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Erotexto é um blogue dedicado ao erotismo que tem por característica uma rica diversidade de estruturas narrativas. Seu objetivo é triplo: entreter, desenvolver o interesse pela escritura e - o principal - motivar a reflexão sobre a libido e a busca do prazer, cujo fundamento biológico acredito ser de caráter essencial e universalmente bissexual.

Erotexto tem formato fixo. A primeira página comporta a última narrativa proposta (não necessariamente a última criação). O material arquivado consiste de contos e relatos classificados por categoria sob a rubrica "EroStock" (coluna à direita), bem como séries, novelas e folhetins. Para conhecer a acepção em que cada estrutura narrativa foi tomada, convido o leitor a clicar em "Pequena Teoria da Narrativa", aqui acima.

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Que Erotexto possa excitar de modo agradável, são e prazeroso, inspirar o leitor a escrever suas próprias histórias e principalmente, motivar a reflexão.

Marc Fauwel

Entre Mar e Montanha (folhetim, episódio I)

Vou narrar em várias partes uma série de episódios ocorridos nas férias de verão de um mesmo ano cujos mínimos detalhes jamais me saíram da memória embora eu tivesse na época acabado de concluir o segundo grau. Nunca anotei nada sobre as pessoas nem os lugares envolvidos, mas é como se tudo houvesse acontecido no mês passado. Decidi adotar o formato "folhetim" porque essas lembranças estão emergindo pouco a pouco e prefiro não esperar que elas se esgotem para publicá-las. Espero que sejam do agrado do leitor.


1. Liberdade


Durante parte do primeiro grau e todo o segundo, tive um grande amigo ao qual muitas afinidades me uniam tornando-nos inseparáveis. Uma das coisas que mais gostávamos de fazer, assim que nos tornamos menos dependentes, era ir passar as férias em Cabo frio, onde a família dele tinha casa. Mas não para ficar o dia todo nos bronzeando na praia com o objetivo de estar bonitos na hora de ir para os barzinhos à noite e sim para irmos acampar nas propriedades da zona rural, do outro lado da estrada. De mochila nas costas, nos aprofundávamos terra adentro pedindo carona e quando chegávamos a um lugar bonito e desocupado onde houvesses trilhas para passear, montávamos nossa barraca de nylon, escondíamos as mochilas em algum lugar facilmente reconhecível e íamos explorar as redondezas. Fizemos isso algumas vezes, o que nos tornava "diferentes" aos olhos dos parentes e amigos, mas não gerava rejeição ou qualquer sentimento hostil por parte deles. Todos sabiam que ao chegar à casa de praia, meu amigo Tomás e eu não lhes faríamos companhia por muito tempo.

Aquela vez, tínhamos encontrado o que parecia ser uma fazenda colonial, com sua ampla sede retangular caiada de branco e janelas e portas azuis. Parecia estar fechada há algum tempo porque as trepadeiras haviam escalado o imenso portão de entrada e a grama em volta da casa crescera e se enchera de erva daninha. Não foi difícil passar por entre os fios de arame farpado da lateral do jardim. Montamos nossa barraca nos fundos da casa, ao abrigo do olhar de curiosos e moradores das redondezas. Não havia sinal recente da presença de caseiros. A barraca com motivos de camuflagem militar ficou perfeiteamente dissimulada entre moitas crescidas e descabeladas daquilo que devia ter sido um jardim dos fundos bem cuidado.

Trocamos as jeans por sungas e shorts, escondemos as mochilas no forro de um barracão velho e saímos para descobrir a imensa e linda região de campos, colinas, sítios e belas casas de veraneio. Tínhamos água e sanduíches, o que nos dava uma boa autonomia. Quando deixamos a barraca, devia ser por volta de 2h da tarde do mesmo dia em que chegáramos a Cabo Frio.

Cerca de uma hora de marcha se havia escoado quando chegamos a um pasto onde se via, no meio, um estábulo um tanto deteriorado e, espalhadas no pasto em volta dele, uma dúzia de vacas. Como não havia ninguém, entramos para sentar à sombra e comer nossos sanduíches. Mais acalorado que eu, Tomás foi logo se livrando do short, ficando apenas de sunga e tênis. Fiz o mesmo quando me certifiquei de que estávamos sozinhos. Nos sentamos recostados em vigas de tronco, frente a frente, a cerca de 3m um do outro. Foi Tomás que rompeu o silêncio.
- Estou a fim da Mônica, cara.
- Que Mônica? A da escola?
- Não! A irmã do Sérgio, lá do clube. Mas ela nem sabe que eu existo.
- Ela é bonitinha; vai fundo.
- Só é pena ter que parar de beijar aquele tesãozinho da Letícia.
- É a melhor amiga da Mônica.
- Pois é. Fico de pau duro só de pensar nela, cara!
- Tarado!

Eu disse isso ao mesmo tempo que meus olhos rapidamente desciam até a altura da sunga do meu amigo, em busca da evidência concreta – e quiçá  palpável – do que ele acabara de dizer. Tomás não percebeu nada, mas ele sabia que nossas brincadeiras esporádicas sempre começavam com uma conversa que ressaltava a assimetria das nossas respectivas maturidades sexuais. Embora eu não me sentisse de modo algum exclusivamente atraído por meninos, minhas primeiras experiências haviam-se desenrolado com amigos, vizinhos e colegas do mesmo sexo, o que me dava uma liberdade muito vantajosa. Saber Tomás excitado era para mim um sinal, ainda que inconsciente, de que ele estava vulnerável a uma aproximação mais íntima.
- Mostra.
- Fala sério! Quer ver mesmo? Agora?
- Você está cansado de saber que eu sempre quero!

Tomás pousou o sanduíche na embalagem, ao seu lado e, levando ambas as mãos ao elástico da sunga, fez que ia baixá-lo, olhando-me maliciosamente e cantarolando uma melodia de strip-tease. Precisei fingir que ia me levantar e ir até lá para que ele se decidisse enfim a mostrar-me seu sexo bem ereto e vivo, que eu conhecia muito bem já desde a nossa puberdade.
- Tudo isso, só porque você pensou na Letícia?
- "Só"? Você conhece alguma mais gostosa, cara?
- Não, mas vocês só se beijaram!
- Que nada! Passei a mão na bunda e nos peitinhos. Por fora da roupa, é claro, mas se eu pedisse, acho que ela até me dava!
- Fácil assim? Então você só é virgem porque é preguiçoso?
- É mais ou menos por aí.
- Pretensioso... e mentiroso ainda por cima!

Rimos, continuamos implicando um com o outro e foi Tomás que acabou se levantando para ir tornar mais física a nossa troca de insinuações quanto à competência de cada um para emancipar-se sexualmente. Choveram dolorosos socos no braço, empurrões, chaves de de perna e de braço, tentativas de enforcamento até que, exaustos, tombamos um sobre o outro – ele sobre mim – e lá ficamos por alguns momentos, resfolegantes e sujos de palha, até que Tomás voltasse à carga e me imobilizasse completamente, sentado sobre mim com todo o peso do corpo e juntando-me as mãos sobre o peito.
- E você, que nem tem uma Letícia para beijar? Fala!

Incapaz de desvencilhar-me, recorri à velha tática do sarro, movendo o corpo para que Tomás sentisse a minha virilidade em contato com seu corpo.
- Não, respondi, mas pelo visto, não é com a Letícia que você quer perder a virgindade! repliquei, caindo na gargalhada.

Sucedeu-se uma saraivada de tapas fictícios no rosto e foi minha vez de segurá-lo pelos pulsos enquanto, erguendo-se nos joelhos, ele tantava evitar meu contato. Eu estava excitado, sentindo a força do meu órgão contra o tecido elástico da sunga. Tomás deve ter percebido porque num movimento súbito livrou-se das minhas mãos e, deslizando agilmente sobre minhas pernas, baixou minha sunga eté o meio das coxas, explodindo em riso.
- Olha quem fala! Isso é por causa da Letícia ou por minha causa?
- Ah, sei lá, cara! respondi, sem jeito, tentando cobrir-me com as mãos. Com você rebolando em cima de mim desse jeito... Ninguém é de ferro!

A cada vez, Tomás tirava-me as mãos do sexo, segurando-me firmemente pelos punhos e colando-os no chão. Finalmente, exausto e dando-me por vencido, apoiei-me nos cotovelos, fitando meu amigo, cujo olhar zombeteiro ia e vinha entre meus olhos e meu sexo, que pulsava em plena ereção pouco acima da minha barriga. Durante o que me pareceu serem longos segundos, fiquei privado de pensamento, apenas olhando para aquele rosto radiante de vitória. Tomás era bonito, moreno de olhos verdes e cabelo castanho móvel, farto e levemente ondulado. Seu corpo ainda era completamente liso, exceto as axilas e a pélvis. Autoconfiante, ele aparava seus pelos pubianos, de um castanho escuro que combinava perfeitamente com a cor morena e com a textura lisa de sua pele. Ele os aparava e delimitava meticulosamente a região trapezoidal que ocupavam, notadamente a base maior, que ligava as diagonais do púbis numa linha horizontal perfeita. Tomás parecia ter certeza de que sua iniciação na vida sexual era uma questão de escolha mais do que de oportunidade. Seu corpo era harmonioso e bem proporcionado, forte e bem desenhado, embora não exuberante de musculatura. E além dessas características aparentes ou quase, havia outras que só seus amigos mais íntimos conheciam, e eu era o mais íntimo de todos. Eu sempre o vira nu em casa, despindo-se, vestindo-se ou tomando banho. Tão lisa quanto o resto do corpo, sua bunda era o que mais me atraía nele: dois gomos estreitos mas carnudos, cada um com sua bela concavidade lateral, despontavam da curvatura das costas, projetavam-se saliente e generosamente em semicírculo perfeito e terminavam formando dois sulcos longos e bem definidos na junção com a parte mais grossa das coxas lisas, longas e fortes. Embora nunca chamasse a atençaõ para ela – sua obsessão estava do lado oposto – Tomás sabia que possuía uma bunda de forma invejável e chegou a comentar isso comigo algumas vezes, ao voltar do banho, contemplando-se nu diante do espelho do quarto. Ele era viril e dono de uma grande autoestima, fatores que explicavam perfeitamente suas ousadias, como a daquele momento, naquele estábulo, em que o tempo deixou de existir para dar lugar à verdade das nossas pulsões mais francas.
- Quer pegar?

Ainda não sei explicar por que eu disse isso naquele momento, mas me lembro que a pergunta bateu nos ouvidos de Tomás como uma questão de importância metafísica. Em vez da reação esperada, vi-o olhar vagamente para o chão ao seu lado, como se procurasse uma resposta na palha, depois para mim, bem nos olhos e, sem um milisegundo de hesitação, colheu meu órgão que pulsava ainda duro sobre a barriga, puxando ato contínuo o prepúcio para trás e expondo bruscamente a glande rubra e inchada, arrancando-me um quase grito e deixando-me boquiaberto. Meu melhor amigo e exemplo de masculinidade estava sentado sobre meu corpo, empunhando concentradamente o meu sexo sem dar mostras de qualquer conflito ou receio de ser julgado.
- Quer que eu te faça gozar?
- N-não... Sei là, cara, estou sem saber o que dizer, respondi, um tanto embaraçado.
- Então não diz nada; fica olhando - ou fecha os olhos - e relaxa.

Eu não conseguia acreditar no que estava vivendo. Talvez a extrema autoconfiança levasse a esse tipo de desembraço, pensei com meus botões. Estávamos ali, só os dois, tendo vacas por únicas espectadoras. Ninguém jamais precisaria saber.

O contato da mão de Tomás foi-me excitando muito, a tal ponto que ele percebeu as gotas de suor em meu buço e o fio transparente que ligava a minha glande à barriga. Seus movimentos eram regulares e precisos, não me causavam o mínimo desconforto, apenas prazer. Fechei os olhos e deixe-me levar pela suave frequência da masturbação enquanto eu sentia as rígidas pulsações do meu órgão opondo resistência ao aperto da mão de Tomás. Nesse ritmo, o clímax não tardaria.
- Pára, Tomas.
- Por quê?
- Se eu gozar, vou perder a vontade.
- Vontade de quê?
- De fazer em você, ora!
- E você quer isso?
- É meio injusto, só um fazer no outro, não?
- Sei lá, não acho. Isso a gente só faz se estiver a fim. Não é como um favor a ser retribuído.
- Mas eu quero. Vem para frente.

Sem sair de cima de mim, Tomás avançou um pouco sobre minhas coxas e, sem interromper completamente o que estava fazendo, permitiu que eu baixasse o elástico da sua sunga. Ao contrário do meu, seu sexo não estava completamente rígido, mas apenas desenvolvido e grosso. Quando o libertei da sunga, ele armou-se molemente e ficou pairando como uma vara de pesca acima do meu próprio sexo. Observei-o por um momento antes de tocá-lo. Era de um tom mais escuro que o resto do corpo de Tomás. Eu já o vira muitas vezes e já até o tocara, mas como se toca uma frigideira ardente ou um animal traiçoeiro; nunca o empunhara nem tampouco tivera a oportunidade de observá-lo longa e detidamente como naquele momento. O membro do meu melhor amigo era mais longo e mais grosso que o meu, possuía um tronco mais achatado que o meu e uma glande mais volumosa que moldava o prepúcio com sua aba ampla e muito bem delineada. Pela primeira vez em quase seis anos, pude examinar detalhadamente o órgão sexual do meu melhor amigo, desse amigo com quem, no entanto, eu sempre tivera intimidade suficiente para tomarmos banho juntos e dormirmos na mesma cama eventualmente até nus, em noites de grande calor ou quando estávamos na casa de praia e as sungas estavam molhadas.

Assim que o toquei, Tomás teve um pequeno sobressalto, empertigou-se um pouco, mas logo sorriu, tornando a reacomodar-se sobre mim, enquanto a ereção se instalava gradualmente. Assim que a rigidez total foi atingida, a proximidade fez com que instintivamente os comparássemos e, um de cada vez, juntamos nossos membros para empunhá-los com uma mão só.
- Impossível, disse Tomás, tentando unir o indicador e o polegar.
- Já pensou, um só com a grossura dos dois? Demoliria a Letícia!
- Acho que ela aguentaria, cara! Já viu o corpaço que ela tem? Com aquelas coxas e aquela bunda, ela aguenta um dotado fácil, fácil.
- É, a Letícia de biquini deixa qualquer um doido. Será que ela já transou?
- A Mônica diz que aquele jeito dela é pura onda e que na verdade, ela está a fim de namorar firme, casar e ter filhos. É bem capaz mesmo.
- Sei não, cara. Do jeito que ela beija os caras na escola... Já vi a Letícia sentada no colo do Maurício que nem dançarina de boate dando cada beijão de língua!
- É, ela faz isso mesmo, já fez comigo também. Mas isso não quer dizer que ela transe não. Em todo caso, com você é que não foi, esperto!

Falar de mulher durante uma seção de masturbação mútua é coisa que jamais vi nem contado nem filmado. E no entanto, estávamos lá, os dois melhores amigos do mundo, com o sexo um do outro na mão e agora excitados com o corpo imaginário da nossa musa erótica do secundário. E porquê não? O objeto da excitação pode muito bem ser outro que não o das duas pessoas que se dão prazer! E quem disse que a amizade não pode ultrapassar esse limite? Assim que a imagem da super sexy Letícia entrou em cena, nossas mentes e nossos corpos, sentindo seu habitat natural, começaram a funcionar melhor do que nunca. Foi Tomás que deu o passo seguinte.
- Da próxima vez, vou pedir à Letícia para bater uma para mim, cara.
- Assim? Agitei com vontade o membro grosso e duro do meu amigo, que suspirou e revirou os olhos de excitação.
- Assim mesmo. Não, melhor ainda: ela vai me fazer gozar só te tocar nele, de tão excitado que eu vou estar.
- Pois comigo ia levar um tempão! Ela ia ter bastante trabalho até me fazer encharcar aquela mãozinha!
- Você goza muito? Eu dou um monte de jatos e esguicho longe, fez Tomás, empolgado, voltando a me masturbar no seu ritmo firme e regular.
- Uma vez, batendo sentado, já esguichei no cabelo.
- Caraca!
- Vamos tirar a sunga?

Sem pensar duas vezes, Tomás sentou-se entre minhas pernas abertas e, jogando as suas para cima, terminou de livrar-se da sunga, enquanto eu fazia o mesmo. No final, eu continuava deitado de costas, apoiado nos cotovelos e ele sentado com minhas pernas sobre as suas, as mãos apoiadas nas minhas coxas e me olhando com seu habitual ar simpático.
- É gostoso poder ficar tão à vontade com alguém, admitiu ele.
- É, mas eu só tenho coragem de fazer isso com você, Tomás. E se alguém descobrisse, ia espalhar e todo mundo pensaria que somos gays.
- Será que nenhum cara hétero toca no pau de um amigo? Nem do melhor amigo?
- Deve, mas como é super secreto, ninguém fica sabendo. Ha! Ha! Deve rolar muita coisa, sim; principalmente entre amigas.
- É, e se a gente consegue manter segredo pode fazer o que quiser.
- Mm-hm, também acho. Se ficar entre dois, o risco de ser rotulado disso ou daquilo é zero. Não quero ser considerado bicha porque tenho liberdade com o meu melhor amigo!
- Nem eu! Aliás, isso não faz de mim viado nem bicha e nem mesmo, para usar a palavra séria, homossexual. Nenhum desses rótulos se aplica a mim.
- E bi, Tomás? Será que essa liberdade nossa nos define como bissexuais?
- Bem, aí não sei. Se a gente continuar fazendo isso até enquanto estiver com alguma menina, namorando ou casados e com filhos, aí eu acho que sim.
- Bissexuais?
- É.
- Só porque a gente pega no pau um do outro, e só entre nós dois?
- Espera, tenho que pensar. Só entre nós e só pegar no pau... Hum... Parece pouco, não é?
- É. Para ser tachado de bi, acho que a pessoa tem que ficar com homens e mulheres – tanto faz – e não basta pegar e tocar; rola transa e amor, carinho, sei lá.
- Você já viu transas bi em clipes da Internet, daquelas com beijo e sexo entre três pessoas, geralmente duas do mesmo sexo?
- Já, mas os caras sempre me parecem gays. Eles não dão prazer à mulher como nas transas heteros e parecem sentir muito mais prazer quando estão transando com o outro cara do trio.
- Concordo, mas deve existir os bi perfeitos.
- De repente, não sei.

Essa reflexão sobre a sexualidade humana abateu nossos sexos e nos fez largá-los. Ficamos sentados, brincando com a palha do chão e olhando para o velho estábulo em ruínas. Tomás levantou-se e estendeu-me a mão para ajudar-me a levantar, seu longo membro pendente contrastando com a musculatura flexionada das coxas. Perambulamos até a saída oposta àquela por onde entráramos. O extenso pasto era circundado de colinas baixas a perder de vista, sem sinal de presença humana além da nossa. Tomás saiu correndo, pulando e gritando, comemorando a liberdade de poder estar nu no mundo ao qual ele veio nu. Contemplei novamente seu corpo moreno claro e o achei bonito pela simplicidade das formas; um corpo sem curvas a mais, sem dobras a mais, sem sombras a mais, um corpo definido apenas pelos elementos simples que compõem o que chamamos de beleza física. Peguei um caixote, coloquei-o em pé e sentei-me recostado na viga da entrada, banhando-me no calor sol da tarde e observando a dança da liberdade do meu melhor amigo. Pouco a pouco, um torpor invadiu-me o ser, fechei os olhos e rompeu-se o contato com o mundo.

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