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Erotexto é um blogue dedicado ao erotismo que tem por característica uma rica diversidade de estruturas narrativas. Seu objetivo é triplo: entreter, desenvolver o interesse pela escritura e - o principal - motivar a reflexão sobre a libido e a busca do prazer, cujo fundamento biológico acredito ser de caráter essencial e universalmente bissexual.

Erotexto tem formato fixo. A primeira página comporta a última narrativa proposta (não necessariamente a última criação). O material arquivado consiste de contos e relatos classificados por categoria sob a rubrica "EroStock" (coluna à direita), bem como séries, novelas e folhetins. Para conhecer a acepção em que cada estrutura narrativa foi tomada, convido o leitor a clicar em "Pequena Teoria da Narrativa", aqui acima.

Uma comunicação contínua com o leitor faz-se através da rubrica "EroNovas", a primeira da coluna à direita. Meu e-mail está à sua disposição. Para reagir a uma publicação, clique na palavra "comentário", abaixo de cada texto.

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Marc Fauwel

A Odisséia de Aninha (folhetim, episódio XIII)

13. Escalando

Ainda está quente em Cabo Frio, mas a massa que ocupa as casas de veraneio com as famílias se foi com o fim das férias. Sobraram turistas do Brasil e de fora, aposentados e a gente do lugar. Banhistas satisfeitos podem finalmente escolher onde se instalar na imensa praia do Forte agora semideserta. Mas a animação não é a mesma e as ruas ficam mais vazias e quietas a partir das sete da noite.

Como todo ano na mesma época, o movimento na loja de material de construção aumenta porque é o momento de construir e reformar em tempo para o longo feriado da Semana Santa. Fartas de vender cimento, vergalhão e pregos, Aninha e Soraya decidiram mudar de emprego e, embora ainda não tenham pedido demissão,  já estão sondando novas possibilidades. Os dias são longos, mas elas fazem render as pausas e aproveitam para visitar estabelecimentos que anunciam vagas para vendedoras. Em plena quarta-feira, uma mulher de cerca de trinta anos entra na loja e se dirige diretamente a Soraya. Loura, bonita, de maiô e canga, mas maquiada, de óculos escuros e um amplo chapéu de palha que a denunciam como estrangeira, ela quer os preços do material para uma sala comercial que ela acaba de alugar. Ela "puxa nos erres" e Soraya não entende uma palavra do que ela diz, a tal ponto que, depois de algum esforço em vão, frustrada e irritada, ela desiste e pede a ajuda de Aninha. Mais esperta, a menina do Rio completa as informações deformadas pelo sotaque e fornece à moça os preços de cada item. Satisfeita, a bela estrangeira decide concretizar sua encomenda e manda entregar tudo no endereço determinado, que fica a poucos metros da praia. Trata-se de material elétrico, hidráulico e de acabamento, tudo de instalação rápida, nada que implique quebra de paredes. Ela espera inaugurar a loja em menos de uma semana.

Aninha é dessas pessoas que acreditam que nada na vida acontece por acaso. Mostrando-se interessada, ela pergunta que tipo de comércio a nova cliente vai abrir e se pretende empregar alguém, e quantas pessoas. Trata-se de uma loja de roupas de banho e acessórios, responde a mulher, e sim, ela está à procura de vendedoras, duas. Aninha não precisa de muito esforço para despertar o interesse da estrangeira, que não tira os olhos dela, devorando-lhe os ombros morenos que se insinuam por entre as frestas do longo cabelo preto e brilhante. Elas trocam números de telefone e Aninha fica de passar na loja no sábado seguinte. Ela pergunta se pode levar Soraya, a mulher não se opõe, mas não mostra nenhum interesse particular e vai embora despedindo-se de Aninha com dois beijinhos e um sorriso muito significativo.
- A gente arrumou emprego, Soraya! E com uma gringa!
- Sério? Não vi nada disso e estou exausta de tentar entender essa perua, responde a jovem, despejando todo o seu provincianismo no entusiasmo de Aninha.
- Vamos lá no sábado para conversar. Imagina, trabalhar olhando para o mar!
- Hm... sei não. Agora cala a boca porque se o patrão ouve, ele nos bota na rua e a gente nem sabe se vai conseguir o emprego!
- Sua caipira! dispara Aninha, rindo carinhosamente.

A semana se arrasta, mas o sábado chega enfim e Aninha entra na loja que já parece pronta para abrir.
- Bom dia! exclama a proprietária, articulando o eme e pronunciando o dê como em "dado".
- Oi, responde Aninha, oferecendo-lhe o rosto. A loja está ficando bonita!
- Eu não disse que era pouca coisa? O material chegou na quinta-feira e eles vão terminar tudo hoje à tarde. Se eu pudesse, abria amanhã mesmo.
- A Soraya não pôde vir, teve que trabalhar.
- "Ah bon?" responde a outra, indiferente, já puxando-a para mostrar a butique. Aninha estranha a resposta, mas não identifica o francês e não dá maior importância.
- Qual é seu nome mesmo?
- Ana, mas pode me chamar de Aninha.
- Aninha então. Eu sou Stéphanie e você não precisa me chamar de senhora; eu já estou acostumada no Brasil.
- "Ichtê..."
- Stéphanie. Hm... Sté-pha-NI.
- "Ichtêfani"?, ensaia ela, acentuando o  "tê".
- Quase, mas a sílaba tônica é a última.
- Que... diferente!
- Eu sou francesa, mas já estou há algum tempo no Brasil. Você logo acostuma com o nome.

Uma sensação familiar preenche a mente de Aninha, mas ela não sabe o que é. Ela olha para a jovem mulher, mas tem certeza de que nunca a viu antes da quarta-feira na loja de material de construção. Intrigada, ela continua a visita guiada e tem a nítida certeza de ter sido eleita primeira vendedora sem qualquer processo seletivo. Ela tem razão. Finda a visita, Stéphanie lhe pergunta se estaria disposta a deixar o emprego na loja de materiais de construção para vir trabalhar para ela, explicando que o começo pode ser um pouco duro, mas que ela vende produtos tão bonitos que o sucesso é garantido. E de fato, os maiôs e biquinis, sungas e shorts, óculos, toalhas, cangas, chapéus, toalhas, material esportivo, tudo é bonito e de excelente qualidade. Aninha sente-se seduzida e aceita. Mas sendo boa amiga, ela não se esquece de perguntar...
- E a Soraya?
- Olhe, ela pode vir quando quiser, mas a verdade é que eu quero um casal de jovens muito bonitos. A menina, eu já encontrei; poucas vezes na vida eu vi uma beleza exótica como a sua!
- Obrigada! E pode deixar que eu explico a situação à Soraya e ela vai entender.
- Ótimo. Os vendedores vão trabalhar de roupa de banho, então preciso de duas pessoas com corpos realmente perfeitos. Hoje mesmo, alguns rapazes vêm para entrevistas. Aliás, eu gostaria que você pusesse uns maiôs e biquínis para eu ver.
- Claro! Pode ser agora, se quiser.
- Excelente. Vou pegar o que eu quero que você experimente.

Stéphanie procura nos escaninhos já existentes um biquíni estampado, dois lisos e um maiô cujo tom amarelo ouro ela tem certeza que vai ficar muito bem no corpo moreno de sua primeira vendedora. Quando ela abre a cortina de um dos provadores, três caixas contíguas espelhadas, Aninha está nua em pelo, penteando com toda a naturalidade o longo cabelo, a cabeça inclinada para o lado e um amplo sorriso nos lábios. Seu corpo inteiro invade as retinas da francesa.
- Você é linda, Ana! "Ravissante!" Exclama ela, entusiasmada.
- "Ravi" o quê? responde a menina sem perder a simpatia.
- "Ravissante." Se eu pudesse traduzir, teria dito em português, mas não sei, hahaha! Mas fique tranquila porque é um elogio à sua beleza.
- Que bom! Que biquíni eu ponho primeiro?
- Primeiro o maiô amarelo.
- Está bem.

Diante do olhar extasiado da francesa, o maiô amarelo de trama extremamente fina e sem uma costura aparente vai tomando as formas do corpo de Aninha como uma segunda pele. Os decotes e o cavado das aberturas conferem sedução com bom gosto a esse corpo de proporções perfeitas. Os seios não ficam espremidos nem soltos demais, mas o local dos mamilos fica sutilmente marcado e a suave elevação da pélvis não revela a fenda, mas deixa adivinhá-la. A generosidade maior provém de trás; quando os dois gomos da bunda são firmes e bem feitos, como é o caso dessa menina eleita pela mãe Natureza, o tecido amarelo surge dentre eles contornando-os por cima e deixando-os  quase completamente à mostra para valorizar ao máximo a saliência e a curvatura.
- Esse biquíni é para poucas, Ana, e você o veste como um verdadeiro modelo, declara a francesa, radiante. E é o seu corpo que vai vendê-lo porque as meninas vão todas querer ficar como você.
- Ele é lindo!
- E esse é seu. Aliás, todos eles serão seus, mas enquanto trabalhar para mim, você só poderá usá-los aqui. Serão sua roupa de trabalho.
- Combinado! exclama Aninha, toda feliz, dando voltas na cabine espelhada.

A testagem dos biquinis prossegue, embevecendo cada vez mais Stéphanie, que enriquece a experiência pedindo à Aninha que ponha óculos de sol, cangas coloridas, chapéus, sandálias, tops, shorts e saias para a saída da praia. Tudo lhe cai bem e ela se sente linda nessas roupas de bom gosto. A certa altura, três rapazes entram juntos na loja.
- Os candidatos ao posto de vendedor estão chegando, Ana. Preciso atendê-los. Se você preferir ir embora, pode ir. Eu ligo para você para falar da inauguração.

Aninha olha de relance para os recém-chegados; na sua opinião são três "gatos" como só se vêem em filme. Altos, fortes e de pele dourada, não se parecem em nada com os meninos da região. Ela logo os escuta dizendo que são do Rio, mas estudam num centro de oceanografia perto de Cabo Frio. São colegas de faculdade, fazem surf e mergulho e decidiram se candidatar juntos mesmo sabendo que só um será selecionado. Em 45 minutos, Stéphanie se dá por satisfeita, seleciona um deles e vai apresentá-lo a Aninha, decidida a dispensar eventuais novos candidatos.
- Essa e sua nova colega: Ana.
- Pode me chamar de Aninha, diz ela, percorrendo o novato de cima a baixo com simpatia, mas sem exprimir qualquer impressão.
- Oi, Ana, responde o jovem de cerca de 22 anos, 1,80m e cara de surfista da Flórida, com uma penugem loura nos lados do rosto rosado. Meu nome é Daniel.
- Virem para mim! Vocês vão fazer um sucesso! exclama a francesa vendo-os juntos.

Daniel passa pelo mesmo processo que Ana, alternando shorts, sungas e bermudas, acessórios e sandálias diante dos olhos atentos da empregadora. Quando Stéphanie pede aos dois candidatos que circulem um pouco pela loja, a idéia que ela tirou de uma loja de Nova Iorque lhe parece perfeita para a sua butique em Cabo Frio. Ela só precisa treiná-los a atender com naturalidade os clientes eventualmente vestidos, porque a maioria estará como eles ou quase. Uma vez satisfeita, ela pede a ambos que aguardem seu telefonema dois ou três dias antes da inauguração da loja. Eles se comprometem a estar lá no dia combinado e vão trocar de roupa para sair. Frente a frente diante das cabines, eles conversam um pouco e decidem ir dali para um barzinho na praia tomar uma cerveja para se conhecer melhor. Aninha não pode deixar de ficar satisfeita com a sua nova patroa que, reacionária, pretende trazer de volta a sunga pequena e já fez com que Daniel vestisse uma delas. Alto e magro, mas de coxas fortes, o rapaz exibe sem inibição uma protuberância de volume considerável no bojo da estreita peça de tecido verde-mar.
- Você já tinha usado sunga assim? pergunta-lhe Ana.
- Nunca! Meu pai é que fala dessas sungas. Deve ser complicado, na praia, brinca ele, olhando para baixo e sorrindo.
- Se a minha tia te visse, ia adorar. Ela diz que homem se mede pela sunga e que com o "sungão" isso é impossível.
- Sério? Tua tia deve ser uma comédia, haha! Mas é verdade que o sungão é mais discreto. Dá menos medo de usar; eu tenho uns cinco.
- Eu também tenho um monte de biquínis, mas nunca usei maiô; aqui vai ser a primeira vez. Mas ele é muito lindo, vê só.

Ela pega o maiô amarelo e mostra a Daniel, que olha espantado para o que lhe parece ser uma roupa infantil.
- Uau! Isso te cabe?
- Fica justinho, mas perfeito.
- Você vai pôr no dia da inauguração?
- É a ela que vai decidir, acho, apontando com o queixo para a francesa.
- Esse biquini que você está usando é incrível, mas alguma coisa me diz que a gente vai se sentir quase nu por aqui.
- É, as roupas dela são curtas. Isso aqui vai ser uma loja bem sensual. Eu curto.
- Vai atrair clientela. Então, vamos tomar uma cerveja?
- Troco de roupa num instante! responde Ana, já desaparecendo no provador.

Não muito tarde, após ter passado cerca de duas horas travando conhecimento com seu novo colega de trabalho, que se mostra muito simpático, para não dizer atraente, Aninha volta para casa feliz com o seu dia, satisfeita com o novo emprego e pronta para pedir demissão da loja de material de construção na segunda-feira de manhã. Ela encontra Soraya deitada no sofá, lendo um gibi.
- E aí? Conta!
- Estou empregada, Soraya! A gringa me adorou e me contratou direto, eu e um outro cara. E a gente vai trabalhar de roupa de banho, sabia?
- Sério? Você de biquíni e ele de sunga?
- Sunguinha, minha filha! A mulherada vai pirar. O nome dele é Daniel. Mor pauzão!
- Quando é que inaugura?
- Ainda não sei. Ela vai ligar. Vou pedir demissão na segunda.
- Xi! O seu Jarbas vai ficar uma fera.
- Azar! A gente tem que evoluir. Aliás, a senhora também não vai ficar pegando cheiro de cimento naquela loja, espero!
- Tem vaga para mim lá?
- Por enquanto não, mas a francesa disse que você pode ir quando quiser para uma entrevista.
- É, de repente eu vou qualquer dia desses.
- Com essa animação toda, já vi que não vai.
- Você não sabe quem saiu daqui agora há pouquinho.
- Quem?
- O Mosca. Veio se despedir antes de voltar para o Rio.
- E aí?
- "E aí" o quê?
- Rolou?
- Mm-hm. Lá no quarto.
- Estou gostando de ver! Aposto que ele prometeu vir te ver no fim de semana que vem.
- Como é que você sabe?
- Com a cara de romântico dele, não tem erro; isso vai dar em namoro.
- Sei lá. Só sei que ele é gostoso, diz ela, se espreguiçando languidamente.
- Soltou o cuzinho e tudo para ele, aposto.
- Ah, só uma vez, no banho. Ele pediu tanto!
- E aí?
- Com ele, foi bom. Mas deixa de ser indiscreta, né Aninha! Não vou te dar detalhes não!

De banho tomado e apenas de camiseta por cima da calcinha, Soraya não precisa muito para convencer Aninha de estar falando a verdade. Mas seu ar vago dá à  amiga a impressão de que ela não lhe contou tudo.
- Que foi, Soraya? Está me escondendo alguma coisa?
- Não, por que?
- Eu te conheço. Desembucha, anda!
- Não é nada, Aninha! Deixa de ser desconfiada.
- Não saio daqui enquanto você não me contar.
- Bom, se você vai ficar assim, vou lá para o quarto dormir. Eu já disse que não foi nada.
- Então acho melhor você ir dormir mesmo, senão não vou te largar até você soltar a língua.
- Pois é isso que eu vou fazer: escovar os dentes e dormir. Não estou a fim da companhia de amiga desconfiada.

Soraya se levanta e vai para o banheiro deixando Aninha com a pulga atrás da orelha. Ela não tem dúvida de que alguma coisa aconteceu; nada de grave, mas algo que sua amiga não quer contar, embora já tenha se traído. Como Aninha não quer estragar um dia tão perfeito, ela procura não pensar no assunto e também se despe para tomar banho e ir dormir logo em seguida. Durante o banho, ela rememora o corpo de Daniel e se acaricia imaginando o que teria acontecido se ela tivesse se aproximado e posto a mão no arredondado da sunguinha estreita. A protuberância teria se tornado uma bola dura que ao menor puxar do elástico se expandiria no que deveria ser um maravilhoso pau claro e cabeçudo. Aninha se lembra que desejou fazer isso, mas reconhece que teria sido precipitado. Ela se entrega a uma suave carícia que a leva a um gozo ao mesmo tempo intenso e profundo, sonhando com o encontro que ela acha cem por cento provável entre ela e seu novo colega de trabalho. Nua diante do espelho, ela escova os dentes dando voltas para contemplar este que, mais do que um corpo, tem sido o seu bem mais precioso, um verdadeiro instrumento para a sua melhoria de vida. Quando ela entra no quarto, Soraya já está dormindo, deitada de bruços somente de calcinha e agarrada ao travesseiro, suspirando, seu corpo ondulando como se o Mosca estivesse por cima dela, penetrando-a por trás. Inspirada por essa imagem sensual, Aninha se deita excitada e cheia de desejo, mas adormece logo e seus sonhos são povoados de mil fantasias.


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