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Erotexto é um blogue dedicado ao erotismo que tem por característica uma rica diversidade de estruturas narrativas. Seu objetivo é triplo: entreter, desenvolver o interesse pela escritura e - o principal - motivar a reflexão sobre a libido e a busca do prazer, cujo fundamento biológico acredito ser de caráter essencial e universalmente bissexual.

Erotexto tem formato fixo. A primeira página comporta a última narrativa proposta (não necessariamente a última criação). O material arquivado consiste de contos e relatos classificados por categoria sob a rubrica "EroStock" (coluna à direita), bem como séries, novelas e folhetins. Para conhecer a acepção em que cada estrutura narrativa foi tomada, convido o leitor a clicar em "Pequena Teoria da Narrativa", aqui acima.

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Marc Fauwel

Entre Mar e Montanha (folhetim, episódio XV)

15. Elefantes, Cogumelos, Cerejas e Flechas


Marta começou a falar, entre uma garfada e outra da deliciosa goiabada com queijo que nos serviram.

"Já que vocês estão com essa disposição toda, vou contar como tudo começou. Eu tenho uma grande amiga, a Val – vocês vão acabar conhecendo –, que mora num prédio antigo da Atlântica. Naquela época, há uns sete ou oito anos, ela tinha um vizinho com quem ela transava regularmente, até quando estava namorando. O nome dele era Tulio. Como a Val e eu éramos unha e carne, ela me contava sempre que rolava alguma coisa, e parece que saía faísca porque ele era muito bem dotado.

Um dia, fui à casa dela e o Tulio estava lá. Quando entrei na sala, ele estava sentado no sofá com os braços apoiados nas coxas e brincando com um objeto da mesinha de centro. Ele devia ter um metro e oitenta, era muito claro, mas estava bronzeado porque era verão; estava de cabelo curto, um cabelo castanho claro que ficava espetadinho no alto. O rosto dele me passou personalidade, talvez pelo nariz reto e bem feito e pela atitude da cabeça. Mas os olhos claros, meio verde-acinzentados, logo me chamaram a atenção pela doçura e falta de malícia. Apesar dos vinte anos, Tulio tinha apenas uma fina penugem alourada no rosto. Me senti atraída de saída e acho que foi recíproco, mas não passamos daquelas olhadas rápidas, só para descobrir o exterior um do outro. Nesse dia, fomos ao cinema e ele até levou um amigo, então não rolou nada de mais."
- Mas você percebeu se ele ficou atraído? perguntei.
- Percebi que ele me olhou várias vezes com certa curiosidade.
- Ele estava certo! Não dá para não ficar curioso com você, Marta! brincou Tomás.
- Eu me vestia de um jeito bem estranho mesmo, naquele época. Um dia eu conto, mas me deixem continuar.

E ela voltou ao cigarro, desta vez com o cafezinho na chícara de cerâmica espessa que o tornava ainda mais saboroso.

"Como eu disse, meu pai largou minha mãe e isso me deixou com a impressão de que quem estava em queda livre era eu. Passei a me agarrar às pessoas que me enviassem o menor sinal de simpatia e a fazer de tudo para não perdê-las; tudo mesmo, a tal ponto que algumas se aproveitaram disso. Ansiosa e frustrada, passei a usar a menor oportunidade de tentar fazer novos amigos à força. Para vocês terem uma idéia, quando tinha um grupo maior lá em casa, cheguei a levar algum cara para o quarto pra uma rapidinha!"
- Uau! interrompeu Tomás. Conta isso, Marta!
- Por exemplo, eu interceptava o menino na saída do banheiro, arrastava para o quarto e lascava um beijo já com a mão na calça dele! Eu dava um jeito de sempre estar de saia e de ter camisinha à mão numa gaveta do meu quarto, então não demorava mais do que uns três minutos, o tempo dele botar a camisinha, grudar comigo na parede ou me jogar na cama, mexer um pouco e gozar. Quando a gente voltava para a sala, os outros davam um risinho achando que eu tinha ido mostrar alguma coisa - um CD, um livro ou um desenho meu - porque estivesse interessada no cara.
- Eles eram feras! exclamei admirado!
- Haha! Eu só escolhia os descolados, Marcos.
- Tá, mas continua! instou Tomás, impaciente.

"Isso foi só para dar um exemplo de como eu estava carente e perdida. A verdade é que eu escolhia as pessoas que eu sentisse como menos apegadas a mim, principalmente as que estavam namorando e pareciam não precisar de mim afetivamente; eu oferecia o meu corpo para prendê-la, mesmo que eu não estivesse realmente interessada por ela.

E o que aconteceu foi que cada vez que eu ia à casa da Val, ela dava um jeito de chamar o Tulio. Acabamos saíndo juntos várias vezes e fui me apegando a ele de um jeito diferente, que tinha mais a ver com presença física do que com amizade verdadeira; eu gostava de encontrar o Tulio lá, de saber que ele estaria conosco, sem mais. Ele continuava me olhando, curioso com o meu jeito de ser, talvez excitado com o meu jeito de vestir - e é verdade, eu usava roupas provocantes -, mas não me parecia nem um pouco empolgado ou realmente interessado. Eu o sentia muito mais próximo e íntimo da Val, o que fazia sentido, é claro.

Até que um dia, numa ida à praia, achei que o Tulio não tinha conversado o suficiente comigo e resolvi que era sinal de indiferença. Ele tinha levado uns amigos e deu muito mais atenção a uma tal de Andrea de pernas finas do que a mim. Eu simplesmente não consegui me sentir tão desimportante para esse novo amigo. Eu olhava para ele e o via alheio ao meu mundo, contando suas proezas desportivas aos amigos, sentado na areia ou se secando de pé com aquela sunguinha sexy no corpo fortinho e gostoso de braços fortes, coxas musculosas e bundinha linda ."
- Conta mais! interrompi, empolgado.
- Mais sobre o quê? indagou Marta.
- Sobre o corpo dele, haha!
- Viadinho! disparou Tomás.
- Tomás, Tomás... interveio Marta. Acho que eu já mostrei bem claramente que sou a favor da bissexualidade. Não vamos regredir!
- Está bem, está bem... Desculpe, Marcos, foi mal, pediu ele, visivelmente encabulado. Pode continuar, Marta.

"Então, naquele dia, a Val, o Tulio e eu voltamos juntos da praia para a casa dela. Me lembro que era um dia de semana e só as empregadas estavam. Dona Maria atendeu a porta e fomos os três para o quarto da Val. Eu só pensava em chamar a atenção do Tulio e ali, fechado no quarto conosco, os três só de roupa de banho, ele estava se sentindo o garanhão. Val ligou o computador para nos mostrar fotos da sua última viagem; ela tinha acabado de voltar da China com o pai, que tinha ido lá a negócios. Eu estava do lado esquerdo dela, sentada de frente para o monitor e o Tulio do lado direito, bem junto dela, com a mão no encosto da cadeira. De repente, vejo a Val empurrá-lo bruscamente e exclamar com intonação de riso: "Desgruda esse treco de mim, pô!" A gargalhada foi geral. Tulio se afastou rindo e se jogou na cama fingindo vergonha. Val se virou para mim e com poucas palavras explicou que ele estava se esfregando nela enquanto via as fotos.

A curiosidade instalou-se imediatamente em mim e devo ter feito alguma expressão que me denunciou porque a Val percebeu. Ela levou um dedo aos lábios e, fazendo um olhar mais que maroto e uma vozinha misteriosa, pediu ao Tulio para vir até ela. Ele se levantou da cama, atravessou o quarto e parou ao lado da mesa do computador, mas de frente para ela. 'Eu contei uma coisa para a Marta', disse ela, olhando-o bem nos olhos. Se fazendo de desentendido, ele esperou que ela prosseguisse, impaciente, enquanto ela fazia charme fingindo que não ia mais falar.

'Eu contei que você tem pau grande', completou ela, por fim, sem desgrudar os olhos dos dele. Tulio arriscou uma olhadela na minha direção e lançou um 'Tá, e daí?' que aparentava indiferença. Marta deu um sorrisinho. 'Daí que ela está curiosa, deu para entender?' explicou ela, didaticamente. 'Não precisa me tratar como um debilóide!' retrucou ele, e entraram numa discussão de vizinhos-amantes engraçada mas que não me dizia respeito.

Aproveitei o momento de exclusão para fingir que via o diaporama no computador, mas, de canto de olho, eu tentava disfarçadamente explorar a sunga do Tulio que transparecia sob a camiseta larga. Eu nunca estivera tão perto dele. Na praia, a gente perde a noção de escala, e tem tanta coisa para ver... Aquela era a minha melhor chance de comprovar discretamente o que a Val dissera sobre o dote do Tulio. E de fato, entre uma subida e outra da barra da camiseta, fui percebendo que a sunga revelava uma forma grande. Não parecia duro, mas estava armado, virado para o lado, colado à virilha; estava resistindo bravamente à discussãozinha brochante que me entrava por um ouvido e saía pelo outro.

Tulio estava sozinho conosco, não tiha nada a perder. Recuperando o sangue-frio e valendo-se da inabalável auto-estima dos bonitos e dotados, ele cortou o papo com a Val, deu a volta às nossas cadeiras e veio parar entre elas, atrás de nós. Naturalmente, nos viramos para ele. Eu não sabia exatamente o que ele faria, mas imaginava que naquelas circunstâncias, um cara descolado não perderia a chance de matar a minha curiosidade da maneira mais explícita.

Mas Tulio precisou de um empurrãozinho da Val, que começou baixinho a dizer: 'Tira! Tira! Tira!' Aderi sem hesitar: 'Tira! Tira! Tira!' pedimos em coro. Tulio acabou abrindo um sorriso amplo e entrou no jogo; com movimentos de dançarino de boate erótica, tirou a camiseta expondo o peito bem desenhado e o 'tanquinho' sedutor. Em seguida, baixando lentamente o elástico da sunga verde, deixou de fora apenas o ponto em que o pau e o saco despontavam de uma área recoberta de pelinhos recém-nascidos que denunciavam a depilação recente. O elástico foi descendo, revelando pouco a pouco todo o corpo roliço e inchado, de mesmo diâmetro até o ponto em que brotava a cabeça rosa-arroxeada, grande e muito bem desenhada. Avaliei mentalmente o comprimento daquele estranho cogumelo pendente; devia medir um palmo dos meus, bem esticado, da ponta do polegar à ponta do mínimo. Val me olhou rindo: "Eu não te disse?"

Eu estava de olhos esbugalhados olhando para aquele arco de carne que surgia do final da barriga e ultrapassava de bastante o saco, entre as coxas grossas do Tulio. E estava sem ação também, sem saber que atitude tomar, que cara fazer e muito menos o que dizer. Uma certa tensão pairou no ar. Foi a Val que aliviou o clima, passando a mão nele, de alto a baixo, como se acariciasse um elefante, convidando-me a imitá-la mas deixando-me à vontade para não fazê-lo, tudo isso sob o olhar extasiado do Tulio. Quando a incrível tromba começou a erguer-se, ela ainda sopesou a cabeça, que me pareceu uma gorda e suculenta cereja inchando e desprendendo-se da palma da mão até começar a levitar, oscilando de cima a baixo levada pelo duro tronco que, completamente rígido apontava agora para o teto como uma flecha de forma exótica. Entendi definitivamente a metáfora de Cupido.

Juro que tive todas essas imagens de elefantes, cogumelos, cerejas e flechas! Acho que foi a minha maneira de tomar a coisa pelo lado fantástico em vez de mergulhar de cabeça num sexo a três com a minha melhor amiga e o vizinho dela. O que eu havia esquecido é que o Tulio não fazia apenas parte do cenário, mas era ator desse show, e esse ator estava para se tornar o protagonista de um episódio que me marcaria para sempre porque representaria, por assim dizer, o nascimento dessa segunda Marta que sou hoje."

Mas isso vai ficar para outra vez, meninos, porque sou detalhista para contar e a gente não pode passar o resto do dia aqui! interrompeu ela, já amassando a guimba de cigarro no cinzeiro e procurando um garçon.
- Você não pode interromper agora!
- É, isso foi maldade, acrescentei, apoiando o Tomás.
- Estou de bumbum quadrado nessa cadeira. Prometo que conto o resto outra hora e que vocês vão adorar. Tomás, cadê o menino que serviu a gente? Quero pagar e vamos pensar num passeio para a tarde.

Voltamos para o LTD branco meio calados, minha cabeça invadida de imagens de um erotismo surrealista. Tomás chutou pedras até chegar ao carro enquanto Marta, muito prática, rememorava murmurando os lugares onde poderia haver uma boate perto da fazenda. O alvo retângulo metálico deslizou mais uma vez pelo asfalto tépido do fim de tarde.

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