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Erotexto é um blogue dedicado ao erotismo que tem por característica uma rica diversidade de estruturas narrativas. Seu objetivo é triplo: entreter, desenvolver o interesse pela escritura e - o principal - motivar a reflexão sobre a libido e a busca do prazer, cujo fundamento biológico acredito ser de caráter essencial e universalmente bissexual.

Erotexto tem formato fixo. A primeira página comporta a última narrativa proposta (não necessariamente a última criação). O material arquivado consiste de contos e relatos classificados por categoria sob a rubrica "EroStock" (coluna à direita), bem como séries, novelas e folhetins. Para conhecer a acepção em que cada estrutura narrativa foi tomada, convido o leitor a clicar em "Pequena Teoria da Narrativa", aqui acima.

Uma comunicação contínua com o leitor faz-se através da rubrica "EroNovas", a primeira da coluna à direita. Meu e-mail está à sua disposição. Para reagir a uma publicação, clique na palavra "comentário", abaixo de cada texto.

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Que Erotexto possa excitar de modo agradável, são e prazeroso, inspirar o leitor a escrever suas próprias histórias e principalmente, motivar a reflexão.

Marc Fauwel

A Odisséia de Aninha (folhetim, episódio XVIII)

18. Vinicius

Soraya convenceu Gabriel a ficar, mas ele passou o final de segunda, a terça e quase toda a quarta-feira pisando em ovos, ainda que ele e Aninha tenham dado um jeito de se desencontrar ao máximo. Na quarta-feira, Soraya volta para casa na hora habitual, por volta das 18h. Gabriel se alegra ao ver um rosto amistoso.
- Oi, Gabriel! Pensei que você tivesse saído.
- Eu fui à praia de manhã, mas voltei lá pelas duas.
- Ah, aproveitando, hein! Aninha ligou lá para a loja avisando que vai voltar tarde – se voltar – e eu estou louca para dar uma saída. Topa? A gente podia até comer hamburger e tomar sorvete. Eu pago!
- Demorou!
- Só vou tomar um banho rapidinho, botar uma roupa e estou pronta.
- Legal.

Ocorre que antes de entrar no banho, Soraya se lembra que esqueceu de pegar calcinha e sutiã e sai completamente nua do banheiro. Quando ela chega ao quarto, Gabriel está por sua vez nu em pelo procurando o que vestir na gaveta que Aninha lhe destinou. Não há o que fazer, qualquer reação seria ridícula e ambos sabem disso. Eles ficam frente a frente, tentando apenas tapar o essencial.
- Bom, agora você viu o que que ficou faltando quando me passou bronzeador, diz ela, dando um risinho amarelo, aproximando-se do guarda-roupa.
- É, e acho que você também viu o que a sunga não cobre, responde ele, ajudado pelo machismo a sentir-se um pouco menos tímido que ela.

Gabriel recua até a parede para que ela abra a gaveta, cobrindo-se discretamente com duas mãos, mas é tarde demais; ainda que de relance, Soraya já viu aquilo para o qual Aninha lhe disse que ela deveria estar preparada se quisesse mais intimidade com ele. Ela pega o primeiro sutiã e a primeira calcinha que encontra e volta ao banheiro. Gabriel só sai da imobilidade quando ouve a água do chuveiro recomeçar a jorrar. Mas ninguém teve culpa, pensa ele, foi um acidente. O corpo claro e bem feito de Soraya ficou impresso em suas retinas e ele revê sem esforço os seios, a curvatura da cintura, as coxas, o triângulo de pelinhos rasos e até a bunda com a marca do biquíni sutilmente mais clara, que ela não pôde tapar ao voltar correndo para o banheiro. Ele veste rapidamente bermuda e camiseta e vai pôr o tênis na sala. Quando se reencontram, ambos vestidos, um misto de falta de jeito e alegria os invade. Eles saem de casa falando de hamburgers, batatas fritas e rios de Coca-Cola.

A célebre lanchonete, sempre cheia e animada, é por si só todo um programa e não falta gente bonita para se ver. Soraya se perde em comentários sonhadores sobre cada "gato" do lugar, enquanto Gabriel olha indeciso para os trios com Quarteirão e com Big Mac. Como em todo legítimo McDonalds de país latino, nada está pronto, portanto a fila caminha lentamente, mas isso faz parte da coisa e não altera o humor de ninguém. Quando chega a vez de Gabriel, um rapaz vem falar com Soraya, já de bandeja na mão. Muito simpático, ele a cumprimenta com dois beijinhos, aponta para uma mesa e assim que Gabriel recebe sua bandeja, os dois vão para a mesa indicada.
- Ele é super legal, você vai ver. Mas não vai dar furo, hein Gabriel, porque ele é gay.
- Pode deixar, já chego chamando de bicha! brinca ele.
- Engraçadinho! Faz isso que eu finjo que nem te conheço!

Desde cedo acostumado a ver gays e travestis em seu quarteirão, Gabriel não tem propriamente preconceito contra homossexuais assumidos, mas o fato de já ter tido algumas experiências com vizinhos e amigos do mesmo sexo, sobretudo com o seu melhor amigo Moacir o deixa numa posição desconfortável para "bancar" o hétero inveterado. Ele se comporta com eles como alguém que sabe perfeitamente do que se está falando, descontando-se evidentemente o fator afetivo, que para ele continua sendo inconcebível entre pessoas do mesmo sexo. Ele já viu meninas se beijarem na boca, mas apenas para provocar os namorados que, todos sabem, se excitam com isso. Ele já viu vídeos gays e não deixa de reconhecer que pode haver cenas muito excitantes entre homens. Basta-lhe portanto uma rápida preparação mental para cumprimentar amistosamente o amigo de Soraya, um rapaz moreno, aparentando ter vinte e cinco anos, de cabelo muito bem cortado, sobrancelhas cuidadas mas não femininas e uma camisa pólo amarela parecendo saída da loja.
- Sozinho, Vini?
- Pois é, um amigo meu vinha, mas acabou desistindo, e eu é que não ia ficar sozinho naquela casa com uma noite linda dessas!
- Está certo! Olha, esse é o Gabriel. Eu te falei dele, aquele "amigo" da Aninha que está passando uns dias lá em casa.
- Ah, sei! Oi, Gabriel. Vinícius. Prazer.
- Prazer.
- Vinícius mora num casarão só para ele! Não é, Vini? diz Soraya para derreter o gelo.
- Pois é, minha família é de Niterói, só vem nas férias eu moro aqui, então a casa é minha quase o ano todo. Aliás, os últimos foram embora na segunda e ainda estou estranhando; acho que no fundo é por isso que estou querendo ver gente!
- E como é que vocês se conheceram? pergunta Gabriel.
(...)

Eles passam mais de uma hora e meia conversando animadamente e Vinicius propõe irem até a casa dele comer a sobremesa – ele fez um pudim de claras que ficou delicioso – e ver um filme. Ele está de carro e pode trazê-los de volta. Os dois concordam. A casa branca cercada de varandas e muito ampla fica recuada, mas não longe da praia. Um bom gramado, quadra de vôlei, piscina, churrasqueira e, no interior, um salão enorme, uma cozinha espaçosa, três banheiros e cinco quartos no andar de cima equipados de três beliches cada um, exceto a suíte do casal fundador, utilizada unicamente pelos pais de Vinicius. É a casa de verão típica, construída para acolher a família numerosa e alguns amigos. Ela deixa Gabriel boquiaberto, lembrando-se de sua casinha apertada no subúrbio.
- Ca-ra-ca! Isso tudo só para você?
- Pois é, Gabriel, eu também achei desperdício usar isso aqui só nas férias, por isso vim para cá morar. E me dá um trabalhão de faxina, pode acreditar!
- Chama o Gabriel para cá que ele te ajuda, Vini! Ele está querendo morar em Cabo Frio, mas lá em casa, a Aninha já vetou, lança Soraya, de chofre.
- Haha! Quem sabe? Bom, vamos ver esse pudim de claras! desconversa o rapaz, bem-humorado, mas sentindo-se um pouco invadido.

Eles comem na sala e conversam, instalados num conjunto estofado de couro preto diante de uma enorme televisão. Vinicius, que já olha gulosamente par Gabriel desde o primeiro instante em que o viu com Soraya olha para a amiga disfarçadamente e sorri, fingindo abanar-se com a mão. Gabriel não percebe nada, devora rapidamente a primeira fatia de pudim e torna a servir-se sem falar muito. Quando eles terminam, Vinicius liga a televisão e o filme começa, um dos sucessos de juventude de Elvis. Os primeiros minutos são bem acolhidos, Soraya parece gostar, mas os bocejos logo dão a Vinicius o sinal de que o filme será incapaz de prender Gabriel.
- Estou achando que a gente vai ter que mudar de filme, gente. Não está agradando, não é?
- Eu assisto numa boa, responde Soraya, dando um tapinha na coxa de Gabriel, ao seu lado, para ver se ele "se toca" que está sendo grosseiro.
- Hum? Ah, desculpa... eu estava quase dormindo, aqui! Mas o filme é legal.
- Haha! Percebi que não faz o teu estilo, Gabriel, responde o anfitrião, já tirando o filme e pensando em outra coisa.
- Você não tem nada mais... "pesado", pergunta Soraya? Aposto que o Gabriel ia gostar.
- Gosta de pornô, Gabriel? pergunta Vinicius, em pé diante dele.
- Demorou! Quem não gosta?
- Então eu já sei... Vou provocar vocês, ele responde com ar malicioso.

Vinicius sai da sala deixando seus convidados entreolhando-se, curiosos, e volta instantes depois com um DVD flagrantemente pornográfico.
- Vocês já viram vídeo bi? pergunta ele olhando para ambos.
- Eu, nunca, responde Soraya.
- Só clipe, na Internet, responde Gabriel.
- Você gosta? É que filme totalmente hetero, você não vai encontrar aqui!
- Entendi, responde Gabriel, sorrindo. Pode por esse, então.

Vinicius coloca o DVD no aparelho e vai sentar-se na poltrona lateral. Gabriel e Soraya estão sentados juntos no sofá, bem de frente para a enorme tela plana. O filme, uma produção russa, se abre com a câmera percorrendo uma casa vazia, subindo a escada e adentrando um quarto dominado por uma cama de casal onde uma lourinha aparentando ter pouco mais de dezoito anos e parecendo ter acabado de acordar, olha para o corpo nu do namorado ainda entregue ao sono. Virada para ele e também nua, mas coberta até a cintura pelo lençol, ela contempla o corpo liso do rapaz de cerca de vinte anos ou pouco mais, cujos únicos pêlos, tão dourados e conscienciosamente aparados quanto os seus, parecem estar situados nas coxas, acima do sexo e nas axilas. Aproximando-se calmamente, ela pousa a mão entre suas coxas, envolvendo suavemente o saco enquanto observa o membro que repousa sobre a barriga, recoberto de um prepúcio de cuja extremidade ultrapassa uma porção da glande. O rapaz sente-se tocado mas não desperta, limitando-se a flexionar o joelho, o que separa as pernas. Ela então se aproxima ainda mais e colhe o membro com os lábios, pondo-o inteiro na boca e parecendo brincar com a língua. O rapaz se move outra vez, facilitando-lhe a posição, como se o corpo estivesse despertando antes da mente. A câmera focaliza os lábios agora ocupados com um diâmetro bem maior e começando a percorrer o tronco claro que vai-se enrijecendo a olhos vistos. Quando a ereção se completa, ela o retira da boca, o empunha e puxa o prepúcio até descobrir completamente a cabeça, exibindo-o na vertical em toda a sua plenitude. É um belo membro de cerca de dezoito centímetros de comprimento por quatro de diâmetro. A jovem então se volta para o rapaz que, de olhos agora abertos, lhe dá um beijo carinhoso afagando-lhe os seios cujos bicos já se mostram bem entumescidos. Ela volta ao que estava fazendo e um close a mostra chupando ávidamente a glande e brincando com a língua a cada vez que uma espessa gota de fluido transparente brota do orifício. O rapaz, embora muito jovem, comporta-se como o verdadeiro profissional do sexo que ele é, permitindo que ela o estimule à vontade sem esboçar o mínimo nervosismo quanto a uma possível ejaculação intempestiva. Ela não só suga sua glande com força como o masturba vigorosamente para consolidar a ereção.

Na sala da casa de Vinicius, o silêncio só é rompido por Soraya que, ainda um pouco tímida, emite apartes bem-humorados para aliviar a tensão erótica proveniente do seu vizinho no sofá. Gabriel, imóvel, sente as pulsações furiosas na calça e agradece a Deus por estarem à meia-luz. Quanto a Vinicius, ele conhece o filme de cor e deseja apenas ver surtir o efeito intimamente almejado.

Na tela, um novo plano mostra a maçaneta rodando e a porta abrindo-se bruscamente. Um segundo rapaz, muito bonito e desta vez de cabelo castanho, aparentando ter a mesma idade que o outro desculpa-se fingindo embaraço, anuncia que está indo para a piscina e gostaria de saber se eles querem ir também. Sem interromper o que está fazendo, a menina o acolhe com olhos sorridentes e seu amigo o manda entrar. Ele entra, está vestindo apenas uma sunga comum, e senta-se ao lado dele, do lado oposto a ela, pondo-se a observar a felação, à qual ela se entrega com mais gosto ainda. Ele não demora a começar a afagar-lhe o cabelo, desobstruindo o rosto que aparece em close na tela. Ela retribui apalpando-lhe o sexo por fora da sunga até que ele julga ser o momento de retirá-la, oferecendo-se e recebendo uma carinhosa masturbação. A cena dura alguns instantes, até que a jovem vai sentar-se sobre o rapaz deitado, esfregando-se em seu sexo para excitálo ainda mais. O recém-chegado faz então o primeiro gesto inhabitual desse filme até aqui perfeitamente ortodoxo. Levando uma mão entre as pernas do seu amigo, ele envolve-lhe o saco e põe-se a massageá-lo.
- Caraca! exclama Gabriel, evitando acrescentar "M'or viado!" em respeito a Vinicius.

Soraya pousa a mão em sua coxa para que ele pare por aí, mas a cena do DVD prossegue. De comum acordo com a menina que parece muito excitada e pronta, o rapaz de cabelo escuro empunha o membro do amigo e o mantém quase na vertical para que ela se empale nele. Em seguida, ele volta a massagear-lhe o saco e as coxas enquanto ela inicia um lento vaivém. Quando o ritmo se estabiliza, ela o chama e ele vem ficar ao lado da cama para que ela o chupe enquanto cavalga seu amigo.

A cena é altamente erótica, mas estética e tranquila. Contudo, Gabriel começa a agitar-se, aparentando não saber como lidar com a situação. Ele não está acostumado a ter que "comportar-se" durante um filme pornográfico, já que ele os assiste seja sozinho, seja com seu amigo Moacir, com quem ele se sente plenamente a vontade até para masturbar-se diante da televisão ou do computador. Soraya o contém com a mão em sua coxa, mas, igualmente excitada, ela começa insensivelmente a acariciá-la, o que Gabriel acaba traduzindo como sinal de que algo está começando entre os dois. Agindo da maneira mais discreta possível para que Vinicius não perceba, ele vai lentamente puxando a mão dela até fazê-la sentir seu membro aos pulos. Soraya entende o engano mas não se faz de rogada e pousa a mão nele, pressionando-o de leve e sentindo-o pela primeira vez.

Na tela, a situação evoluiu. A jovem continua cavalgando o lourinho, mas vê-se agora o rapaz de cabelo escuro de quatro diante dela, sendo chupado pelo amigo, enquanto ela abre-lhe as nádegas para lamber seu orifício bem exposto. Ela geme bastante a cada estocada, assim como o rapaz que ela lambe, cujo cu, relaxado e molhado de saliva, a câmera exibe entre uma linguada e outra. Passados alguns minutos nessa harmoniosa interação, vê-se a jovem recuar lentamente puxando o rapaz para ceder-lhe o seu lugar. É sua vez de empunhar o majestoso falo ereto do rapaz louro para permitir que o outro se empale nele lentamente e com profusão de gemidos.

Nesse instante, Gabriel começa a sentir-se no mesmo estado em que só a bebida é capaz de deixá-lo. Os braços soltos ao lado do corpo indicam que a autocensura acaba de ceder e que ele está pronto para tudo. Assim que Soraya percebe isso, dá um jeito de discretamente abrir-lhe o botão da calça e introduzir a mão nela. Ela toca enfim no que ela só pôde ver à distância. O membro de Gabriel pulsa completamente ereto quando ela o empunha pela cabeça, logo encharcando a mão de fluido lubrificante. O desejo de ambos é grande, mas a autocensura não cede tanto a ponto de fazê-los tomar qualquer iniciativa mais explícita. Mas um incidente vem facilitar as coisas.
- Gente, vou dar uma interrompida para ir ao banheiro, posso? pede Vinicius. Acho que o pudim desceu mal!

Os dois cúmplices assentem com "hã-hãs" e assim que o anfitrião desaparece, Soraya retira a mão da calça de Gabriel, sentindo-se sem jeito e evitando olhá-lo. O leitor sabe o quanto Gabriel é tímido, mas dessa vez, Eros eleva a voz e ele atende ao seu comando. Baixando rapidamente o zíper da calça e o elástico da cueca, Gabriel olha para baixo e implora:
- Estou doido de tesão, Soraya. Dá uma chupada nele, vai, por favor!
- Está louco, Gabriel? Fecha isso agora!
- Não estou aguentando!
- Sem chance!
- Então pega nele, por favor, implora ele, sentindo pulsações vigorosas.
- Eu faço, Gabriel, mas depois fecha essa calça, pelo amor de Deus; se o Vinicius pega, vai achar que a gente saiu da favela! E ela atende às súplicas de Gabriel, com a intenção de dar-lhe apenas um apertão e soltá-lo logo em seguida.
- Pode ficar à vontade, viu, gente! Aqui é liberado.

Eles congelam. Soraya sente literalmente o frio percorrer-lhe o corpo, mas é incapaz de mover-se. Gabriel ensaia atabalhohadamente livrar-se da mão dela para guardar o membro ainda duro, mas quando olha para cima, topa com o rosto invertido de Vinicius olhando para os dois por trás do sofá, com o ar mais descontraído do mundo.
- Relaxa, gente! diz ele, já dando a volta ao sofá. Quantas vezes eu vi filme pornô com amigos aqui! Já rolaram coisas que vocês nem imaginam nesse sofá. Soraya, vamos desinibir o Gabriel, exclama ele, sentando-se ao lado do rapaz e soltando a pausa do controle remoto. Quando o filme recomeça, Gabriel se se empertiga todo e sua ereção se foi.

Mas a tela é grande e, no filme, o rapaz de cabelo escuro aparece de costas empalando-se em seu amigo deitado, que ele cavalga num trote ritmado, apoiado com as mãos em seu peito e gemendo muito. Gabriel não pode deixar de admitir para si que conhece a situação e revê na mente flashes dos seus tempos obediência cega ao comando hormonal, com seu melhor amigo Moacir. Ele masturbou e foi masturbado, deu e e comeu, esteve por baixo e por cima, chupou e foi chupado; portanto, não cabe a denegação. Cansado de dar tratos à bola, ele se deixa novamente levar pela atmosfera gerada pelo filme e quando a tão esperada cena do "trenzinho" mostra o lourinho entre seus dois amigos, a última barreira desmorona.
- Caraca! Eles fodem muito! Dá até inveja!
- Você pode ter tudo isso agora mesmo, Gabriel, diz Vinicius, modulando a voz de maneira inconfundível, olhando para Soraya e fazendo-lhe sinal para que ela o imite enquanto alisa uma coxa do rapaz.
- É Gabriel. Você não vai perder a chance, vai? diz ela com voz sexy enquanto escala sua coxa até colar-lhe novamente a mão no sexo.
- Ta liberado, gente! diz Gabriel voltando as palmas para cima. Não faço mais nada.

A lourinha do DVD instala-se sobre as coxas do rapaz de cabelo escuro, sentado no sofá. Que bela curvatura das costas ela tem! Toda colada em seu amigo e segurando no encosto do assento, ela espera pelo outro, que se prepara para vir por trás, na primeira dupla penetração do filme. Fica-se em dúvida sobre o que é mais excitante, se os dois membros alternando-se como pistões em seus dois orifícios, ou a bunda exuberante do rapaz louro, que dá as costas à câmera. O trio de atores excita de tal modo o trio de espectadores que Gabriel não tarda a deixar-se despir pela amiga e o anfitrião. Nu entre os dois vestidos, ele é o centro das atenções, o bibelô sexual que ambos desejam. Seu membro lateja na mão já familiar de Soraya, mas é Vinicius que se ajoelha no chão e se encaixa entre suas coxas para prestar seu culto ao Baco negro. Ela o apresenta, o rapaz o abocanha, gemendo como se agradecesse. Vinicius sabe tudo, conhece a técnica, chupa como um profissional arrancando-lhe um prazer raro. Ele não acredita no que vê quando seu sexo desaparece quase todo na boca treinada do rapaz. Em seguida, Soraya vem abocanhar-lhe a glande e massagear seu saco enquanto Vinicius se despe completamente, exibicionista, em ritmo de dança erótica, certamente para apresentar seu corpo a eles, um corpo moreno e cuidado, minuciosamente bem depilado. Ainda mole, seu membro balança ao sabor da dança, por trás da qual Gabriel pode ver o desenrolar das cenas do filme que não para, o que parece multiplicar o número de corpos em torno dele.

Sem cerimônia e a gora nua, Soraya põe-se de quatro sobre a mesinha de centro e, sem tirar os olhos do filme, convida Gabriel a vir por trás e Vinicius pela frente. Sua bunda clara e bem feita é comparável à da menina do filme e, seu sexo estando bem exposto, Gabriel não tem dificuldade de encontrar a entrada, provocando-lhe um longo gemido ao penetrá-la com o seu membro avantajado. Ela precisa se acostumar ao diâmetro que a invade antes de abocanhar o membro de Vinicius para fazê-lo endurecer.
- Ai, não sei se eu gosto disso não! diz ele, em tom afeminado.
- Ah, faz por mim, vai! brinca ela.
- Eu quero é dar para ele!

Ele faz isso já dando a volta à mesa para ir postar-se atrás de Gabriel e admirar seu corpo. A certa altura, ele se sente confiante para acariciar-lhe as costas, chegando à bunda e indo buscar o saco para acariciá-lo enquanto ele vai e vem com os movimentos de cintura. Gabriel gosta disso e sorri, abrindo um pouco mais as pernas. Soraya geme enquanto no DVD, uma cena tomada de baixo para cima mostra a menina de pé entre seus dois amigos, recebendo por trás e pela frente. A essa altura, Gabriel passa a conceder que Vinicius empunhe seu membro e o ponha na boca quando escapa do orifício. Ele nunca se sentiu tão excitado.
- Quero dar para você, cochicha Vinicius em seu ouvido, acariciando-lhe a barriga e o peito.
- Quer como? pergunta Gabriel.
- Me fode assim? ele responde, apontando para a televisão onde o rapaz louro penetra o outro debruçado numa mesa.
- Tá.

Gabriel sai de Soraya puxado por Vinicius, que o leva até uma mesa rústica na sala de jantar, atrás do sofá. Escolhendo um lugar de onde os dois possam continuar a ver o filme, ele se debruça completamente e Gabriel vê pela primeira vez a exuberância da sua bunda carnuda e morena. Soraya lhe dá um sonoro tapa que ressoa pela casa.
- Mete no meu cuzinho, ele pede, entregando uma camisinha a Gabriel e já separando as nádegas.
- Ah, quero fazer! pede Soraya.
- Bota, autoriza o rapaz.

Gabriel se dá conta de que Vinicius propôs a camisinha enquanto com Soraya isso nem se cogitou. Ele considera a atitude correta e não se detém muito a pensar nisso. Aproximando-se de Vinicius, ele encaixa a glande no orifício e, assim que ela entra, sente seu membro tragado para o interior.
- Ahh, que pau grosso gostoso! Agora fode, vai. Fode o meu cuzinho, pede ele, empinando-se e oferecendo-se todo.

Gabriel vê seu membro entrar e sair com facilidade por entre os dois gomos morenos. Vez por outra, ele sai completamente e pode ver o sexo de Vinicius pendendo entre as coxas. Embora ele já tenha visto clipes em que esse é o caso, ele não entende como é possível não ter ereção numa situação dessas. Em todo caso, isso lhe convém, já que ele não tem a menor intenção de tocar no sexo de Vinicius.
- Ahn! Ahn! Isso... fode gostoso... geme o rapaz, levando a mão à pelvis de Gabriel para acariciar seus pelinhos e tocar o membro que o penetra.

Confiante demais na sua resistência, Gabriel não se dá conta de que Vinicius tem o controle absoluto de sua musculatura anal e trabalha com ela. Ele prossegue portanto nos vaivéns, sem reduzir a frequência nem a velocidade e inesperadamente, ele se vê à beira do orgasmo.
- Caraca, eu estou... Ahhh!

Colando-se em Vinicius, ele lhe dá as estocadas firmes e profundas características dos momentos finais e ejacula em vários jatos.
- Isso... goza gostoso. Ai se pudesse ser sem camisinha! Hmm... Soca mais um pouco... geme o rapaz.

Gabriel se esforça para não decepcionar em nada e prossegue nos vaivéns até não poder mais. Assim que ele se retira, seu sexo amolece. Soraya tira-lhe a camisinha e avalia o volume de líquido, admirada.
- Quanto leite, cara! exclama ela rindo.
- Eu sempre gozo muito, diz ele, todo prosa.
- Que bom!

Vinicius, já de pé, passa a mão pelo peito de Gabriel e desce até seu membro amolecido, dando-lhe um apertãozinho à guisa de elogio. Ele parece mais afeminado do que nunca aos olhos do rapaz, que ainda não sabe muito bem como se comportar nessas horas. Afinal, é a primeira vez de sua vida que ele faz sexo com um homossexual assumido, e Vinicius é praticamente um desconhecido.

O trio insaciável do DVD entrega-se mais uma vez ao sexo oral. Vê-se a lourinha de pé, de pernas bem afastadas enquanto os rapazes, ajoelhados um de cada lado, lambem-lhe os dois orifícios ao mesmo tempo provocando encontros esporádicos de suas línguas.
- Ai, preciso de uma língua para me aliviar, pede Vinicius.
- Eu! exclama Soraya.
- Então vem.

Vinicius pede a ela que se deite no sofá e vem por cima, como se fosse fazer um 69, sentar-se em seu rosto. Ela então começa a lamber-lhe gentilmente o orifício enquanto ele geme agradecido. Gabriel senta-se na extremidade do sofá para ver mais um pouco do vídeo, muito excitado com a duração e a quantidade de sexo entre os 3 protagonistas que, de fato, fazem um número impressionante de cenas sem um único orgasmo. "Será montagem? Será que dura vários dias?" pergunta-se ele, intrigado, enquanto ouve os gemidos do filme e da realidade. Olhando para o lado, ele nota que Soraya alterna entre lambidas anais e chupadas rápidas em Vinícius, que continua não apresentando ereção completa.
- Teu pau não fica duro nunca, cara? pergunta ele, depois de tomar coragem.
- Fica, mas não gosto de sentir, responde ele, sincero.
- Você é só passivo, então?
- Eu já comi, coisa e tal, mas me sinto passivo.
- É, Gabriel, não vai ser dessa vez que você vai dar a bundinha! brinca Soraya.
- Ah, mas essa bundinha linda dele eu comeria, Soraya! replica Vinicius.
- Qual é Soraya! Não quero dar a bunda para ninguém, não! dispara Gabriel, rindo.
- Eu ia adorar ver isso, diz Soraya sendo, no fundo, sincera.
- Ninguém ia ficar sabendo, Gabriel, argumenta o outro. Ficaria entre nós três.

No DVD, coincidentemente, os dois rapazes entregam-se a uma intensa e supercompetente sessão de sexo anal. Deitado de lado e erguendo completamente uma perna, o lourinho recebe todo o grosso membro do amigo enquanto a menina devora o seu.
- Olha como é gostoso, Gabriel, continua Vinicius. Se você perder a chance hoje, pode ser que não faça nunca mais.
- Sem chance, e vamos parar com esse papo! encerra Gabriel, apoiando os cotovelos nos joelhos e pondo a cabeça entre as mãos enquanto os outros gargalham.
- E quem vai me fazer gozar? Não sei se vocês se lembram, mas me largarm para ir trepar na mesa, diz Soraya escancarando as pernas enquanto Vinicius, saciado, sai de cima dela.

Gabriel olha para o lado e vê os lábios entreabertos da amiga, prontos para receber mais uma dose de prazer. Ele só precisa inclinar-se para mergulhar entre as coxas de Soraya, que cruza os braços atrás da cabeça e deixa-se servir serenamente. Ele explora longamente, por fora e por dentro, cada dobra do seu sexo. Em seguida, põe-se a lambê-lo longitudinalmente, com lambidas amplas que terminam no clitóris. Soraya se reacende, suas coxas dançam no ar. Gabriel aproveita para estender seu território e vai lamber-lhe inesperadamente mais abaixo, o botãozinho anal, arrancando-lhe gemidos fortes. Ele prossegue até que o fluido escorre da fenda e as pernas se enrijecem; é o orgasmo. Soraya resfolega, arfa, xinga, pede que ele lhe crave dois dedos no sexo e não pare de lamber. Ele obedece, ela agarra o sofá e, ofegante, se deixa arrastar pela torrente de prazer. Isso excita Gabriel, que aproveita a nova ereção para penetrá-la multiplicando os orgasmos até que a voz de Soraya se perde e suas forças se esvaem. Ela permanece deitada, amolecida, dizendo palavras desconexas e sentindo vertigem. Gabriel acha o orgasmo feminino estranho e olha sorrindo para Vinicius que parece compartilhar essa opinião.


Os três amigos do filme terminam num banho durante o qual, para maior espanto de Gabriel, mais sexo acontece, e sexo intenso! Vinicius chega a propor que eles tomem banho, mas Soraya prefere ir para casa porque trabalha no dia seguinte. No carro de Vinicius, eles conversam rapidamente sobre a situação de Gabriel e Vinicius lhe diz que talvez possa ajudar; a casa é grande, não falta lugar e ele admite que precisa de uma mão para dar conta de tudo. A proposta fica em suspenso, mas é uma possibilidade a se estudar. Eles se despedem trocando emails e telefone, com a promessa de manter contato e... repetir o programa.

Um comentário:

  1. Espero que 2014 lhe traga muita inspiração para que você encha o nosso imaginário com suas histórias. Um feliz ano novo e um abraço do seu leitor assíduo
    Eduardo

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Eu gostaria de receber um parecer seu. Obrigado!