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Erotexto é um blogue dedicado ao erotismo que tem por característica uma rica diversidade de estruturas narrativas. Seu objetivo é triplo: entreter, desenvolver o interesse pela escritura e - o principal - motivar a reflexão sobre a libido e a busca do prazer, cujo fundamento biológico acredito ser de caráter essencial e universalmente bissexual.

Erotexto tem formato fixo. A primeira página comporta a última narrativa proposta (não necessariamente a última criação). O material arquivado consiste de contos e relatos classificados por categoria sob a rubrica "EroStock" (coluna à direita), bem como séries, novelas e folhetins. Para conhecer a acepção em que cada estrutura narrativa foi tomada, convido o leitor a clicar em "Pequena Teoria da Narrativa", aqui acima.

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Marc Fauwel

A Odisséia de Aninha (folhetim, episódio III)

3. Os Gringos

Sábado de sol, dia de praia para os que têm disposição de fazer o périplo até a Zona Sul. Aninha, Leiliane e Sandra passaram duas horas experimentando biquinis e estão prontas para encarar a viagem de mais de uma hora até Copacabana. Vestidas de short e minitop, as três amigas revezam-se para levar a bolsa de palha contendo as cangas, bronzeador, cigarro, batom. Quando o ônibus para, elas sabem que os homens não vão dar sossego e que cada mulher que sobe é uma nova presa. Há muito que elas deixaram de se importar com esse tipo de contato. Desde que não seja um velho asqueroso ou alguém de aparência suja, o lema é "sarrinho não engravida" e tudo se passa na santa paz. O motorista do coletivo fervente vai  voando pelas ruas esburacadas, aos trancos, freadas bruscas e curvas mal feitas, usando a boca para murmurar palavrões, cumprimentar passageiros habituais e cuspir pela janelinha barulhenta. Quando o ônibus atravessa o túnel da Princesa Isabel, o torpor dos passageiros se dissipa e uma animação suburbana preenche a gaiola de metal quase incandescente. As três amigas descem no primeiro ponto e se encaminham para a frente do Copacabana Palace. É lá que ficam os gringos e já houve vezes em que só pela companhia, Leileane e Sandra ganharam deles o suficiente para pagar a fatura do celular. É a primeira vez que Aninha vai à praia pensando na eventualidade de auferir algum lucro, mas ela não está tensa; é o fim de semana, o dia está lindo e ela se sente resplandecente em seu corpo bronzeado e o longo cabelo perfumado brilhando ao sol.

As três garotas se despem em meio à aparente indiferença dos banhistas acostumados à seminudez das tangas, fios-dentais e sungas. Os homens lançam olhares furtivos para os corpos recém-chegados, examinam-nos, avaliam-nos, comparam-nos e escolhem aquele que será seu ponto de referência sensual durante esse dia de praia lotada. O momento de glória é quando uma delas volta da água e se deita de costas ou de bruços, exibindo ora a bunda saliente, ora a convexidade do monte de Vênus e o arredondado dos seios sob o triângulo do tecido fino marcado pelos bicos entumescidos pela água fria. Conscientes, elas literalmente "deitam e rolam" sabendo-se olhadas e desejadas.

Como não há nada a dizer – elas se vêem todo dia – o papo é raro e gira em torno de meninos bonitos em volta delas. Aninha se queixa do tamanho dos sungões e reitera o lamento da tia Deisimar de que antigamente se podia avaliar o homem com agá pelo que ele exibia na sunga. A sunguinha estreita deixava o homem mais bonito com aquela bola na frente e a bundinha mais descoberta, o "cofrinho" invariavelmente exposto. Isso para não falar dos mais ousados que ostentavam com orgulho ereções que por vezes chegavam a afastar o elástico do corpo! As duas amigas concordam: pano demais, largo demais, espesso demais. Mas como elas não são do tempo da sunguinha, não têm termo de comparação e curtem realidade que vêem diante delas. Aqui e ali, há pequenos grupos de rapazes que elas dissecam um a um do cabelo à unha do pé, lançando hipóteses sobre seus dotes e suas habilidades na cama, desejando beijar esse ou aquele, dando gritinhos (audíveis) ao descobrir algum mais bonito que a média.

Toda essa animação do trio acaba chamando a atenção de dois homens de cerca de trinta e cinco anos, que se aproximam delas em um momento em que estão de pé. São italianos e arranham no português. As duas mais experientes se assanham e logo os estimulam a perguntar tudo que quiserem sobre o Rio. Eles começam disfarçando com perguntas sobre a praia, lojas, lugares pra comer e dançar, mas logo se tornam mais específicos: Vocês têm namorado? Moram longe? Vão fazer o que depois da praia? Querem ir dançar à noite? Conhecem o hotel X? Fica logo ali! Etc. A única coisa que complica é o horário; nenhuma delas pode chegar tarde porque elas moram longe e fica perigoso. Mas se eles quiserem ir comer bolinhos de bacalhau com cerveja em algum lugar, elas topam e podem ficar na Zona Sul até, digamos... oito horas, para chegarem em casa às nove e pouca. Radiantes, os italianos as convidam a ir comer sanduíches de carne com abacaxi e tomar cerveja, ali pertinho, num lugar celebrizado pela fama. Eles já estiveram e acharam barato e gostoso. Depois eles podem ir todos para o hotel, onde eles trocariam de roupa para sair. Elas são três, eles dois, italiano tem fama de ser "gente fina", elas topam.

O grupo come e toma cervejas, as meninas rindo com as perguntas explicitamente sexuais e num português mal formulado: Tu seres virgem?  A brasileira faz amor no primo encontro? É vero que homem brasiliano prefere il sexo anale? Tu já fazer amor com dois homens? Etc. As meninas respondem às perguntas de "cultura geral" conforme o que lhes vem à cabeça e dão respostas sinceras no que lhes diz respeito pessoalmente, procurando apenas frisar que embora elas sejam, sim, experientes em matéria de sexo, não são "de programa", expressão que os dois homens não entendem até que elas forneçam sinônimos: acompanhantes, massagista, escort... Nada. Por fim, Sandra não vê alternativa senão emitir o nome comum às duas línguas – prostituta –, o que provoca um "Ah!" de satisfação nos gringos. Eles não estão saindo com prostitutas; isso os deixa léguas à frente de seus amigos que lhes recomendaram o Rio para tirarem o atraso em total liberdade e por baixo preço.

Findo o lanche, o grupo caminha pela N. S. de Copacabana até o hotel para que os homens possam tomar o banho e vestir uma bermuda. As meninas geram suspeitas na recepção, é claro, mas como não se trata de um cinco estrelas, acabam podendo subir com eles para o quarto. A janela sem balcão dá frente para a movimentada avenida e a parede de prédios em frente, mas o quarto é amplo, tem duas camas grandes, televisão de tela plana e um banheiro recém-reformado com banheira e chuveiro. Sandra já viu melhor, Leiliane acha um luxo e Aninha está sob o efeito da novidade, observando tudo e gostando da atmosfera de evasão trazida pelos dois gringos. Ela sonha acordada com o que poderia ser morar num "país" estrangeiro, Paris, por exemplo.

Enquanto um dos gringos toma banho, o outro pega um laptop e mostra às três amigas as fotografias dos passeios que eles já fizeram pelo Rio: Pão de Açúcar, Cristo, Jardim Botânico, Copacabana, Ipanema, Leblon e até o Vidigal. Em algumas fotos tiradas na praia, eles estão acompanhados de jovens bonitas. Sandra pergunta se eles foram para a cama e o homem faz que sim com a cabeça, apontando para a menina sorridente que está com ele na foto: Janete. Curiosa, Sandra pergunta se ele tirou fotos. O gringo hesita, mas acaba indo até o guarda-roupa e pegando um pen-drive e espetando no computador. Vendos as fotos, as meninas concluem que os dois amigos se fotografam em ação e – surpresa – aquele que está no banho tem uma ferramenta de dar água na boca. As fotos se sucedem, algumas deles dois com uma jovem, outras com duas, em todas as poses possíveis e imagináveis, naquele mesmo quarto, a maioria na cama em que elas estão sentadas. A atmosfera esquenta quando o gringo que estava no banho sai só de toalha e depara com o amigo mostrando as fotos. "É sua vez", diz ele deixando livre a entrada do banheiro e assumindo o comando do computador.

A escolada Sandra coloca suavemente a mão na coxa recoberta pela toalha felpuda, de modo a sentir com a ponta dos dedos a sutil elevação do tecido entre as pernas do italiano perfumado do banho recém-tomado. Ela logo constata o seu desejo e pisca para Leliane, do lado oposto, para que ela desprenda a toalha e o ajude a livrar-se dela. Agora sentado nu sobre a toalha, o italiano olha sorridente para uma e para outra enquanto sua bela flecha de ponta rubra ergue-se, longa, grossa, acima de um saco volumoso e perfeitamente depilado. As meninas o contemplam por alguns instantes, rindo uma para a outra, antes de pegá-lo praticamente ao mesmo tempo, sentindo admiradas a dureza e o diâmetro avantajado daquele membro que enrijece pouco a pouco até tornar-se duro como aço. Elas olham para Aninha, que assiste à cena de frente, encostada à janela, feliz com esse que pode ser o seu primeiro encontro com um homem com agá maiúscula. Ela fecha a cortina aos eventuais curiosos e começa a despir o short e o top enquanto suas amigas acariciam o sexo, as coxas, a barriga, o peito, os braços, e beijam carinhosamente os lábios do italiano embevecido diante do corpo irretocável da moreninha de cabelo longo.

Assim que Aninha termina de se despir e fica só de biquini, o outro italiano sai do banheiro, mas já na porta, ao ver seu amigo entregue aos cuidados de Sandra e Leiliane, ele se livra da toalha e vai até Aninha com a intenção de levá-la para a outra cama. De relance, a menina conclui que só há um dotado naquele quarto. Entre as coxas do italiano que a convida, ela tem a impressão de ver um dedo fino e branco de não mais que quinze centímetros balançando curvo, entre o mole e o duro. Ela sorri, passa a mão em seu rosto, resiste um pouco à insistência do gringo, mas olhada severamente por Sandra, acaba consentindo e deixa-o levá-la pela mão até a cama vizinha deixando as amigas ocupadas em tentar abocanhar o grosso bastão do gringo bem equipado. Ela sabe que poderá tê-lo também, se quiser, mas a idéia de ser a terceira aniquila a sua motivação. Ela já sabe o que fará.

Gerson já a desgastou o suficiente em matéria de sexo oral, então ela empurra o italiano sentado na cama e pede que a dispa, o que ele faz com ar babão, beijando, lambendo sua barriga e seios até deixá-la nua. E quando ele pensa que ela vai ajoelhar-se entre suas pernas, ela o empurra deitado na cama e percorre seu corpo até sentar-se em seu rosto, sentindo seus lábios premerem os dele. O italiano põe-se a lambê-la avidamente com as mãos em suas coxas e bunda enquanto ela observa suas amigas que agora exibem um 69 vaginal ao gringo dotado que está de pé entre as camas e de costas para ela. Aninha tem que admitir que a língua trabalha competentemente em seu clitóris e que é grande a sua vontade de gozar desde o malfadado encontro com o mecânico. A do italiano percorre-lhe a buceta, se insere no orifício e fricciona o botãozinho sensível, excitando-a muito corretamente. Ela está de quatro por cima dele, a centímetros do corpo do outro que, inclinado, acaricia os seios das meninas que se chupam mutuamente. Ela só precisa estender a mão para alcançar o belo saco redondo e rosado. Pondo uma mão em sua cintura como para avisá-lo, ela faz que vai colher com a outra essa fruta de pele espessa e rugosa que balança entre as coxas do homem e enche facilmente uma mão feminina. Ele se oferece, abrindo as pernas e curvando-se mais sobre Sandra e Leiliane. Seu mastro está em riste apontando para elas e de vez em quando a que está por cima o abocanha e tenta admiti-lo ao máximo na boca sem contudo conseguir ultrapassar a metade. Para surpresa de Aninha, ele se oferece também a ela, abrindo a bunda com as mãos e convidando-a tacitamente a lambê-lo ali onde até agora nenhum dos namorados dela admitiu gostar de ser sequer tocado. A área de um rosa vivo converge para o centro negro do orifício infimamente aberto. Aninha procura o fundo liso com a ponta da língua e o cutuca, provocando um gemido no gringo que enterra dois dedos na buceta de Sandra e a língua profundamente na boca de Leiliane, resultado que a estimula a prosseguir arrancando esse prazer secreto tão explicitamente admitido pelo italiano.

Mas seu parceiro parece ter encontrado o ponto exato que detona a bomba e Aninha logo começa a sentir a onda do orgasmo a caminho. Sentada em seu rosto, ela o ajuda com movimentos de pélvis enquanto vai sentindo a ampliação do prazer, o arrepio no corpo, as pernas perdendo o controle. De repente, a descarga. Ela pressiona a buceta contra a boca que a devora e a língua que a fustiga. Os espasmos trancam suas pernas e, ao mesmo tempo que ela tem vontade de ficar ali para sempre, a excitação é tamanha que a língua parece insuficiente para levá-la ao prazer máximo.  Trêmula, ela pega o pacotinho triplo que o italiano levou para a cama, abre apressadamente um deles e desliza sobre seu corpo, sentando-se em suas pernas. O pau está pronto, pairando duro acima da barriga do gringo excitadíssimo. Ela o empunha, recua bem a pele, percorrendo o membro da cabeça à base e pressiona o bico da camisinha para tirar o ar, mas assim que o preservativo toca a glande,  o homem emite um gemido que soa como um lamento e leva a mão ao sexo para tentar em vão conter um orgasmo digno de uma sessão de seis horas de sexo. A série de palavrões não é capaz de deter o que foi desencadeado. É tarde demais, os jatos se sucedem em seus dedos enquanto Aninha, esfregando a buceta encharcada, compensa a frustração com o alívio de não ter sido levada a mais uma transa banal. "Nossa, gato, você me deixou com tanto tesão! Me fez gozar tanto! Pena que não deu tempo, mas pelo menos a gente tentou, né?" diz ela à guisa de consolo e olhando para os rostos divertidos dos outros.

Aninha se levanta e vai para para o banheiro lavar-se, levando junto o shortinho e o top. Quando ela sai, suas amigas estão em plena ação. De costas para o banheiro e sentada por cima do outro italiano, Leiliane recebe aos gemidos e palavrões as estocadas do grosso corpo que entra e sai dela como um bate-estacas enquanto Sandra massageia sua linda bunda e o saco redondo do homem. Vendo Aninha vestida e disposta a ir embora, o pobre italiano insuficiente lhe implora que ela espere um pouco, garantindo-lhe que o desejo já volta e prometendo-lhe ver estrelas. Mas ela prefere ir dar um passeio na praia do que estender esse programa mal começado ou reisgnar-se a assistir ao prazer dos outros. Afinal, ela não precisa disso e está consciente de que pode ter o homem que quiser. Ela se despede do infeliz com um beijo no rosto e, agitando o celular, combina de ir esperar as amigas na calçada do hotel assim que elas ligarem. Bem-humorada, Sandra dá tchauzinho fazendo voz infantil enquanto sacode o colosso do italiano dotado que acaba de escapulir da buceta da amiga.


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