aquela sensação acompanhada de um jorro que me inunda por dentro, encharcando e liberando o membro  aprisionado em mim, seguida dos espasmos que me amolecem e provocam um total descontrole motor, sobretudo nas pernas que se agitam e se contraem como quando o médico dá marteladinhas no joelho de uma garotinha. Super-lubrificados, os pilões ou pistões começaram a deslizar livres de atrito dentro de mim. Gustavo e Lhama engrenaram num vaivém coordenado e rápido que parecia não precisar parar nunca mais. Na minha boca, Fábio, que também tinha passado a socar a ponto de puxar minha cabeça para acelerar meus movimentos e aprofundr-se, começou a enrijecer além do normal e a inchar mais e mais, dando estocadas cada vez mais rápidas e fortes, para acabar explodindo numa ejaculação que veio em vários jorros densos e longos, no céu da boca, no fundo da garganta, na língua, depois no rosto, olhos, testa e cabelo. Tentei retirar um pouco de esperma do olho, mas o trabalho incessante do Gustavo e do Lhama acabaram me fazendo espalhar tudo pelo rosto. Fechei os olhos e me concentrei nos meus próprios orgasmos, que se fundiam um no outro me dando a impressão de ser um só, interminável. O primeiro a sair de mim foi o Lhama, com seu pau grosso e carnudo que me deixou uma espécie de vazio. Ouvi um longo gemido e senti o esperma já frio vir se chocar em pequenas porções à pele sensível das minhas costas, enquanto meu reto e ânus retomavam suas dimensões normais. O Lhama estendeu-se no tapete com a respiração ofegante e soltando uma interjeição de admiração, enquanto o Gustavo, que parecia ter entrado num moto perpétuo, me forçou a cavalgá-lo de maneira a estimular mais fortemente seu pau longo e curvo. Com as mãos em seus ombros, comecei a saltitar sobre suas coxas, tentando levar ao orgasmo aquele membro que parecia não conseguir sair de mim. Exausta, me dei conta de que precisava de ajuda. Lembrando-me de uma cena anterior, olhei para o Lhama, ainda deitado no chão, e fiz um sinal de desespero com o rosto, articulando um "socorro!" silencioso com os lábios. Fingindo estar aceitando uma tarefa dificílima, ele se pôs novamente de joelhos diante de nós e, sem nenhum receio de revelar a intimidade especial que ele tinha com o velho amigo que ele conhecera há tantos anos numa casa de praia, começou a acariciar as bolas e o grande membro que entrava e saía de mim sem atingir o orgasmo porque deslizava nos meus fluidos. Gustavo logo percebeu esse estímulo suplementar e, sorrindo, não tardou a me anunciar que ia gozar. Saí dele e continuei de joelhos no sofá, observando Fábio masturbá-lo como um aluno aplicado. Gustavo me olhou rapidamente com ar de "Dessa você nem desconfiava, né?" e voltou a se concentrar na manipulação do seu longo membro curvo pelo amigo, até que, apertando minha coxa com uma das mãos, começou a esguichar seu líquido, que o Lhama conseguiu direcionar para a barriga e para o peito, até que a última gota escorreu longa sobre o umbigo redondinho e bem feito. Gustavo estava satisfeito, sorrindo, cansado e ofegante, olhando para a mão do Lhama, que espalhava seu esperma por todo o seu peito bonito e musculoso. Eles teriam toda a noite para me explicar como tinham expandido as suas opções sexuais depois de uma adolescência que, para mim, parecia 100% heterossexual.


Fábio também ficou satisfeito. Ele sabia que eu não recusaria o convite para passar a noite e que, mais tarde ou no dia seguinte, o presentearia com o que eu havia outorgado aos outros dois.  Além do corpo delicioso, ele não tem mais espinhas, se tornou um belo cisne e, como pude descobrir, um amante de primeira. Ele era o anfitrião e, como tal, teve direito a um agradecimento especial. Quanto ao Lhama - meu coadjuvante nas fotografias tiradas pelo Fábio -, ele me explicou que se descobriu bissexual poucos meses depois do nosso encontro faiscante na casa da praia. Revendo as fotos e conversando com meus três ex, fui reconstituindo aquelas férias de verão em Búzios e consegui me lembrar que, de fato, o atrativo principal que eu tinha encontrado no Lhama e que tanto me seduziu foi justamente uma feminidade que emanava do seu corpo delgado, do seu rosto fino e do seu jeito meigo, em outras palavras, de uma androginia ainda não descoberta.

O e-mail com as misteriosas fotos estava esclarecido, o reencontro com meus ex foi um êxito total e eu não poderia desejar um fim de ano melhor.

Ana Maria W.

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