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Erotexto é um blogue dedicado ao erotismo que tem por característica uma rica diversidade de estruturas narrativas. Seu objetivo é triplo: entreter, desenvolver o interesse pela escritura e - o principal - motivar a reflexão sobre a libido e a busca do prazer, cujo fundamento biológico acredito ser de caráter essencial e universalmente bissexual.

Erotexto tem formato fixo. A primeira página comporta a última narrativa proposta (não necessariamente a última criação). O material arquivado consiste de contos e relatos classificados por categoria sob a rubrica "EroStock" (coluna à direita), bem como séries, novelas e folhetins. Para conhecer a acepção em que cada estrutura narrativa foi tomada, convido o leitor a clicar em "Pequena Teoria da Narrativa", aqui acima.

Uma comunicação contínua com o leitor faz-se através da rubrica "EroNovas", a primeira da coluna à direita. Meu e-mail está à sua disposição. Para reagir a uma publicação, clique na palavra "comentário", abaixo de cada texto.

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Que Erotexto possa excitar de modo agradável, são e prazeroso, inspirar o leitor a escrever suas próprias histórias e principalmente, motivar a reflexão.

Marc Fauwel

Entre Mar e Montanha (folhetim, episódio V)

5. Relatos

Quero lembrar que naquele momento estávamos os três completamente nus, conversando com toda naturalidade. Foi um dia único que nunca mais se repetiu em minha vida e talvez por isso tenha ficado intacto na memória. Quando comecei a contar algumas das minhas experiências, sobretudo com vizinhos do condomínio onde eu morava desde os doze anos e ficaria até os vinte e dois, uma harmonia serena se instalou entre nós três, como se nos conhecêssemos desde sempre. Minhas aventuras eram corriqueiras: passadas de mão, roçadas, masturbações a dois, a três ou em grupo, taras pelas bundas mais empinadas e provocantes do condomínio e, bem mais raramente, uma tentativa outra de penetração, quase sempre frustrada. Mas houve três feitos notáveis: uma experiência por assim dizer "mágica", uma aventura excepcional em grupo e uma transa mais recente, com alguém com quem eu ainda tinha contato na época desse relato à Marta.
- Me conta essas três últimas, vai Marcos, pediu ela.
- Isso! tornou a implicar Tomás, com um riso sarcástico. E ele só vai te contar as vezes que ele comeu, Marta, não as que ele deu!

Não dei maior atenção ao meu amigo, julgando-o dividido entre o despeito em relação ao passado e o excesso de autoconfiança conferido pela sua iniciação, momentos antes. Eu ainda não havia sido passivo, mas não tinha nada contra isso e não quis discutir com ele naquele momento. Dirigindo minha atenção para a Marta, comecei a relatar minhas três aventuras dignas de nota.

Colisão Mágica

- Minha primeira penetração bem sucedida foi realmente inesperada. Um vizinho meu, Luís, ia sempre lá em casa especialmente para brincar com a minha coleção de carrinhos Matchbox, que eu deixava espalhados na cama. Meu quarto foi concebido como uma cabine de navio, com uma ampla cama de cerca de 90cm de altura, com gavetas e armários embaixo, o que permite ficar de pé e usá-la quase como se fosse uma mesa.

Naquele dia, Luís e eu estávamos na piscina quando ele me pediu para ir lá em casa brincar. Concordei sem qualquer segunda intenção, nos secamos ao sol e fomos. Quando chegamos no quarto, começamos imediatamente a brincar. Ele era fascinado por acidentes incríveis em que imensas jamantas iam se aproximando de pequenos carros esporte até colidir com eles e arrastá-los por quilômetros antes de jogá-los ribanceira abaixo. Ele gostava que eu assumisse a direção de um caminhão e o perseguisse até que ele, em seu Porsche ou BMW, por mais possante que fosse, decidisse que era hora da acoplagem mortífera.

Não sei explicar como tudo começou, mas acho que o fato de estarmos de sunga e de ver o Luís naquela posição muito debruçada me excitou. Me lembro que acabei dando um jeito de passar por trás dele várias vezes, sempre roçando meu corpo no dele e sentindo a ereção se armar de vez. Quando me certifiquei de que ele não estava se importando, tomei coragem e fiquei por trás dele, esfregando-me explicitamente.

Eu estava preparado para ouvir um "Para!", mas a resposta não veio e o Luís me pareceu estar gostando daquilo. Em todo caso, a sorte estava lançada; eu já nao conseguia mais interromper o jogo. A certa altura, senti que ele começou a acompanhar meus movimentos, oferecendo-se debruçado e de pés afastados bem plantados no chão; foi o sinal de que eu precisava para ter a certeza de estar sendo correspondido. Tenso de desejo, perguntei se podia baixar a sunga dele. Não recebendo oposição, desci-a até o meio das coxas e o próprio Luís terminou de tirá-la enquanto eu me livrava da minha.

Sentir meu pau colado entre aqueles dois gomos brancos, redondos e saltitantes de tão firmes foi a primeira sensação incrivelmente intensa da minha vida. Luís parecia pronto, querendo continuar, querendo tudo, rebolando ao contato quente do meu corpo. E foi nesse instante que se deu a mágica inexplicável desse encontro. Sem nada além do meu próprio líquido para lubrificar a área, nós estávamos tão prontos e com tanta vontade de viver aquilo que eu só precisei encontrar o ponto exato, pressionar e entrar. Não doeu, ele não gritou, não me fez parar, não me empurrou para trás, foi só emoção e um intenso prazer. Acho que nossas alturas e a posição eram perfeitas, as proporções dos nossos corpos também. O que posso garantir, Marta, é que ele adorou me sentir dentro dele, adorou o vaivém e adorou os momentos finais, quando gozei dentro dele. O mais curioso, nisso tudo, é que foi uma única vez. Eu sempre quis repetir, sempre tive muito tesão pelo corpo do Luís, mas dali em diante nós fomos apenas dois amigos que guardavam um segredo. Ele ainda mora lá, está no colégio São Bento e nos damos super bem.
- Uau! Que transa hot! Agora me responde sinceramente: ele não quis trocar com você?
- Não, talvez porque eu fosse um ano mais velho, não sei. Eu não teria negado, mas isso parece nem ter passado pela cabeça dele.
- Você notou se ele ficou excitado também?
- Não reparei. Quando terminou, dei uma olhada e o pau dele estava entre o mole e o duro.
- Você acha que ele é gay hoje?
- Olha, não vejo muito o Luiz namorar, mas acho que não; ele é todo metido com esportes... Mas a verdade é que não dá para saber porque ele pode muito bem esconder isso.
- É verdade, é difícil mesmo. Mas achei a história um tesão. Depois disso vocês nem se "estranharam" um pouco?
- Não. Acho que não nos vimos logo nos dias seguintes, mas me lembro dele sempre sorrindo e legal comigo e eu com ele.
- Conta uma história sua com menina, Marta, pediu Tomás, com uma voz calma e grave de garanhão momentaneamente saciado.
- É Marta, conta alguma coisa para a gente, apoiei.
- Então vou contar uma coisa que aconteceu muito rápido mas que me despertou para essa possibilidade de gostar de gente dos dois sexos.

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