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Erotexto é um blogue dedicado ao erotismo que tem por característica uma rica diversidade de estruturas narrativas. Seu objetivo é triplo: entreter, desenvolver o interesse pela escritura e - o principal - motivar a reflexão sobre a libido e a busca do prazer, cujo fundamento biológico acredito ser de caráter essencial e universalmente bissexual.

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Marc Fauwel

O Despertar do Príncipe Maia


Dentre as volutas do turbilhão de hieróglifos maias descobertos em anos recentes, encontrou-se uma narrativa singular, que me chegou através de um amigo arqueólogo. Vou tentar reproduzi-la aqui da maneira mais fiel.

Um jovem príncipe maia, decidido a tirar o máximo proveito de suas ereções matinais passou a exigir que diariamente, antes de se levantar, todo perímetro de sua cama - uma ampla superfície circular de raio equivalente a cinco dos nossos metros - estivesse preenchido por efebos e donzelas alternados, completamente nus, ajoelhados lado a lado e - para não molestá-lo com olhares curiosos ou emoções indesejadas - voltados para o exterior do círculo. Ele se satisfaria penetrando um a um, sem repetição, até atingir o orgasmo. Para sua comodidade, o príncipe exigia que, ao retirar-se de cada um de seus jovens súditos, a donzela ou efebo em questão dissesse em voz alta o seu número e em seguida todo o círculo humano se movesse no sentido anti-horário, de modo que sempre houvesse um novo súdito diante dele. Era um mecanismo engenhoso do qual o jovem nobre muito se orgulhava.

A rotina iniciava-se, portanto, pelo despertar do príncipe em plena ereção - equivalente a quase dezenove dos nossos centímetros de comprimento por cinco de diâmetro - que ele costumava contemplar deitado sob o lençol finíssimo. Às vezes, ele estava acordado para ver a procissão silenciosa dos jovens que entravam em seus aposentos para servi-lo. Ele gostava de admirar os corpos perfeitos quando vinham posicionar-se de costas em torno da cama, o que lhe permitia admirar os rostos, os corpos e sobretudo as belas nádegas multiformes das donzelas e efebos criteriosamente eleitos pelo seu ajudante de ordens. Eles entravam na cama de costas e punham-se de joelhos, afastando as pernas para que o príncipe pudesse contemplar os testículos e as formas sempre distintas das vaginas, bem como a sombria região anal, que lhe fazia imaginar os orifícios em suas variadas conformações.

Uma vez completado o círculo humano, o príncipe ia até o jovem que se encontrasse ao sul da linha imaginária que o cortava longitudinalmente e a narrativa hieroglífica especifica que ele sentia imediatamente a "tensão animal" da donzela ou do efebo pela observação da rigidez das coxas e pela posição da cabeça. Ele percorria o corpo com os olhos para ter certeza de que seu ajudante escolhera bem e, quando estava satisfeito, untava um dedo com o óleo de uma preciosa ânfora e o introduzia no orifício de sua escolha. Ele gostava de ver a reação do escolhido; isso o excitava. Quando se tratava de uma donzela, o historiógrafo relata que esta se comportava distintamente segundo dois casos típicos. Se fosse virgem, começava implorando ao príncipe que a poupasse, por vezes aos prantos, mas constatando a suavidade dos seus gestos – o príncipe era extremamente empático –, costumava aquietar-se e deixá-lo decidir se abriria seu hímen com o dedo ou com o órgão do coito. Se ela já tivesse experimentado o sexo, as reações podiam também desdobrar-se. Se sua experiência fosse reduzida, a jovem podia ainda assustar-se e ter um sobressalto no início da penetração digital preliminar; em caso de mais ampla experiência, ela podia chegar até a oferecer-se como uma fêmea animal no cio, movendo-se para trás e para frente, convidando Sua Alteza a insistir. Quando se tratava do orifício anal, as reações também variavam de acordo com o sexo e a experiência. Caso se tratasse de um efebo sem qualquer experiência semelhante, a reação podia ser de aversão ou não, o que levava o príncipe a inferir as tendências ocultas de seus súditos masculinos. À reação arredia, o príncipe também reagia, fazendo valer sua autoridade e mostrando que uma repulsa insistente ou excessiva era descabida e inadmissível. Ele então não só introduzia profundamente o dedo em seu inconformado súdito, como lhe aplicava o que poderíamos denominar "condicionamento prévio"  que  consistia na repetida introdução e retirada do dedo bem untado de óleo e em movimentos circulares didaticamente aplicados, com o vagar e destreza necessários ao despertar do gosto. Habitualmente, precisa a narrativa, graças à sua gentileza, o príncipe obtinha um relaxamentno tal que efebo acabava por deixar-se penetrar sem oposição, seguro de que o órgão principesco não lhe faria mal maior que o dedo. Caso se tratasse de um efebo experiente, de um eunuco ou de um efeminado – todo efebo, indiferentemente, era candidato potencial ao leito real - o príncipe percebia imediatamente (devido à pressão mais fraca em seu dedo) e dispensava-lhe um tratamento de quase indiferença, penetrando-o uma vez com seu membro e retirando-o logo em seguida, sinal de que o súdito em questão devia dizer seu número para fazer girar o círculo humano e sair de sua frente. O relato acrescenta, contudo, que não era menor o prazer do príncipe ao ver a cabeça de um jovem empertigar-se devido à rápida penetração e, em se guida, descobrir nesse gesto uma sutil tentativa de olhar para trás, no intuito de, talvez, tentar decifrar em sua expressão facial a razão da retirada imediata.

Caso se tratasse de uma donzela, a reação raramente era de admissão espontânea e o príncipe sentia o súbito e nervoso enrijecer das nádegas e das coxas ao seu menor toque. Ele então acariciava a região, por vezes chegava a lambê-la e molhá-la copiosamente, para só então untá-la de óleo e iniciar pelo dedo mínimo a penetração preparatória ou propedêutica. Em geral, a donzela submetia-se docilmente, sem mais. Raramente ele presenciara reações de choro, exceto quando uma conformação anatômica incomum dificultava a penetração. Mas havia casos em que a donzela atingia um prazer comparado ao mais puro êxtase e o príncipe via a vagina desabrochar, os lábios entumescerem-se e o flúido do clímax escorrer por eles, gotejando no lençol imaculado. Nesses casos, modificando sua decisão, ele a penetrava logo em seguida e, excitado ao máximo, ejaculava tão abundantemente que, na maioria das vezes, honrava sua súdita com uma nobre gravidez. Casos houve em que a roda humana nem chegava a girar, porque a primeira donzela proporcionava ao príncipe esse prazer insuperável. Aos 21 anos, o príncipe já possuía 200 filhos bastardos concebidos apenas nessa circunstância! Quando não havia imprevistos, ele penetrava em média 12 de seus súditos a cada despertar, limitando-se a introduzir seu membro no orifício escolhido até sentir seus pelos pubianos (sempre muito bem aparados por escravas experientes) em contato com a pele do súdito e retirá-lo para passar ao seguinte.

Ocorre – e é aí que a narrativa hieroglífica se detém mais longamente – que houve casos em que o desejo do efebo ou da donzela era tamanho que ele ou ela tentava evitar que o príncipe o deixasse. Uma espécie de "técnica" foi sendo aprimorada por esses súditos, que consistia no aperfeiçoamento das contrações anais ou vaginais, de tal modo que o príncipe fosse forçado a desejar multiplicar os movimentos e, pela pressão controlada, chegar ao orgasmo em tempo mínimo. Os efebos eram obviamente os mais aptos a obter o efeito desejado, já que dispunham de um único orifício e eram tão numerosos quando as donzelas. Aos poucos, como não se passasse um mês sem que tivesse uma ejaculação causada por essa técnica, o príncipe começou a suspeitar de sua existência e passou a atentar mais para o comportamento sexual dos recrutados. Ele os penetrava um a um, como de costume e, quando sentia que um deles produzia contrações regulares e mais intensas que as habituais, deixava-o bruscamente, forçando-o a dizer seu número e passando ao seguinte. Às vezes, ele ouvia um suspiro ou um gemido de insatisfação que parecia comprovar sua hipótese de que aquele era um dos que haviam aderido à "técnica". Dois casos precisamente consignados merecem divulgação.

O primeiro trata de uma donzela cuja beleza chamou a atenção do príncipe já no cortejo de entrada. Longos cabelos lisos, olhos da cor do âmbar, lábios de forma perfeita e cor indiscritível, seios e coxas jamais vistos e incrivelmente desejáveis, ela era a própria encarnação da deusa maia do amor. O registro especifica que o príncipe lamentou vê-la virar-lhe as costas para acomodar-se na cama na posição exigida. Naquele dia, ele penetrou rapidamente 6 donzelas e 6 efebos, para chegar à divina criatura. Quando sua glande acomodou-se entre os tão cobiçados lábios, a jovem deixou-se espontaneamente invadir, sentindo-a alargá-los e mergulhar nela como se fosse algo retornando ao lugar de onde jamais deveria ter saído. Ela nunca sentira algo tão poderoso invadi-la, portanto gemia incontidamente, mas sua excitação era tamanha, seu desejo pelo príncipe – que era de rara beleza – tão irreprimível, que ela pôs-se a contrair e relaxar habilmente seu sexo, levando o príncipe a desejar que toda a extensão do seu membro fosse agraciada com o mesmo êxtase, que lhe era absolutamente inovador. Ele foi lentamente retirando-se do corpo da donzela, mas, não lhe sendo possível deixar de voltar a penetrá-la, a ejaculação precipitou-se a meio caminho. Ele então agarrou-a pelas ancas e pôs-se a arremeter freneticamente enquanto uma formidável ejaculação se produzia no interior da jovem. Quando, exausto, o príncipe retirou seu órgão latejante, viu a glande ser seguida de um fio quase transparente e admirou-se da quantidade do fluido que ele era capaz de produzir. Quanto à donzela, continuava na posição convencionada, porém suas pernas pareciam tão frouxas e sua respiração tão ofegante que não havia dúvida de que ela também tivera um orgasmo monumental. Eles haviam atingido o êxtase juntos, mas ela não tivera a coragem de manifestar seu prazer.

O segundo caso de súditos que haviam desenvolvido uma "técnica" magistral para arrancar do seu príncipe uma ejaculação em poucos instantes, foi o de um jovem cujas proporções físicas chamaram-lhe a atenção como nenhum outro. Era um efebo de cabelos negros excepcionalmente longos, corpo liso e feições belíssimas. O próprio historiógrafo parece entusiasmado ao especificar que que a forma e as proporções o peito, da barriga, da cintura e das coxas, assim como a redondeza das nádegas do jovem excitariam um rochedo. Quando ele se posicionou de joelhos e de costas no leito principesco e afastou as pernas conforme a regra, o príncipe deteve-se, visivelmente impressionado. Um longo e grosso membro viril de ampla glande descoberta ultrapassava de quatro dedos a espessa e arredondada bolsa escrotal. O príncipe desejou inteiramente esse efebo irretocável. Para chegar a ele, no entanto, foi preciso penetrar 4 efebos e 4 donzelas, o que ele fez rápida e negligentemente, não chegando sequer a completar a cópula com alguns deles. Quando enfim foi a vez do seu eleito, ele fez o que jamais se permitira fazer diante de todos. Repousando uma mão sobre suas costas, ele acariciou-o por entre as pernas com a outra, envolvendo a bolsa com os cinco dedos. O corpulento membro pôs-se tão logo a enrijecer e o efebo não pôde deixar de emitir um gemido, interpretado pelo príncipe como expressão do mais intenso desejo. Suas costas curvaram-se para baixo projetando as nádegas. O príncipe empunhou o tronco do pênis, expondo a volumosa glande rubra, sempre acariciando os testículos, que incharam, tornando a espessa pele quase lisa. Isso incitou o efebo a movimentar-se e a excitação do príncipe multiplicou-se ao contemplar as nádegas arredondarem-se ainda mais. Ele pediu o óleo, mergulhou nele o dedo médio e, após massagear circularmente a entrada, foi introduzindo-o lentamente no ânus perfeitamente adestrado, que devorava seu dedo, mordiscando-o voluptuosamente e tragando-o até o final. Como os gemidos do efebo indicassem o desejo de satisfazê-lo plenamente, o príncipe se preparou. Ocorre que a visão daquelas costas lisas, das coxas grossas e das nádegas perfeitas levaram-no a uma agitação tal que não lhe foi dado sequer chegar a encostar seu membro na entrada; ele foi assaltado por um orgasmo incontrolável, que foi preciso concluir com uma apressada masturbação.

Frustrado, o efebo fez menção de resignar-se a sentir seu corpo excitado retrair-se como a folha que se fecha ao crepúsculo. Mas o príncipe, empático, ordenou que a donzela situada ao lado direito do seu predileto se deitasse por baixo dele e lhe permitisse copular oralmente até que ele atingisse o orgasmo, cujo produto ela deveria manter na boca sem engolir. Ele contemplou com satisfação o espetáculo, masturbando suavemente a donzela, que recebeu na boca e em jatos copiosos o sêmen do efebo, enquanto se contorcia com o trabalho do dedo de Sua Alteza em seu sexo encharcado. Terminada a ejaculação, o príncipe quis ver o conteúdo da boca da donzela, que a abriu prontamente. Ele viu no fundo o espesso fluido e procurou o olhar da moça - apreensivo. Olhando-a confiante e profundamente nos olhos, ele balançou afirmativamente a cabeça e ela, sem deixar de olhá-lo nem por um instante, relaxou a glote e permitiu a passagem do líquido. Tirando o dedo de sua vagina, o príncipe levou-o aos lábios do efebo enquanto olhava sua face vermelha, que revelava a satisfação enfim realizada.


O relato prossegue explicando que o príncipe acabou por interditar a "técnica" desenvolvida pelos jovens, passando a julgar individualmente os casos em que ele era levado involuntariamente a ejacular. Isso foi eliminando os mais astuciosos e o despertar do príncipe tornou-se ocasião de descoberta e precocidade para os recrutados. Após essa data, os relatos se tornam profundamente sensuais e revelam bem a rica sexualidade da civilização maia. Mas a decifragem dos hieróglifos é coisa complexa e muito lenta, portanto só poderei revelar aos poucos esses segredos da sexualidade maia há milhares de anos entalhados na pedra nua.

3 comentários:

  1. Acabo de encontrar uma preciosidade, texto bem redigido que nos leva ao encanto juntamente com o autor, um daqueles contos que lemos e ficamos a nos imaginar na cena, a fazer parte da história como nossa. Adorei!
    Voltarei mais vezes com certeza.

    Beijos suculentos, Nitinha

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    1. Eu gosto muito de ficção também, Nitinha, e fico feliz que tenha gostado. Espero ter mais idéias interessantes para engrossar a lista. Obrigado!

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  2. Isso sim é literatura erótica! Dá vontade de saber tudo muito mais sobre esse príncipe.

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