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Erotexto é um blogue dedicado ao erotismo que tem por característica uma rica diversidade de estruturas narrativas. Seu objetivo é triplo: entreter, desenvolver o interesse pela escritura e - o principal - motivar a reflexão sobre a libido e a busca do prazer, cujo fundamento biológico acredito ser de caráter essencial e universalmente bissexual.

Erotexto tem formato fixo. A primeira página comporta a última narrativa proposta (não necessariamente a última criação). O material arquivado consiste de contos e relatos classificados por categoria sob a rubrica "EroStock" (coluna à direita), bem como séries, novelas e folhetins. Para conhecer a acepção em que cada estrutura narrativa foi tomada, convido o leitor a clicar em "Pequena Teoria da Narrativa", aqui acima.

Uma comunicação contínua com o leitor faz-se através da rubrica "EroNovas", a primeira da coluna à direita. Meu e-mail está à sua disposição. Para reagir a uma publicação, clique na palavra "comentário", abaixo de cada texto.

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Que Erotexto possa excitar de modo agradável, são e prazeroso, inspirar o leitor a escrever suas próprias histórias e principalmente, motivar a reflexão.

Marc Fauwel

Entre Mar e Montanha (folhetim, episódio XIV)

14. Uma Revelação

É preciso conhecer muito bem a região para saber aonde ir comer, e Marta conhecia. Embora afortunada, ela adorava lugares que caracterizassem bem a cultura presente e obviamente, onde se preparassem saborosas iguarias típicas. Àquela altura, Tomás e eu já sabíamos que não seria fácil voltar às nossas famílias depois de ter conhecido aquela mulher ainda tão jovem, mas tão dona do seu nariz.

Esse segundo restaurante de beira de estrada da nossa jornada era ainda mais "regional" que o primeiro, com apenas 2 mesas guarnecidas de toalhas de plástico xadrez vermelho e branco, azeite e vinagre, sal e pimenta, paliteiro, porta-guardanapos de madeira e farinheira de plástico, sem esquecer o cinzeiro de cerâmica. Pedimos salada de alface e tomate, bife com ovo e feijão com arroz. Famintos com a nossa atividade balneária tão eclética, comemos com muito gosto e tomamos cerveja estupidamente gelada. Fui eu que quebrei o silêncio.
- Marta, ainda estou intrigado com o que você disse no carro depois...
- Depois que transamos? Eu não dei certeza de que ia falar, lembra? Eu disse "de repente".
- É, mas você ficou tão misteriosa! E ao mesmo tempo, parecia que estava com alguma coisa na ponta da língua para falar.
- Nua e muda, mas misteriosa?
- Pois é! Não quer contar para nós?
- É Marta, estamos curiosos, reforçou Tomás.

Ela largou os talheres, deu um bom gole de cerveja e pegou um cigarro no maço ao lado dela, acendendo-o imediatamente e olhando para nós dois após a primeira baforada para o alto.
- Eu sou sexoólica.
- Nós tam... ia dizendo Tomás, cômico.
- Espera, Tomás, interrompeu ela, brusca mas gentilmente. Eu sou mesmo sexoólica, daquelas que precisam de sexo o tempo todo senão piram... ou para não pirar.

Tomás e eu nos entreolhamos e fiz-lhe um sinal sutil para que se aquietasse, enquanto Marta expelia a fumaça em direção ao teto, como num grande suspiro. O silêncio foi o mais longo que experimentamos até então.
- Sou dependente de sexo desde que meu pai deixou minha mãe por outra mulher, há cerca de sete anos. A infelicidade da minha mãe me deixou tão insegura que se eu não fizesse sexo de algma forma três ou quatro vezes por semana, eu me sentia explodindo.
- Masturbação não resolvia?
- Atenuava, mas eu precisava principalmente estar com alguém.
- Homem ou mulher?
- Homem ou mulher.
- Mas foi tão horrível assim? perguntou Tomás. Você deve ter transado com um monte de gente, e isso aos dezoito anos, nossa idade!
- Tomás! exclamei, furioso.
- Não tem problema, Marcos. Se eu contei é porque estava disposta a falar no assunto. A verdade é que está ficando, digamos, menos interessante, agora que não faço mais com os amigos do bairro, da escola, da faculdade, do clube. Depois que me formei, busco satisfação com quem estiver mais perto, como sempre, mas nessa brincadeira, já transei até com caras completamente desconhecidos que encontrei em boates, barzinhos ou até na praia. Já transei até com caras daqui da região, em períodos que passo sozinha na fazenda, como este.
- Então nós somos suas "vítimas"? disparou Tomás, sempre sem tato.
- Tomáaaas! exasperei-me pela segunda vez.
- De certa forma, sim, respondeu Marta, bem-humorada. Estou adorando ser a primeira mulher de vocês e estou achando sensacional vocês não serem como esses machinhos héteros que pensam que o pau deles é o eixo do mundo. Adoro as histórias do Marcos e quero saber tudo sobre você também, Tomás.
- Isso sem falar que ainda temos muito a aprender com você! acrescentei.
- Se depender de mim, passo tudo que sei. Mas é isso, então, que eu tinha para contar. Foi uma sorte eu ter ido até o estábulo quando vocês estavam lá, senão eu teria provavelmente ido à caça à noite e voltado para casa depois de transar com um estranho.
- Pode usar e abusar! brincou Tomás.
- Deixa para lá, Marta. O Tomás não leva nada a sério. Mas já que você resolveu falar, eu estou curioso praa saber como foi o início. Você tinha uns dezoito anos e de repente começou a forçar a barra para ter sexo?
- Foi mais ou menos isso. Assim que comecei a ter medo de ficar – ou acabar – sem ninguém, eu passei a me tornar disponível, acessível, e até "fácil" aos caras. Demorou um tempo até eu ter a primeira experiência com mulher. Meu corpo sempre foi assim...
- Espetacular! interrompeu Tomás.
- Nem tanto, nem tanto, mas sempre fui cantada, na escola, na minha rua, no meu prédio, na universidade, etc. No final do segundo grau, então, aos dezoito para dezenove, o assédio era grande porque – vocês estão vivendo isso – os garotos ficam doidos seja para colecionar "troféus", seja para ter sua primeira transa enquanto estão cercados de colegas que os intimidam menos que as meninas de fora do círculo escolar.
- Você ainda se lembra da primeira? perguntei.
- Muito bem. Mas não estou falando da primeira transa, ouviu? Isso, eu tive a sorte de viver bem mais cedo, com um garoto que eu amava a ponto de ser capaz de dizer sim se ele tivesse me pedido em casamento naquela época. Essa é uma história que faz parte da vida da primeira Marta. O que eu vou contar é o nascimento da segunda.
- Por mim, passo o dia todo aqui ouvindo! declarei.
- E se puder ter exemplos na prática, vai se melhor ainda! disparou Tomás, esvaziando meio copo de cerveja e pondo os pés na cadeira vaga.

Um comentário:

  1. Fiquei com pena de você, autor, pelo esforço gratuito, sem ganhar força nenhuma dos leitores! Resolvi te dizer que leio o Erotexto e gosto. Já escrevi conto erótico e sei como é importante ganhar um feed-back de vez em quanto. Não desanime que um dia a recompensa chega. Você tem bom material escrito aí. Um abraço.
    Luciano

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