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Erotexto é um blogue dedicado ao erotismo que tem por característica uma rica diversidade de estruturas narrativas. Seu objetivo é triplo: entreter, desenvolver o interesse pela escritura e - o principal - motivar a reflexão sobre a libido e a busca do prazer, cujo fundamento biológico acredito ser de caráter essencial e universalmente bissexual.

Erotexto tem formato fixo. A primeira página comporta a última narrativa proposta (não necessariamente a última criação). O material arquivado consiste de contos e relatos classificados por categoria sob a rubrica "EroStock" (coluna à direita), bem como séries, novelas e folhetins. Para conhecer a acepção em que cada estrutura narrativa foi tomada, convido o leitor a clicar em "Pequena Teoria da Narrativa", aqui acima.

Uma comunicação contínua com o leitor faz-se através da rubrica "EroNovas", a primeira da coluna à direita. Meu e-mail está à sua disposição. Para reagir a uma publicação, clique na palavra "comentário", abaixo de cada texto.

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Marc Fauwel

Entre Mar e Montanha (folhetim, episódio IV)

4. Travando Conhecimento

Depois de lavar-se, Marta perambulou um pouco pelo estábulo, indo parar na porta, a alguns passos do imenso LTD branco, presente que o pai lhe dera apenas para os seus deslocamentos na região. Ela caminhou até ele, abriu a porta, depois o porta-luvas, pegou um maço de cigarros e sentou-se no empoeirado capô dianteiro para fumar. Compreendi logo que o sexo precisa de pausas e que minha vez teria que esperar o momento propício.
- Vocês ainda estão no segundo grau?
- Terminando! Apressou-se Tomás, sempre querendo ser grande.
- Vocês se conhecem há quanto tempo?
- Desde os onze ou doze, por aí.
- É sério mesmo que não rola nada entre vocês? Hoje foi a primeira vez que um cara te tocou, Tomás?
- Foi.
- Não, respondi simultaneamente.
- Ha! Ha! Vocês tem que decidir quem vai responder quando alguém perguntar isso, senão ficam parecendo dois gêmeos doidos!

O olhar de Tomás me implorava que eu não revelasse nada sobre nossas experiências, mas, pela primeira vez e porque se tratava de uma pessoa francamente aberta como a Marta, achei injusto continuar a encobrir sua hipocrisia e resolvi romper o silêncio.
- Marta, antes de você chegar, a gente tinha feito umas coisas.
- Eu sabia! Conta! Quero saber tudo!
- Espera, Marcos! interrompeu Tomás, bruscamente. Antes, quero saber se você já fez alguma coisa com mulher, Marta.
- Eu tenho uma namorada, Tomás! Aliás, estava pensando nela, aqui, fumando. Adoro ficar com mulher; não tem nada mais doce e carinhoso, e essa história de que só homem sabe dar prazer à mulher é mentira pura. Vocês não tem que ter medo de falar comigo sobre essas coisas; eu sempre fui meio bissexual.
- A gente estava conversando sobre isso hoje, Marta. Eu acho que dois amigos do mesmo sexo podem ter intimidade sexual sem ser homossexuais por isso, mas o Tomás é mais medroso que eu.
- É claro que podem! Eu beijava amigas minhas na boca mesmo estando super a fim de algum menino.
- Eu acho que sou assim, respondi animado, olhando para Tomás e procurando integrá-lo à conversa.
- Vocês tinham transado antes de eu chegar?
- Não! Gritou Tomás.
- É, Marta, não chegamos tão longe, mas a gente se tocou bem.
- Numa época, eu transei algumas vezes com dois meninos que faziam de tudo entre eles. É uma loucura!
- A gente falou sobre isso hoje. Você acha que eles eram bissexuais mesmo ou gays?
- Sei lá, e pouco importa. Mas era muito bom e todo mundo se divertia muito.
- Você acha que alguém pode ser perfeitamente bissexual, quer dizer, gostar tanto de homem quanto de mulher, poder viver com um ou com outro e até casar?
- De repente. Acho que eu poderia viver um tempão com um cara ou com uma mulher, depois mudar. Mas o bissexual pefeito não poderia se casar para a vida toda, senão ficaria muito frustrado. Ele teria que ficar um tempo com um cara, depois com uma mulher, depois outro cara... A vida dele seria assim. A não ser que ele morasse com um casal e rolasse de tudo entre os três, mas isso deve ser bem raro de dar certo.
- Não acho ruim, repliquei. Deve ser estranho passar a vida inteirinha com uma pessoa só.
- E para ter filhos? interferiu Tomás.
- Essa é a parte mais complicada porque assim que os filhos nascem as pessoas mudam e casamento vira coisa séria. Mas chega de falar disso. Quero saber de vocês. Podem ir contando!

Mais relaxado com a confissão de Marta, Tomás se acalmara um pouco e se sentara no caixote em que eu estivera tomando sol, encostado numa viga da entrada. Comecei então contar nossos momentos de intimidade, até então numerosos mas sempre superficiais. Expliquei que tudo começara porque quando era eu a ir dormir na casa dele tomávamos banho juntos ou dormíamos na mesma cama, e que um belo dia, passamos a olhar o corpo um do outro de outro jeito e a nos tocar. Tomás sempre foi muito exibicionista; gostava de sair nu do banho e se saber olhado pelos amigos. Eu olhava, opinava sobre o corpo dele e o tocava com menos medo que ele. Tomás gostava e participava, mas sempre a pretexto de falar de alguma menina por quem estivesse empolgado no momento. Concluí explicando à Marta que a diferença entre Tomás e eu era que eu não percisava inventar desculpas heterossexuais para justificar nossas intimidades. Ela ouviu atentamente, brincando com a fumaça do cigarro.
- Vocês nunca foram muito longe, então, em matéria de sexo; nada de chupar e muito menos transar.
- Não, respondi sorrindo. O máximo que fizemos foi tocar mesmo, pegar, fazer gozar com a mão.
- Mas pelo que você disse, Marcos, ir mais longe não seria problema para você.
- Para mim, não, desde que tudo ficasse em segredo entre nós dois. Ninguém precisa saber que dois amigos têm mais intimidade do que mostram. Nós conversamos sobre isso hoje também. Se ninguém fica sabendo, ninguém rotula e a gente se sente livre para fazer o que quiser e quando quiser.
- Tomás, você também sente atração pelo Marcos ou é sempre ele que demonstra e toma a iniciativa?
- Não, não, já comecei muitas vezes. Mas é como ele diz: eu sempre começo quando estou com tesão por alguma menina. Atualmente é a Letícia, mas já foi a Marina, a Daniela... Lembra da Daniela, Marquinhos, aquela menina que morou uns dois anos lá no meu condomínio? Ela descia com uns shortinhos que me deixavam maluco.
- E aí as nossas brincadeiras rolavam quase todo dia, Marta! acrescentei, em tom provocador.
- Então o Tomás descarrega o tesão por meninas nos joguinhos entre vocês.
- É isso aí doutora! E por falar nisso, quantos anos você tem, Marta?
- Completo vinte e cinco daqui a dois meses, dia 10 de março. E vocês?
- Tomás completa dezenove em outubro, eu em novembro.
- Quer dizer que estou iniciando dois virgens?
- Um virgem!
- Porquê? Foi só o Tomás que...
- Não, só eu! respondi todo prosa.
- Sério? Foi você que transou primeiro. Como era ela?
- Pois é, Marta, aí é que está; eu transei primeiro porque nunca me importei que a primeira transa não fosse com "ela". Eu moro num condomínio enorme com pátios, lixeiras, piscina, banheiros e uma galera de mais de trinta. Não tem como crescer lá e chegar virgem aos dezenove.
- Na falta de mulher, ele passava o dia fazendo duas coisas, Marta: ou se trancava no banheiro ou pegava os garotinhos indefesos do condomínio! brincou Tomás, indolente, sem abrir os olhos, banhado pelos raios de sol de fim de tarde.
- Não é nada disso, Marta! Ele está é com inveja porque fiz um monte de coisas antes dele. Tenho certeza que você entende.
- Claro que entendo. Você teve mais experiências porque teve menos preconceitos; é natural e não preciso ser psicóloga para isso. Eu sempre quis morar num lugar cheio de gente da minha idade. Que legal! Me conta um pouco disso, pediu ela, animando-se toda.

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